Atividades de Protocolos de leitura para o ENEM com gabarito
Reuni atividades de protocolos de leitura para o ENEM com foco em oralidade, gêneros e adequação ao contexto. As oito questões vêm com gabarito comentado para apoiar a revisão e o planejamento das aulas.
Quando trabalho protocolos de leitura com turmas que se preparam para o ENEM, procuro aproximar a análise dos textos de situações comunicativas reconhecíveis: uma entrevista, um anúncio de rádio, uma fala pública ou uma conversa espontânea. Assim, a turma observa não só o que é dito, mas também quem fala, para quem, com qual propósito e em que gênero. Esse caminho ajuda a ler marcas como pausas, hesitações, vocativos e escolhas de registro sem tratá-las como detalhes isolados.
Também gosto de pedir que os estudantes comparem versões de uma mesma fala: uma abertura mais clara, um convite mais conciso ou uma adaptação do tom para outro público. Nas questões desta página, o foco está em reconhecer como a linguagem oral se organiza e como as escolhas linguísticas se adequam à situação. Ao final, você encontra oito itens com alternativas e comentários para usar na revisão ou adaptar ao seu planejamento.
O que o aluno de ENEM precisa saber sobre Protocolos de leitura
Para responder a questões sobre protocolos de leitura no ENEM, o estudante precisa interpretar o texto considerando gênero, interlocutores, finalidade e contexto de circulação. Em textos que representam situações orais, isso inclui reconhecer marcas de espontaneidade, como pausas, reticências, hesitações, autocorreções e expressões coloquiais, distinguindo-as de recursos formais ou de termos técnicos. Também é necessário perceber quando uma escolha de linguagem aproxima quem fala de seu público, como ocorre com vocativos e expressões de interação, e quando o registro precisa ser mais formal, como na abertura de uma audiência pública. Em anúncios, a leitura envolve observar concisão, convite direto e adequação ao meio radiofônico. Em entrevistas, é importante notar o diálogo e a participação do público. A resposta correta costuma relacionar uma marca textual à função que ela cumpre na situação, em vez de apenas nomear uma palavra ou recurso gramatical. O estudante deve justificar a leitura com evidências presentes no texto-base.
O que ele precisa saber antes
As questões pressupõem alguns conhecimentos que vale retomar antes da atividade. O primeiro é identificar o tema central, para que um detalhe — como uma falha específica — não seja confundido com o assunto principal de uma apresentação. Em seguida, é importante reconhecer a situação comunicativa: quem fala, a quem se dirige e qual é o objetivo da fala.
Também ajudam a leitura o reconhecimento dos gêneros orais, como anúncio, entrevista e audiência pública, e a distinção entre registro formal e informal. Na análise de diálogos, a turma precisa conhecer recursos da oralidade, incluindo partículas de hesitação, pausas e marcas de interação. Para os anúncios, vale retomar coesão, concisão e interlocução direta. Esses conhecimentos não precisam ser ensinados como uma lista decorada: podem ser recuperados durante a leitura de exemplos curtos, sempre relacionando forma e propósito.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente previsto nas questões é escolher uma alternativa que menciona um detalhe verdadeiro do texto, mas que não atende ao que o enunciado pede. Na questão sobre a horta comunitária, por exemplo, falar das falhas de irrigação pode parecer pertinente porque esse assunto aparece no discurso. Ainda assim, uma abertura adequada deve apresentar o tema da fala, não transformar um aspecto secundário no foco de toda a apresentação. Esse é o distrator mais provável daquele item.
Em questões de anúncio, outro risco é aceitar uma frase apenas porque ela está clara. A alternativa pode listar atrações, mas deixar de convidar diretamente o ouvinte ou manter repetições. Nas questões sobre oralidade, pode haver confusão entre marcadores coloquiais, interjeições, conectivos e termos técnicos. A leitura precisa distinguir a função de cada elemento no trecho, sem atribuir a ele uma classificação que não corresponde ao uso apresentado.
Na adaptação de gênero, o engano pode ser manter o tom descontraído de um anúncio ao escrever a abertura de uma audiência pública, ou selecionar uma fala que propõe organizar um mutirão em vez de abrir formalmente uma discussão pública. Em entrevista, por sua vez, uma alternativa que menciona narração em terceira pessoa não combina com o diálogo apresentado. Peço que a turma volte ao enunciado e verifique se a opção responde à tarefa, ao gênero e ao público, não apenas se contém palavras presentes no texto.
Como trabalhar em sala
- Faça uma leitura com marcação de pistas. Em um diálogo curto, peça que a turma circule pausas, reticências, vocativos e expressões como “né” e “tipo”. Depois, conversem sobre a função de cada marca no trecho. O objetivo é relacionar a pista à situação, sem tratar toda expressão coloquial como se tivesse o mesmo papel.
