Atividades de Protocolos de leitura para a 2ª série do Ensino Médio com gabarito
Explore atividades de Protocolos de leitura para a 2ª série do Ensino Médio, com questões sobre gêneros, interlocução e marcas da oralidade. Confira o gabarito comentado e ideias para trabalhar em sala.
Quando trabalho Protocolos de leitura com a 2ª série do Ensino Médio, procuro partir de textos que os estudantes reconhecem em situações cotidianas: um anúncio de rádio, uma fala de podcast, uma apresentação oral ou instruções transmitidas ao público. Isso ajuda a deslocar a leitura da simples identificação de palavras para a observação de como o texto se organiza e produz sentido.
Na prática, meu foco é orientar a turma a perguntar quem fala, para quem, com qual objetivo e em que gênero. Ao comparar uma fala com uma adaptação escrita, por exemplo, fica mais visível que ler também envolve perceber escolhas de linguagem, informações centrais e marcas de interação. A seguir, reuni oito questões com gabarito comentado para apoiar esse trabalho.
O que o aluno de 2ª série precisa saber sobre Protocolos de leitura
Na 2ª série, o aluno precisa ler considerando a situação de comunicação, e não apenas localizar informações isoladas. Isso significa reconhecer o gênero e observar quem fala, a quem se dirige, com que finalidade e quais recursos ajudam a construir essa relação. Em anúncios de serviço público, uma pergunta dirigida ao ouvinte pode chamar atenção para uma atitude; em podcasts, saudações, vocativos e convites à participação aproximam apresentador e público. Já na passagem da fala para a escrita jornalística, é importante selecionar informações centrais e adequar o registro sem apagar o sentido do trecho. Marcadores como “primeiro”, “depois” e “por fim” ajudam a organizar instruções e facilitam seu acompanhamento. O estudante também precisa distinguir marcas de oralidade de recursos que apenas pertencem ao tema, como termos de culinária ou referências culturais. Em conjunto, essas estratégias permitem interpretar a adequação do texto ao gênero e explicar o efeito de escolhas linguísticas, em consonância com a habilidade EM13LP16.
O que ele precisa saber antes
Para avançar nessas questões, a turma precisa mobilizar conhecimentos que podem ser retomados rapidamente antes da atividade. Entre eles estão o reconhecimento de gêneros discursivos e de gêneros orais, a identificação de recursos linguísticos e o uso de vocativos. Também são importantes a distinção entre fala e escrita, o reconhecimento dos interlocutores e a compreensão de características do gênero jornalístico. Por fim, vale revisar a estrutura textual e observar como marcas de oralidade, como saudações e expressões de interlocução, funcionam em contextos diferentes.
Não é necessário transformar esses pré-requisitos em uma longa revisão gramatical. Uma conversa breve sobre finalidade, público e contexto de circulação já prepara a leitura. A pergunta prática que costumo usar é: “Que trecho do texto mostra a quem o locutor está falando e o que pretende fazer?”. A resposta precisa vir acompanhada de uma evidência do próprio texto.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente nas questões é escolher uma alternativa que menciona um elemento presente no texto, mas não responde ao que foi perguntado. Em um podcast sobre cultura, por exemplo, a entrevista e a referência a uma manifestação cultural fazem parte do conteúdo; porém, se a questão pede a marca que estabelece contato com o público, a saudação é a evidência mais pertinente. Da mesma forma, uma receita pode conter termos culinários sem que esses termos sejam, por si só, marcas de oralidade.
Outro ponto de atenção é a adaptação da fala para a escrita. O distrator mais provável na questão sobre o programa jornalístico conserva “a gente” e apresenta só parte da informação. Essa escolha pode parecer adequada porque reaproveita palavras do trecho, mas não resume com clareza as duas ideias centrais: o convite às histórias dos ouvintes e o anúncio da entrevista. Também pode haver confusão entre vocativo e formalidade, ou entre marcadores de sequência e outros recursos linguísticos. Para ajudar a turma, peço que os alunos justifiquem a resposta apontando uma evidência e expliquem por que as alternativas próximas não atendem ao comando.
Como trabalhar em sala
- Faça uma leitura de evidências: apresente um trecho curto e peça que os alunos grifem as palavras que mostram o público a que ele se dirige. Depois, comparem as evidências em duplas antes de escolher uma interpretação.
- Compare fala e escrita: use a fala do apresentador da questão do Vozes da Rua e peça uma versão breve para uma nota jornalística. Oriente a turma a preservar o convite e o anúncio da entrevista, retirando marcas de oralidade quando necessário, sem inventar informações.
