Atividades de Estrangeirismos e adequação para a 3ª série do Ensino Médio com gabarito
Atividades de Língua Portuguesa sobre estrangeirismos e adequação linguística para a 3ª série do Ensino Médio. Questões com gabarito comentado para trabalhar registros e escolhas de linguagem conforme o contexto.
Estrangeirismos são palavras ou expressões provenientes de outras línguas, e seu uso deve ser avaliado conforme o contexto, o público e a finalidade da comunicação. Na 3ª série do Ensino Médio, estudar adequação linguística também envolve reconhecer diferenças entre registros formais e informais, identificar marcas de cada gênero e escolher formas de expressão claras e apropriadas à situação.
Quando trabalho estrangeirismos e adequação linguística com a 3ª série do Ensino Médio, procuro partir de situações que os estudantes reconheçam: uma mensagem em aplicativo, um e-mail de trabalho ou uma solicitação dirigida a uma instituição. Isso ajuda a mostrar que escolher palavras não é apenas uma questão de certo ou errado fora de contexto. É preciso considerar quem fala, para quem, com qual finalidade e por qual canal. Um termo estrangeiro, como “ASAP”, pode aparecer em certos ambientes, mas não ser a escolha mais clara ou apropriada para todos os destinatários.
Nas atividades a seguir, o foco recai principalmente sobre a adequação do registro: distinguir marcas informais e formais e avaliar se o tom atende ao interlocutor e ao gênero. Esse trabalho também permite discutir estrangeirismos sem tratar toda palavra de outra língua como inadequada. O ponto é analisar o efeito da escolha e se ela favorece a comunicação naquela situação.
O que o aluno de 3ª série precisa saber sobre Estrangeirismos / adequação
Na 3ª série, o estudante precisa compreender que a língua varia de acordo com a situação comunicativa e que adequar a linguagem envolve considerar interlocutor, finalidade, canal e gênero textual. Em uma mensagem informal entre vizinhos, expressões coloquiais podem construir proximidade; já em um e-mail institucional, espera-se um tom respeitoso, claro e compatível com a comunicação pública ou profissional. Isso não significa que exista uma única forma de falar correta em qualquer contexto: significa avaliar os efeitos das escolhas. Ao abordar estrangeirismos, vale observar o sentido, a familiaridade do destinatário com o termo e a possibilidade de uma alternativa em português mais clara. “ASAP”, por exemplo, aparece em uma das questões como anglicismo usado numa mensagem corporativa, mas o problema apontado é sua inadequação naquele e-mail formal, não a existência de palavras estrangeiras em si. O aluno deve justificar a escolha com marcas do texto, sem confundir objetividade, formalidade e excesso de burocratês.
O que ele precisa saber antes
As questões pressupõem que a turma consiga reconhecer variedades e registros linguísticos, identificar quem participa da comunicação e inferir a finalidade de uma mensagem. Também é importante que os estudantes conheçam marcas frequentes de formalidade e informalidade, como vocativos, saudações, gírias, abreviações e expressões coloquiais. Não é necessário exigir uma lista rígida de palavras proibidas: uma mesma expressão pode funcionar em uma conversa próxima e destoar em um pedido oficial.
Antes de aplicar a atividade, retomo a diferença entre o conteúdo comunicado e a forma de comunicá-lo. Data, horário e local são informações importantes, mas, isoladamente, não demonstram registro formal. Já um tratamento respeitoso, uma formulação clara e um tom adequado ajudam a caracterizar a relação com o destinatário. Esse cuidado prepara a turma para justificar as respostas com evidências linguísticas.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente indicado pelas questões é escolher a alternativa que apresenta as informações necessárias sem avaliar o tom. Na questão sobre a resposta a um cliente, por exemplo, algumas versões informam duração e preço, mas usam expressões como “É isso aí!” ou “rola”. O distrator mais provável é a versão objetiva que termina com uma expressão coloquial: o estudante percebe os dados corretos e pode deixar de considerar o gênero formal.
Também pode haver confusão entre informação objetiva e marca de formalidade. Saber a data e o local de uma assembleia não torna, por si só, a mensagem formal. Em outra direção, existe o risco de associar formalidade a frases rebuscadas ou burocráticas. A resposta oficial mais adequada precisa respeitar o cidadão e explicar a providência com clareza; termos administrativos pouco transparentes não melhoram a comunicação. Por fim, cordialidade não equivale sempre a adequação: “dar uma força” pode soar amigável, mas não corresponde necessariamente ao tom esperado em um convite formal ao prefeito. Ao discutir estrangeirismos, vale a mesma atenção ao contexto: a presença de um termo em inglês não é a única questão; é preciso avaliar se ele é compreensível e apropriado ao público e ao gênero.
Como trabalhar em sala
- Compare pares de mensagens: apresente uma conversa de aplicativo e um e-mail institucional sobre o mesmo assunto. Peça que a turma marque as expressões que mudam o tom e explique o efeito delas.
- Faça uma revisão de destinatário: proponha um recado curto e convide os estudantes a reescrevê-lo para públicos diferentes, como um colega, uma associação ou um órgão público. Depois, compare as escolhas sem tratar a versão informal como inferior.