- Compare duas versões de um anúncio. Apresente uma formulação redundante e outra mais direta. Peça que os estudantes expliquem qual convida melhor o ouvinte e que informações foram mantidas. A comparação permite trabalhar concisão e interlocução sem exigir recursos além do quadro e de exemplos impressos ou projetados.
- Adapte o registro para outro contexto. A partir de um convite informal para um mutirão, proponha a abertura de uma audiência pública sobre o mesmo tema. A turma pode discutir quais escolhas precisam mudar: forma de tratamento, identificação do assunto e convite à participação. Não se trata de declarar uma variedade melhor, mas de analisar a adequação à situação solicitada.
- Use a eliminação justificada de alternativas. Antes de revelar o gabarito, peça que cada estudante elimine uma opção e explique por que ela não responde ao enunciado. Esse procedimento ajuda a perceber distratores que trazem informações do texto, mas desviam do propósito da tarefa.
- Peça uma justificativa apoiada em evidências. Para cada resposta, os estudantes podem indicar a palavra, a marca de pontuação ou o traço do gênero que sustenta a escolha. Assim, a correção não fica restrita à letra certa e a turma pratica uma leitura atenta das evidências.
Questões prontas de Protocolos de leitura para o ENEM (com gabarito comentado)
Use os itens como revisão individual, atividade em duplas ou correção coletiva. Em cada questão, vale pedir que os estudantes expliquem a relação entre o texto e a alternativa escolhida.
Questão 1 — Abertura de uma apresentação oral
Por que em reuniões de condomínio as intervenções costumam ser prolixas a ponto de dispersar a audiência? Em uma assembleia de moradores, constatou-se que o representante trouxe o seguinte discurso:
“Então, eu gostaria de falar sobre o projeto de horta comunitária. É... vocês sabem que a iniciativa começou no ano passado e, hum, teve uma adesão grande. A gente plantou... muitas espécies, né? O problema, assim, é que faltou planejamento do calendário de irrigação, e aí algumas mudaram, murcharam. Mas, enfim, o objetivo é fortalecer a cooperação entre vizinhos e melhorar a qualidade dos alimentos produzidos.”
A partir do texto-base, identifique qual proposta de abertura adequa melhor o discurso oral ao contexto de apresentação, promovendo clareza e dinamismo.
- ❌ A) “Boa tarde a todos! Vamos conversar sobre alguns pontos sem indicar o tema da reunião.” Errada: a abertura não informa o assunto e, por isso, não promove a clareza pedida.
- ❌ B) “Moradores da rua X, compartilho informações detalhadas sobre as causas do murchamento das plantas.” Errada: limita a apresentação a um detalhe do problema e não introduz o projeto de horta comunitária.
- ❌ C) “Caros moradores, hoje detalharei cada pausa e hesitação do discurso.” Errada: desloca o foco do projeto para a forma de falar do representante.
- ❌ D) “Prezados vizinhos, apresento o relatório completo das falhas no planejamento de irrigação.” Errada: restringe a fala às falhas de irrigação e a caracteriza como relatório completo, embora o discurso trate do projeto de modo mais amplo.
- ✅ E) “Senhoras e senhores, passo a expor a adoção de espécies na horta comunitária iniciada no ano passado.” Correta: anuncia um aspecto do projeto e situa a iniciativa no tempo, favorecendo a compreensão do tema.
Questão 2 — Concisão em anúncio radiofônico
Antenados com a programação do Dia da Mobilidade Urbana, locutores de uma rádio comunitária elaboram um roteiro de anúncio que será transmitido no próximo sábado. No trecho destacado, percebem que a redação está redundante e pouco envolvente para os ouvintes. Eles propõem substituir a frase entre colchetes por uma versão mais clara, concisa e impactante no formato característico de anúncio radiofônico: “[Venham participar do evento que é importante e que terá música, alimentação, e muita diversão]”. Identifique a opção que substitui o trecho por uma versão mais concisa e adequada ao gênero.
- ✅ A) “Neste sábado, venha ao evento: música, alimentação e diversão esperam por você!” Correta: mantém as informações, organiza-as diretamente e convida o ouvinte.
- ❌ B) “Venham participar do evento que é importante e que terá música, alimentação e muita diversão.” Errada: conserva a repetição estrutural e a expressão vaga “que é importante”.
- ❌ C) “Venha ao evento e participe da música, da alimentação e da diversão do evento.” Errada: repete “evento” e apresenta uma formulação pouco natural.
- ❌ D) “O evento contará com música, alimentação e diversão para os participantes.” Errada: informa as atrações, mas não adota o convite direto característico do anúncio proposto.
