Atividades de Morfossintaxe para a 3ª série do Ensino Médio com gabarito
Reuni questões de Morfossintaxe para a 3ª série do Ensino Médio, com gabarito comentado e foco em concordância, colocação pronominal, períodos e oralidade. Use como apoio para revisar conteúdos e planejar a aula.
Quando trabalho Morfossintaxe com a 3ª série do Ensino Médio, procuro aproximar a análise das formas e das relações entre palavras do uso que os estudantes fazem da língua. A revisão não precisa ficar restrita a decorar nomes: identificar sujeito e predicado, observar a concordância e perceber como os pronomes se posicionam ajuda a explicar escolhas concretas em frases e textos. Também aproveito esse estudo para retomar a organização dos períodos e a relação entre verbos e marcadores de tempo.
Na reta final do Ensino Médio, gosto de alternar exercícios objetivos com conversa sobre linguagem em situações reais. As questões desta sequência incluem tópicos gramaticais e itens de oralidade e argumentação, para apoiar uma revisão mais ampla de Língua Portuguesa. A seguir, compartilho possibilidades de encaminhamento e o gabarito comentado para você adaptar ao ritmo da sua turma.
O que o aluno de 3ª série precisa saber sobre Morfossintaxe
Na 3ª série, espero que o estudante consiga observar como as palavras se organizam na oração e como essa organização interfere na construção de sentidos. Isso inclui reconhecer sujeito e predicado, relacionar sujeito e verbo na concordância e identificar casos em que verbos impessoais, como “fazer” indicando tempo decorrido e “haver” com sentido de existir, permanecem no singular. Também é importante diferenciar período simples e composto a partir do número de orações, observar a colocação dos pronomes átonos e relacionar tempos verbais a marcadores temporais como “ontem”. Essa análise pode partir de frases isoladas, mas ganha consistência quando é conectada a textos e situações de comunicação. Por isso, junto à revisão gramatical, vale interpretar como a oralidade permite apresentar pontos de vista, fazer circular argumentos e participar de debates públicos. As questões a seguir contemplam esses conhecimentos e ajudam a verificar tanto a identificação de estruturas quanto a compreensão de seus usos.
O que ele precisa saber antes
Para acompanhar as questões, é útil que a turma já reconheça o verbo como núcleo que ajuda a localizar orações e saiba identificar, em frases simples, sujeito e predicado. A revisão também pede familiaridade com concordância entre sujeito e verbo, incluindo a noção de sujeito composto. Para a colocação pronominal, os estudantes precisam reconhecer pronomes pessoais átonos e compreender, ao menos, as posições de próclise e ênclise e a atração exercida por palavras negativas. Na parte de tempos verbais, convém retomar os tempos do indicativo e a leitura de marcadores temporais. Já as questões de oralidade partem da compreensão de textos argumentativos, das funções sociais da fala e da ideia de que argumentos podem ser apresentados oralmente ou por escrito.
Onde os alunos mais erram
Nas questões de concordância, um deslize comum é olhar apenas para um termo plural e concluir que o verbo também deve ir para o plural. Isso pode levar à escolha de “Fazem cinco anos”, embora “fazer”, quando indica tempo decorrido, seja impessoal e fique no singular. O movimento inverso também aparece: diante de um sujeito composto, como “Os alunos e a professora”, é preciso reconhecer que o verbo deve concordar no plural. A questão sobre predicado traz outra confusão possível: selecionar apenas o verbo, quando o predicado completo é “latiu alto”.
Na colocação pronominal, o distrator mais provável indicado para a questão é “Contaram-me”. A forma está adequada; a dificuldade está em não distinguir uma ênclise aceitável da próclise exigida pela palavra negativa em “Não o vi”. Em períodos, contar palavras ou avaliar se a frase é curta não resolve: é necessário identificar as orações a partir dos verbos e de sua organização. Na questão de tempos verbais, o marcador “ontem” orienta a leitura para o passado, então “conta” não combina com o contexto. Por fim, nos itens de oralidade, é importante não confundir ampliar o debate com eliminar divergências ou dispensar a participação social.
Como trabalhar em sala
- Faça uma leitura diagnóstica curta: selecione algumas frases das questões e peça que os estudantes marquem verbos, sujeitos e predicados. A correção coletiva permite descobrir quais conceitos precisam de retomada antes de avançar.