- Organize instruções: convide os estudantes a reordenar etapas de uma orientação simples usando “primeiro”, “depois” e “por fim”. A atividade permite discutir como os marcadores ajudam a acompanhar uma sequência.
- Classifique o recurso pelo efeito: separe exemplos de vocativo, pergunta retórica, saudação e informação temática. Os alunos podem explicar se cada trecho aproxima o locutor do público, organiza instruções ou apenas apresenta o assunto.
- Use distratores para conversar sobre leitura: depois da correção, escolha uma alternativa incorreta e peça que a turma diga por que ela parece plausível e qual detalhe do texto a torna inadequada. Isso transforma o gabarito em oportunidade de revisar estratégias de interpretação.
Questões prontas de Protocolos de leitura para a 2ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
As questões a seguir trabalham a identificação de recursos e a adequação ao gênero. Sugiro que os alunos tentem responder primeiro, registrando uma evidência textual, e só depois consultem os comentários do gabarito.
1. Anúncio de serviço público no rádio
Campanha fictícia de rádio comunitária lançada em 2026 no bairro Vista Alegre busca conscientizar moradores sobre o uso responsável da água. O locutor pergunta: “Você ainda deixa o chuveiro ligado enquanto ensaboa o corpo?”, informa que economizar água no banho pode reduzir a conta em até 15%, orienta a desligar o chuveiro durante o ensaboar e sugere reaproveitar a água da chuva para regar plantas. Encerra com o jingle: “Água que cai e salva, amanhã vai salvar!”. Qual recurso linguístico reforça a adequação ao gênero anúncio de serviço público radiofônico?
- ❌ A) Uso de comparação para explicar hábitos de consumo doméstico. O texto orienta sobre o uso da água, mas não compara hábitos de consumo.
- ✅ B) Apelo direto ao ouvinte por meio de pergunta retórica. A pergunta interpela o público e chama sua atenção para um hábito que pode ser mudado, finalidade adequada a uma campanha de conscientização.
- ❌ C) Inserção de diálogo entre moradores para relatar hábitos coletivos. Não há conversa entre moradores; o locutor dirige-se ao ouvinte e apresenta orientações.
- ❌ D) Emprego de jargão técnico sobre consumo de água. A linguagem é cotidiana, sem termos técnicos especializados.
- ❌ E) Recorrência de relato em primeira pessoa do locutor. O locutor informa e orienta; não narra uma experiência pessoal.
Gabarito: B. A pergunta funciona como interpelação direta e ajuda a mobilizar a atenção do ouvinte. Para distingui-la dos distratores, vale observar que a presença de informação sobre consumo não transforma o trecho em comparação, diálogo ou relato pessoal.
2. Da fala do programa à escrita jornalística
O apresentador anuncia que o programa Vozes da Rua abrirá espaço para ouvintes contarem histórias de solidariedade no bairro e informa que, em seguida, entrevistará dona Rosa, organizadora da arrecadação de roupas para famílias em situação de rua. Qual adaptação para texto escrito mantém adequação ao gênero jornalístico e clareza?
- ❌ A) No programa Vozes da Rua, o apresentador pediu mensagens sobre a arrecadação de roupas para famílias em situação de rua. A alternativa restringe o convite à arrecadação, embora o apresentador peça histórias de solidariedade em geral.
- ❌ B) No programa Vozes da Rua, o apresentador disse: “Boa tarde, pessoal! Aqui é o Edu...”. Mantém saudação e apresentação, mas não comunica o convite nem o anúncio da entrevista.
- ❌ C) No programa Vozes da Rua, o apresentador exclamou: “Ah, e fiquem ligados” antes de apresentar a convidada. Reproduz uma expressão oral isolada e deixa de apresentar as informações centrais com clareza.
- ❌ D) No programa Vozes da Rua, o apresentador afirmou que a gente vai abrir espaço para os ouvintes compartilharem experiências... Conserva a expressão coloquial “a gente” e apresenta apenas parte do conteúdo, sem resumir o anúncio da entrevista.
- ✅ E) No programa Vozes da Rua, o apresentador convidou ouvintes a compartilhar histórias de solidariedade e anunciou entrevista com dona Rosa, organizadora da arrecadação de roupas. Resume as duas informações principais em linguagem clara e adequada ao registro jornalístico.