- ❌ E) “A música, a alimentação e a diversão estarão presentes no evento, que será importante.” Errada: é menos direta e mantém a avaliação vaga de que o evento será importante.
Questão 3 — Marcas de oralidade espontânea
Num encontro comunitário sobre segurança, dois moradores trocam opiniões sobre a instalação de câmeras no bairro. O diálogo segue espontâneo, com hesitações e marcas típicas da fala:
— Eu acho que câmera resolve não, sabe? Tipo, a violência é outra parada...
— Mas sem monitoramento… a gente fica meio perdido, né? Aí, quem vigia a vizinhança?
— Pois é… mas às vezes dá muita essa sensação de invasão…
Analise o texto-base e identifique o recurso que evidencia a oralidade espontânea presente no diálogo.
- ❌ A) A ocorrência de interjeições para expressar emoção. Errada: “sabe” e “tipo” são marcadores de oralidade, não interjeições emocionais.
- ❌ B) O emprego de termos técnicos específicos do contexto. Errada: não há jargões especializados; o diálogo é coloquial.
- ❌ C) A presença de conectivos formais para articular ideias. Errada: predominam marcadores coloquiais, não conectivos formais.
- ❌ D) A utilização de estrutura sintática complexa. Errada: as frases são simples e fragmentadas, não sintaticamente complexas.
- ✅ E) O uso de repetições e pausas indicadas por reticências. Correta: as reticências representam pausas e hesitações, marcas características da fala espontânea.
Questão 4 — Adaptação para audiência pública
Apresentadores de uma rádio comunitária elaboraram um anúncio para incentivar a participação dos moradores em mutirões de limpeza de praças. O roteiro tem tom descontraído e linguagem coloquial: “Ei, pessoal! Tá na hora de deixar nosso bairro mais bonito. A gente se encontra na praça central neste sábado, às 9h. Traga luvas, boa disposição e sua galera! Juntos, vamos transformar esse espaço num lugar de orgulho pra todo mundo. Não fique de fora: vale ponto social e muita diversão!” Adapte o anúncio para a abertura de uma audiência pública sobre limpeza urbana, considerando o estilo formal e a clareza exigidos nesse gênero.
- ❌ A) “Cidadãos de nosso bairro, reúnam-se agora na mesa da audiência. Discutiremos soluções práticas para a limpeza, trazendo itens e ideias de casa.” Errada: aproxima a fala da organização de um mutirão, não da abertura formal de uma audiência.
- ❌ B) “Boa tarde. A audiência foi encerrada após a discussão sobre limpeza urbana, sem espaço para novas propostas.” Errada: apresenta o evento como encerrado, portanto não funciona como abertura.
- ❌ C) “Senhoras e senhores, bem-vindos à reunião sobre limpeza urbana organizada pela rádio. Vamos compartilhar tarefas e agendar horários de mutirão.” Errada: propõe dividir tarefas e agendar mutirões, em vez de abrir a audiência pública solicitada.
- ✅ D) “Excelentíssimos vereadores e cidadãos, damos início a esta audiência pública sobre limpeza urbana, convidando todos a colaborarem com propostas objetivas e responsáveis para a melhoria de nossas praças.” Correta: adota tratamento formal, identifica o tema e convida à participação.
- ❌ E) “Olá, galera engajada! A audiência vai rolar hoje com os vereadores pra gente falar sobre deixar a cidade limpa e nossa praça mais show.” Errada: expressões como “galera”, “vai rolar” e “mais show” não atendem ao registro formal pedido.
Questão 5 — Partículas de hesitação em um podcast
Pedro e Ana participam de um episódio de podcast sobre hábitos de estudo. Leia a transcrição:
Pedro: “Então, Ana, você acha que revisar anotações antes da aula é útil?”
Ana: “Ah, eu acho que é super importante, né? Sabe, eu costumo reler tudo e, tipo, faço resumos pra fixar bem.”
Pedro: “Interessante. E você, tipo, não acha que isso consome muito tempo?”
Ana: “Consome um pouco, mas, assim, vale a pena, viu?”
Analise o trecho e identifique qual recurso evidencia a oralidade espontânea da fala de Ana.
- ❌ A) Utilização de orações complexas para desenvolver ideias. Errada: as falas são fragmentadas e não apresentam desenvolvimento por orações complexas estruturadas.
- ❌ B) Adoção de tempo verbal histórico para relatar experiências passadas. Errada: Ana usa o presente do indicativo, não o pretérito histórico.
- ✅ C) Uso de partículas de hesitação para demarcar o planejamento do enunciado. Correta: “ah”, “né” e “tipo” indicam hesitação típica da oralidade espontânea.