- Peça que justifiquem a escolha: em vez de apenas marcar uma alternativa, convide a turma a explicar por que “faz” permanece no singular ou por que “não” interfere na posição do pronome. A justificativa torna visível o raciocínio.
- Compare frases em pares: escreva no quadro “Faz tempo que não o vejo” e “Os alunos e a professora chegaram cedo”. A turma pode localizar os sujeitos e discutir por que a concordância funciona de modo diferente em cada caso.
- Conte orações com atenção aos verbos: peça aos estudantes que circulem os verbos e delimitem as orações em exemplos de período simples e composto. Em seguida, comparem a contagem com a estrutura, sem se apoiar apenas no tamanho da frase.
- Conecte oralidade e argumentação: organize uma conversa breve sobre uma decisão de interesse coletivo, com apresentação de posições e razões. Combine escuta e respeito às divergências; depois, discuta como a fala pode fazer circular argumentos e favorecer a participação.
Questões prontas de Morfossintaxe para a 3ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
As questões abaixo permitem revisar conteúdos gramaticais e ampliar a conversa para a leitura e a oralidade. Em cada item, o comentário explica a resposta e o problema das alternativas incorretas.
1. Identifique a frase que apresenta um erro de concordância verbal:
- ✅ A) Fazem cinco anos que não a vejo. É a alternativa correta: “fazer”, indicando tempo decorrido, é impessoal e deve ficar no singular. A forma adequada é “Faz cinco anos que não a vejo”.
- ❌ B) Os alunos estudam para a prova. A frase está correta: “estudam” concorda com o sujeito plural “os alunos”.
- ❌ C) Ela e eu gostamos de ler. A frase está correta. O sujeito composto “Ela e eu” exige o verbo na primeira pessoa do plural: “gostamos”.
- ❌ D) Havia muitas pessoas na festa. A frase está correta. Com sentido de existir, “haver” é impessoal e fica no singular.
- ❌ E) As flores murcharam por falta de água. A frase está correta: o verbo “murcharam” concorda com o sujeito “as flores”.
2. Qual opção apresenta um erro de colocação pronominal?
- ❌ A) Ele me viu na escola. A próclise está adequada nessa frase; não há palavra que torne incorreta a posição do pronome.
- ❌ B) Contaram-me a verdade. A ênclise está adequada. A alternativa funciona como distrator porque pode parecer incorreta a quem generaliza a próclise, mas o erro está em outra opção.
- ❌ C) Nós nos encontramos no café. A colocação está adequada; o pronome “nos” retoma o sujeito “nós”.
- ✅ D) Não vi-o na festa. A palavra negativa “não” atrai o pronome para antes do verbo. A forma adequada é “Não o vi na festa”.
- ❌ E) Ela se machucou durante o jogo. A colocação está adequada; “se” retoma o sujeito “ela”.
3. Qual das opções abaixo é um período simples?
- ❌ A) O menino jogou bola e a menina correu. É período composto: há duas orações, com os verbos “jogou” e “correu”.
- ✅ B) Os alunos visitaram o museu de ciências. É período simples, pois apresenta uma oração organizada em torno do verbo “visitaram”.
- ❌ C) Ele gosta de estudar, mas ela prefere brincar. Há duas orações, organizadas em torno de “gosta” e “prefere”; por isso, é período composto.
- ❌ D) A casa é bonita, e o jardim é grande. Há duas orações: “A casa é bonita” e “o jardim é grande”.
- ❌ E) Quando a chuva parou, as crianças saíram para brincar. A frase apresenta mais de uma oração, com os verbos “parou”, “saíram” e “brincar”.
4. Qual das frases a seguir apresenta um erro de concordância verbal?
- ❌ A) Faz tempo que não o vejo. A frase está correta: “fazer”, indicando tempo decorrido, fica no singular.
- ❌ B) Havia muitas pessoas na festa. A frase está correta. “Haver”, com sentido de existir, é impessoal e permanece no singular.
- ✅ C) Os alunos e a professora chegou cedo. A concordância está incorreta porque o sujeito é composto. O adequado é “Os alunos e a professora chegaram cedo”.
- ❌ D) Ela e eu gostamos de estudar. A frase está correta: “gostamos” concorda com o sujeito composto.
- ❌ E) A criança e o cachorro brincam no parque. A frase está correta; o sujeito composto pede o verbo no plural, como em “brincam”.
5. Na frase “O cachorro latiu alto”, qual é o predicado?
- ❌ A) O cachorro. Esse trecho é o sujeito da oração, não o predicado.