Gabarito: E. Na adaptação, o objetivo não é transcrever cada palavra da fala, mas preservar o que é relevante e ajustar a apresentação ao gênero escrito. A alternativa correta mantém tanto o convite à participação quanto a informação sobre a entrevistada.
3. Interação em uma apresentação guiada
Um guia recebe visitantes no Vale das Artes, convida-os a imaginar as paisagens que inspiraram artistas regionais, descreve cores e texturas e os incentiva a fazer perguntas e comentar impressões. Qual estratégia textual evidencia a adequação do discurso ao gênero oral apresentado?
- ❌ A) Estruturação em período composto por subordinação extensa. A existência de períodos compostos não aproxima, por si só, o guia dos visitantes nem caracteriza a apresentação.
- ✅ B) Uso do vocativo para estabelecer proximidade com o público. A forma de chamar diretamente os visitantes favorece a interação própria de uma apresentação oral.
- ❌ C) Emprego de adjetivos técnicos sem exemplificação adicional. O texto descreve cores e texturas, mas não se caracteriza por adjetivos técnicos sem explicação.
- ❌ D) Uso de advérbios de tempo para marcar sequência narrativa. O trecho descreve o passeio e as obras, não organiza principalmente uma sequência de acontecimentos.
- ❌ E) Uso de linguagem formal para manter distância do público. O guia convida os visitantes a interagir; portanto, a leitura de distanciamento não corresponde ao trecho.
Gabarito: B. O vocativo chama o público e participa da construção da relação entre guia e visitantes. A descrição das obras contribui para o conteúdo, mas não é a estratégia de interlocução solicitada.
4. Clareza em instruções transmitidas pelo rádio
Em uma versão revisada de uma orientação sobre como registrar reclamação na ouvidoria municipal, o locutor diz: “Primeiro, leve seu documento à prefeitura. Depois, dirija-se ao setor de protocolo. Por fim, aguarde a confirmação de protocolo. Para dúvidas, acesse o site da prefeitura.” Qual recurso torna as instruções mais claras?
- ❌ A) Uso de pronome de tratamento para engajar o público. Não há pronome de tratamento como elemento que organize as etapas.
- ✅ B) Uso de marcadores sequenciais para organizar as etapas. “Primeiro”, “depois” e “por fim” mostram a ordem das ações e facilitam o acompanhamento.
- ❌ C) Emprego de voz passiva para enfatizar ações. A versão não utiliza voz passiva como recurso de organização.
- ❌ D) Uso de expressões coloquiais para aproximar o locutor. O texto evita coloquialismos; eles não são o recurso responsável pela clareza das etapas.
- ❌ E) Inserção de jargão técnico para demonstrar formalidade. Não há jargão específico, e linguagem excessivamente técnica poderia dificultar a compreensão do público.
Gabarito: B. Os marcadores sequenciais tornam explícita a ordem das ações. Na correção, é útil pedir aos alunos que localizem cada marcador e associem-no à etapa correspondente, em vez de escolher uma opção apenas por parecer formal.
5. Apresentação oral em podcast cultural
Carla Mendes abre o Podcast Trilhas Culturais cumprimentando os ouvintes, apresenta uma entrevista com o mestre de maracatu João Silva e anuncia que o episódio também discutirá mudanças nas práticas culturais com o turismo. Qual recurso evidencia a adequação ao estilo de apresentação oral em podcast?
- ❌ A) A preparação de um espaço para anotações pessoais. É uma orientação ao ouvinte, mas não é o recurso que estabelece contato direto na apresentação.
- ❌ B) A apresentação do entrevistado em terceira pessoa. Identifica João, mas não estabelece por si só contato direto com o público.
- ❌ C) A descrição de um ambiente durante a entrevista. O efeito sonoro de tambores integra a produção, mas não corresponde à saudação que interpela os ouvintes.
- ✅ D) A saudação que estabelece contato direto com quem acompanha o episódio. Dirigir-se aos ouvintes cria uma relação de interlocução característica da apresentação oral.
- ❌ E) A descrição detalhada da prática cultural de maracatu. A referência informa o tema do episódio, mas não é, por si só, a marca de contato com o público.
Gabarito: D. A saudação funciona como abertura dirigida a quem acompanha o podcast. É importante diferenciar o assunto tratado — neste caso, o maracatu e as comunidades tradicionais — da escolha linguística que estabelece interlocução.