- ❌ D) Emprego de linguagem figurada para intensificar argumentos. Errada: não há metáforas ou figuras de linguagem no trecho.
- ❌ E) Inserção de conectivos formais para garantir coesão textual. Errada: predominam termos coloquiais e hesitações, não conectivos formais.
Questão 6 — Hesitação e autocorreção na fala
Pesquisadores acompanham há três anos as transmissões de uma emissora comunitária na região central do país. Em uma manhã, o locutor inicia a transmissão ao vivo:
“Olá, olá, pessoal... bem, hoje a gente vai falar sobre as obras na praça... hum... como eu ia dizendo, as intervenções começaram na semana passada. Se vocês quiserem, depois posso ler as mensagens que chegaram aqui.”
Analise o trecho e identifique o recurso que evidencia a oralidade espontânea no discurso do locutor.
- ✅ A) Uso de marcadores de hesitação e autocorreção. Correta: expressões de apoio, pausas e retomadas revelam improvisação típica da oralidade espontânea.
- ❌ B) Uso de vocabulário técnico especializado. Errada: o vocabulário do trecho é coloquial e não há termos técnicos especializados.
- ❌ C) Uso de estruturas de terceira pessoa para objetividade. Errada: o locutor se dirige ao público e usa primeira e segunda pessoas, não uma estrutura predominante de terceira pessoa.
- ❌ D) Uso de voz passiva para narrar eventos. Errada: o trecho apresenta fala direta e formas ativas, não voz passiva.
- ❌ E) Uso de conectivos formais de coesão textual. Errada: a fala é descontraída e o destaque está nas hesitações e retomadas, não em conectivos formais.
Questão 7 — Entrevista oral radiofônica
Leia o diálogo:
— Repórter: Boa tarde! Conte um pouco sobre como iniciou sua barraca de frutas na feira.
— Vendedor: Pois é, comecei lá atrás, lá nos meus 20 anos, vendia de porta em porta e hoje aqui estou.
— Repórter: E qual fruta faz mais sucesso com o público?
— Vendedor: Rapaz, a manga “pé de boi” é tiro certo, o pessoal chega perguntando logo: “Tem manga docinha?” (risos).
— Repórter: Excelente! Mais alguém queira saber algo?
— Plateia: Sim!
— Repórter: Então continuamos a conversa.
Analise o texto e identifique qual elemento evidencia adequação ao gênero de entrevista oral radiofônica.
- ✅ A) O uso de registro coloquial e de expressões de interação com o público. Correta: os traços aproximam a entrevista oral dos ouvintes e da plateia.
- ❌ B) O predomínio de vozes narrativas em terceira pessoa. Errada: o texto é construído como diálogo direto, não como narração em terceira pessoa.
- ❌ C) A adoção de construção literária elaborada. Errada: a entrevista oral não exige estilo literário rebuscado; o trecho privilegia espontaneidade.
- ❌ D) O emprego de períodos longos e linguagem impessoal. Errada: predominam falas próximas e interação, não impessoalidade.
- ❌ E) A ocorrência de termos técnicos sem explicações. Errada: esse traço não caracteriza a interação coloquial mostrada no texto.
Questão 8 — Recurso de interlocução
Leia o trecho de uma conversa em programa oral:
— Olá, pessoal, bem-vindos ao Conexão Cultural! Hoje vamos conversar com a doutora Helena sobre as influências da música tradicional no comportamento social. Então, doutora, conta pra gente como essa relação funciona.
— Olá! É um prazer estar aqui. Bom, basicamente, a música tradicional reflete valores coletivos e, ao mesmo tempo, ajuda a moldar identidades regionais. É interessante ver como, em festivais populares, as pessoas interagem espontaneamente, cantando e dançando.
— Exatamente! E por que essa interação é tão importante para a preservação cultural, doutora?
Analise o texto-base e identifique qual recurso linguístico assegura a interlocução característica do gênero oral apresentado.
- ✅ A) Uso do vocativo “pessoal” para envolver os ouvintes na fala. Correta: o vocativo cria proximidade e caracteriza a interatividade do gênero oral.
- ❌ B) Uso da conjunção coordenativa “e” para sequenciar ideias. Errada: a conjunção conecta orações, mas não é o recurso que envolve diretamente os ouvintes.
- ❌ C) Uso do advérbio intensificador “basicamente” para enfatizar argumentos. Errada: a palavra aparece como marcador de explicação, não como recurso de interlocução direta.
- ❌ D) Uso de metáfora para ilustrar conceitos teóricos. Errada: não há metáfora correspondente ao recurso de oralidade destacado.
- ❌ E) Uso de interrogação retórica para envolver o público sem esperar resposta. Errada: a pergunta é dirigida à convidada e faz parte do diálogo.
Próximos passos
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