- ❌ B) Latiu. É o verbo e faz parte do predicado, mas não corresponde ao predicado completo da frase.
- ✅ C) Latiu alto. É o predicado: informa a ação atribuída ao sujeito e inclui o verbo e o termo que o acompanha.
- ❌ D) O alto. Esse trecho não constitui o predicado da frase; a expressão não apresenta a ação atribuída ao sujeito.
- ❌ E) Cachorro latiu. A opção inclui parte do sujeito e o verbo, mas não delimita corretamente o predicado completo, que é “latiu alto”.
6. Qual das frases abaixo apresenta um erro de uso de tempos verbais?
- ❌ A) Quando eu cheguei, ele já tinha ido embora. A combinação situa a partida antes de outra ação passada e está adequada.
- ❌ B) Eu vou ao cinema amanhã. O marcador “amanhã” combina com a referência a uma ação futura; a frase está adequada.
- ❌ C) Ela disse que tinha visto o filme. A forma “tinha visto” está adequada para indicar uma ação anterior ao ato de dizer.
- ❌ D) Se eu soubesse disso, eu não comeria. A construção está adequada: “soubesse” e “comeria” formam uma relação condicional compatível.
- ✅ E) Ontem, ele conta a história. O marcador “ontem” situa a ação no passado, mas “conta” está no presente. Para manter a concordância temporal, o adequado é “Ontem, ele contou a história”.
7. Em uma cidade brasileira, estudantes produziram uma série de podcasts sobre a instalação de um novo terminal de ônibus. Nos episódios, moradores com opiniões diferentes apresentaram argumentos, responderam a perguntas do público e indicaram as fontes dos dados utilizados. Após a divulgação dos programas, o número de participantes na audiência pública da Câmara Municipal aumentou, e os vereadores passaram a discutir propostas apresentadas pelos moradores. Com base no texto, como a oralidade influenciou a formação da opinião pública sobre a instalação do terminal de ônibus?
- ❌ A) Substituiu informações verificáveis por opiniões individuais sobre a medida. O texto informa que as fontes dos dados foram indicadas; não houve substituição das informações verificáveis por opiniões sem apoio.
- ❌ B) Impossibilitou divergências ao divulgar apenas uma posição sobre a medida. O texto relata a participação de moradores com opiniões diferentes, portanto não houve divulgação de uma única posição.
- ❌ C) Eliminou a necessidade de participação presencial nas decisões públicas. O texto informa que a participação na audiência pública aumentou. Os podcasts não eliminaram essa participação.
- ✅ D) Ampliou a circulação de argumentos e favoreceu o debate público sobre a medida. Os podcasts divulgaram diferentes posições, abriram espaço para perguntas e contribuíram para a participação na audiência e a discussão de propostas.
- ❌ E) Transferiu aos especialistas a decisão sobre a medida discutida. A situação destaca moradores e vereadores, não a transferência da decisão para especialistas.
8. Qual é a relação entre oralidade e argumentação em debates filosóficos?
- ❌ A) A oralidade não tem relação com a argumentação. A fala pode ser usada para apresentar, organizar e defender argumentos; por isso, as duas estão relacionadas.
- ✅ B) A oralidade é essencial para a apresentação e defesa de argumentos. Em debates, a fala permite expor pontos de vista e sustentar razões diante de outras pessoas.
- ❌ C) A argumentação deve ser sempre escrita. Argumentar não é exclusivo da escrita: também é possível apresentar e defender ideias oralmente.
- ❌ D) A oralidade confunde os argumentos apresentados. A fala pode tornar argumentos compreensíveis e organizá-los; não os confunde necessariamente.
- ❌ E) A oralidade apenas serve para divertir os ouvintes. A oralidade também cumpre funções argumentativas, informativas e de participação social.
Fechamento: transforme a revisão em atividade
Você pode aplicar as questões como diagnóstico, tarefa de revisão ou ponto de partida para uma correção dialogada. Para aprofundar os recortes da sequência, consulte também as questões da habilidade EM13LP08, as questões da habilidade EM13LGG202 e as questões da habilidade EM13LP16. Se quiser montar uma avaliação com outros itens e ajustar a seleção ao objetivo da aula, acesse o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.
Use este material como apoio e adapte a sequência ao que sua turma precisa retomar. As questões podem ser reorganizadas ou combinadas com outros exercícios para compor uma revisão mais próxima dos objetivos da sua aula.
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