6. Perguntas que envolvem o ouvinte
No programa Vozes do Amanhã, a apresentadora pergunta: “Já pensou como um simples gesto pode mudar o dia de outra pessoa?” e convida o público a refletir sobre uma atitude gentil que poderá praticar. Qual recurso reforça a adequação ao contexto oral e aproxima locutor e público?
- ❌ A) Presença de adjuntos adverbiais temporais que garantem clareza cronológica. O foco do trecho é o envolvimento do ouvinte, não a organização de uma sequência cronológica.
- ❌ B) Uso de termos técnicos para demonstrar autoridade do locutor. Não há termos técnicos; a linguagem é acessível.
- ❌ C) Introdução de orações subordinadas reduzidas que aceleram o ritmo da fala. Essa estrutura não é o recurso central que aproxima a apresentadora do público.
- ✅ D) Emprego de perguntas retóricas que estimulam o envolvimento mental do ouvinte. As perguntas convidam à reflexão e reforçam a proximidade no discurso oral.
- ❌ E) Utilização de pronomes de terceira pessoa para conferir formalidade. O texto se dirige ao público diretamente; a alternativa não descreve esse funcionamento.
Gabarito: D. As perguntas orientam a atenção para uma reflexão, em vez de apenas solicitar uma informação factual. Peça à turma que explique o efeito da pergunta no contexto, apoiando a resposta na fala da apresentadora.
7. Marcas de interação em um podcast
A apresentadora de um podcast sobre moda sustentável dá boas-vindas ao público, diz “Você já parou para pensar como escolhemos as roupas que vestimos?” e anuncia uma conversa com o estilista Carlos sobre peças feitas com materiais reciclados. Qual característica evidencia a adequação ao gênero oral de podcast?
- ❌ A) Uso de conectivos formais de texto acadêmico. O trecho não se organiza com conectivos acadêmicos; apresenta linguagem conversacional.
- ✅ B) Uso de expressões de interação com o ouvinte, como “Você já parou para pensar”. A expressão envolve o público e é compatível com a apresentação oral de podcast.
- ❌ C) Uso de termos técnicos sem explicação para demonstrar autoridade. O trecho mantém estilo acessível e não se caracteriza por termos técnicos sem explicação.
- ❌ D) Uso de elipse de sujeito para dar leveza ao discurso. Ainda que a elipse possa ocorrer na língua, não é a marca central destacada no trecho.
- ❌ E) Uso de linguagem impessoal típica de relatório escrito. A apresentadora fala em primeira pessoa e se dirige diretamente ao público, ao contrário do registro impessoal sugerido.
Gabarito: B. A expressão cria uma entrada de conversa com quem ouve. O tema da moda sustentável é relevante para o episódio, mas a questão pede a característica que evidencia o gênero oral, não o assunto abordado.
8. Vocativo em programa culinário ao vivo
Em um programa culinário ao vivo, o chef cumprimenta a plateia e diz: “Antes de mais nada, pessoal, sejam bem-vindos ao Estúdio Sabor em Minutos”. Em seguida, explica como preparar um risoto e afirma que cada passo foi pensado para o público reproduzir em casa. Qual elemento evidencia a adequação ao registro oral?
- ❌ A) Presença de termos técnicos de culinária. “Refogue” e “arbóreo” pertencem ao campo da culinária, mas não são, por si, marcas do registro oral.
- ❌ B) Emprego da forma nominal “cada passo é pensado”. Uma construção impessoal não indica, isoladamente, que o registro seja oral.
- ❌ C) Uso de sentença composta com várias orações. Uma estrutura sintática complexa não é exclusiva de textos orais.
- ✅ D) Uso do vocativo “pessoal”. A palavra chama diretamente o público e funciona como marca de interação em um programa ao vivo.
- ❌ E) Emprego do advérbio “semanal”. Ele informa a periodicidade da atração, não caracteriza a interação oral.
Gabarito: D. O vocativo permite reconhecer a quem o chef se dirige. A presença de instruções culinárias e de vocabulário próprio da receita é relevante para o conteúdo, mas não responde ao foco da pergunta sobre registro oral.
Para fechar: próximos passos
Depois da correção, proponho que cada estudante escolha uma questão e escreva uma justificativa própria, citando a palavra ou o trecho que sustenta o gabarito. Essa etapa permite verificar se a resposta veio da leitura do texto ou apenas do reconhecimento de uma alternativa. Para ampliar a sequência, consulte também as questões da habilidade EM13LP16. Se quiser montar uma avaliação com atividades selecionadas para sua turma, experimente o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.
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