- Analise estrangeirismos em contexto: use termos conhecidos de mensagens e ambientes digitais, como “ASAP”, e pergunte se o destinatário entenderia a expressão. Convide a turma a propor uma alternativa em português e avaliar qual opção atende melhor à situação.
- Peça justificativas com evidências: em vez de aceitar apenas a letra, solicite que os estudantes apontem a palavra, a saudação ou a construção que sustenta a resposta. Isso ajuda a separar impressão pessoal de análise textual.
- Monte um checklist coletivo: registrem no quadro perguntas simples: quem recebe a mensagem? Qual é o objetivo? Qual é o canal? O tom está claro e respeitoso? A escolha lexical pode ser compreendida? A turma pode usar o roteiro na revisão de textos próprios.
Questões prontas de Estrangeirismos / adequação para a 3ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
1. Qual resposta é adequada ao cliente que pede informações sobre um curso de redação?
Analise as versões e identifique a que emprega registro e estilo adequados a uma mensagem formal ao cliente.
- ❌ A) Versão 1. “Muito boa tarde, cliente!” e “super legal” têm tom promocional e informal, inadequado à comunicação profissional proposta.
- ✅ B) Versão 2. “Prezado cliente”, a formulação cortês e as informações organizadas compõem uma resposta clara e formal.
- ❌ C) Versão 5. Embora apresente duração e valor, “É isso aí!” quebra o registro formal.
- ❌ D) Versão 4. A expressão “rola” e a saudação “E aí, pessoal!” são coloquiais, não formais.
- ❌ E) Versão 3. “E aí” e “chama lá” são marcas de descontração incompatíveis com a mensagem formal solicitada.
Gabarito: B. A resposta adequada não depende apenas de incluir os dados pedidos; também precisa considerar o destinatário e o gênero da mensagem.
2. Qual trecho evidencia o registro formal no e-mail da associação de moradores?
Compare a mensagem de WhatsApp da vizinhança com o e-mail institucional de convocação da assembleia.
- ✅ A) A saudação aos associados e a formulação institucional da convocação. O tratamento dirigido aos associados e o tom de convocação são marcas compatíveis com o público institucional.
- ❌ B) “em 10/09, às 19h, no salão social”. O trecho informa data, horário e local; esses dados não demonstram formalidade por si só.
- ❌ C) “??”. Os sinais aparecem na mensagem de WhatsApp e não caracterizam registro formal institucional.
- ❌ D) “Gente, bora marcar nossa reunião no salão?”. “Gente” e “bora” são escolhas coloquiais próprias da mensagem informal.
- ❌ E) “leve um lanche pra dividir!”. O convite pertence à conversa entre vizinhos e usa linguagem informal.
Gabarito: A. A questão avalia marcas de registro, não a presença de informações práticas sobre o evento.
3. Qual opção é adequada para um e-mail corporativo dirigido a toda a equipe?
Considere o pedido de envio de um relatório e o grau de formalidade esperado em uma comunicação interna.
- ❌ A) “Senhores, sirvo-me do presente...” A construção é excessivamente rebuscada e impessoal para uma solicitação interna que pede clareza.
- ✅ B) “Prezados colegas, por gentileza enviem o relatório até amanhã...” A saudação respeitosa, o vocabulário claro e o tom conciliador são adequados.
- ❌ C) “Fala, pessoal! Precisamos do relatório ASAP. Valeu!” A saudação e “Valeu!” são informais; além disso, o anglicismo “ASAP” pode não ser claro ou apropriado a esse e-mail.
- ❌ D) “Às pessoas interessadas, recomenda-se...” A formulação é impessoal e vaga para uma mensagem dirigida à equipe.
- ❌ E) “Ei, equipe... manda hoje.” O tom é informal e a construção não mantém o grau de formalidade esperado.
Gabarito: B. A alternativa mostra que a adequação não exige linguagem rebuscada: clareza e respeito são centrais. O uso de “ASAP” também permite discutir um estrangeirismo dentro do contexto.
4. Que recurso demonstra adequação ao gênero de e-mail formal?
Na situação, uma moradora escreve informalmente em um aplicativo, enquanto outro morador envia uma solicitação formal à administração do condomínio.
- ❌ A) A referência temporal. Indicar quando ocorreu o problema situa o fato, mas não marca, por si só, formalidade.
- ❌ B) “gente” e “oi”. Essas expressões pertencem à mensagem de Débora no aplicativo, não ao e-mail formal de Gustavo.
- ✅ C) O vocativo “Prezado Sr. Silva,”. O tratamento respeitoso ao destinatário é uma marca adequada ao registro formal do e-mail.
- ❌ D) A referência ao público afetado. “Descanso coletivo” explica o alcance do problema, mas trata do conteúdo, não especificamente do estilo formal.
- ❌ E) A justificativa introduzida por “pois”. Ela explica o pedido, mas não é o recurso que caracteriza a formalidade.
Gabarito: C. É importante distinguir os elementos que contextualizam a solicitação das marcas linguísticas que ajustam o tratamento ao gênero e ao interlocutor.
5. Qual recomendação reproduz o registro adequado ao interlocutor idoso?
A bibliotecária usa gírias ao falar com um adolescente e adota um discurso mais polido ao se dirigir a um frequentador idoso. Escolha a recomendação compatível com esse segundo contexto.
- ❌ A) “Ei, se liga neste título, é top demais...” O tom juvenil e as expressões coloquiais não correspondem ao registro polido solicitado.
- ✅ B) “Recomendo a leitura desta obra, pois seus temas são tratados com profundidade.” A formulação é respeitosa, completa e formal, sem depender de palavras rebuscadas.
- ❌ C) “Sugiro esse livro, vai ser massa...” “Massa” e a referência a gírias atuais mantêm o tom coloquial.
- ❌ D) “Amigo, dá uma olhada...” O tratamento familiar e as expressões informais não atendem à formalidade apresentada.
- ❌ E) “Este compêndio apresenta terminologia especializada sem explicações.” O vocabulário técnico e a falta de explicação não tornam a fala mais adequada ao público geral.
Gabarito: B. Formalidade não significa usar termos difíceis. A escolha deve ser respeitosa e compreensível para o interlocutor.
6. Qual resposta oficial é adequada ao cidadão que relata buracos na rua?
A prefeitura precisa responder ao senhor Carvalho com respeito e informar uma providência de forma compreensível.
- ❌ A) “Sua reclamação é exagerada.” A resposta desqualifica o cidadão e adota tom desrespeitoso.
- ❌ B) “A demanda foi recepcionada e será objeto de tramitação intersetorial...” O burocratês dificulta a compreensão e não comunica diretamente a providência.
- ❌ C) “Senhor, toma ciência dos buracos.” A construção não mantém concordância adequada com o tratamento formal e soa pouco natural.
- ✅ D) “Prezado Sr. Carvalho, agradecemos seu contato. Registramos a situação e iniciaremos reparos nesta semana.” O texto respeita o cidadão e informa claramente a ação prevista.
- ❌ E) “Oi, tudo bem? Valeu pelo aviso! Vamos consertar rapidinho.” As expressões coloquiais são informais demais para a resposta oficial.
Gabarito: D. Uma resposta institucional pode ser formal sem ser obscura: tratamento respeitoso, informação direta e linguagem clara funcionam em conjunto.
7. Qual convite é adequado ao se dirigir ao prefeito?
Mariana precisa reformular o convite para apresentar as ações de reciclagem da escola, considerando o interlocutor e a formalidade da situação.
- ❌ A) “Excelentíssimo Senhor Prefeito João, vem sábado...” O tratamento cerimonioso não combina com o imperativo informal “vem”.
- ❌ B) “Caro prefeito João, cola na escola...” “Cola” e “a gente” são escolhas coloquiais.
- ❌ C) “Olá, Prefeito! Venha... dar uma força...” “Dar uma força” torna o convite informal para o grau de formalidade pedido.
- ❌ D) “Prefeito João, dá um pulo...” “Dá um pulo” é uma expressão coloquial, inadequada ao convite formal.
- ✅ E) “Senhor Prefeito João, compareça neste sábado à escola para verificar as ações de reciclagem implementadas.” O tratamento e o vocabulário são respeitosos e formais.
Gabarito: E. O estudante deve avaliar a frase inteira: um título formal não compensa uma expressão informal que destoa do restante.
8. Qual recurso caracteriza o registro formal no e-mail enviado ao prefeito?
Compare a mensagem informal no grupo de WhatsApp com a solicitação institucional sobre os danos na Rua das Flores.
- ❌ A) Uso de pronomes pessoais em segunda pessoa. O e-mail não se destaca pelo uso de “você” ou “tu”; o tratamento formal está em outra escolha.
- ❌ B) Ausência de emoticons. A ausência pode contribuir para um tom sério, mas não é, por si só, um recurso linguístico específico de formalidade.
- ❌ C) Emprego de voz passiva em “aguardo providências”. A frase está na voz ativa, e essa não é a marca apontada.
- ✅ D) Forma de tratamento “Ilmo. Sr. Prefeito Municipal”. O tratamento honorífico demonstra respeito e adequação ao destinatário institucional.
- ❌ E) Uso de “kkk”. A abreviação aparece no chat informal, não no e-mail formal.
Gabarito: D. A comparação ajuda a reconhecer que a escolha do tratamento depende do interlocutor e do gênero. A formalidade se evidencia por marcas do texto, não apenas pela ausência de elementos informais.
Fechamento: transforme a análise em prática
Depois da correção, proponha que a turma escolha uma mensagem e explique como a reescreveria para outro público, justificando cada mudança. Para ampliar o trabalho, consulte as questões da habilidade EM13LGG402 e organize outras atividades conforme o objetivo da aula. Você também pode experimentar o gerador de provas do GeraProva e fazer o cadastro grátis para preparar avaliações.
Use as questões como ponto de partida e adapte os exemplos ao contexto da sua turma. A proposta é apoiar seu planejamento; a seleção e a aplicação das atividades ficam sempre a seu critério.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Estrangeirismos / adequação, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
