Atividades de Dilemas Éticos da Tecnologia e Vida (Clonagem, IA) para a 3ª série do Ensino Médio com gabarito
Reuni questões de Filosofia para trabalhar ética, inteligência artificial, clonagem, identidade e preconceito na 3ª série do Ensino Médio. Veja alternativas comentadas e propostas práticas para organizar a discussão em sala.
Na 3ª série, gosto de tratar os dilemas éticos da tecnologia a partir de situações concretas: uma ferramenta de IA que seleciona currículos ou a possibilidade de clonar seres humanos. Esses casos ajudam a turma a separar o que a tecnologia consegue fazer daquilo que devemos considerar justo, digno ou desejável. Também aproveito para retomar preconceito, tolerância e respeito, porque decisões tecnológicas e debates públicos não acontecem fora das relações sociais.
As questões reunidas aqui percorrem esses assuntos e incluem situações sobre discriminação linguística, credibilidade em debates e igualdade religiosa. Elas não são todas sobre clonagem ou IA; ajudam, porém, a praticar a leitura de casos e a análise ética que também são necessárias para discutir tecnologia. Uso o gabarito comentado para pedir que os estudantes justifiquem suas escolhas com elementos do texto.
O que o aluno de 3ª série precisa saber sobre Dilemas Éticos da Tecnologia e Vida (Clonagem, IA)
Para discutir dilemas éticos da tecnologia, o estudante precisa distinguir uma possibilidade técnica de uma consequência comprovada e de um juízo moral. No caso da inteligência artificial, deve ler os dados apresentados sem tomar promessas de eficiência ou neutralidade como resultados: um sistema pode reproduzir padrões discriminatórios dos dados usados em seu treinamento. Na clonagem, é importante diferenciar semelhança genética de identidade pessoal. Compartilhar DNA não significa ter as mesmas memórias, relações, escolhas ou projetos, nem elimina a mortalidade. A reflexão filosófica também exige considerar dignidade, igualdade, preconceito e tolerância, pois tecnologias e decisões institucionais podem afetar pessoas de modo desigual. Ao analisar cada situação, a turma deve localizar o que o texto afirma, separar evidência de expectativa e reconhecer qual conceito ético está em jogo, sem confundir teorias filosóficas distintas ou reduzir a avaliação a uma opinião sem justificativa.
O que ele precisa saber antes
Antes das atividades, vale verificar se a turma compreende o conceito de preconceito e reconhece a diversidade cultural e linguística. Para os textos sobre debates públicos, são úteis interpretação de texto, argumentação e crítica social: uma opinião não se torna argumento válido apenas por ser apresentada com segurança, e a origem social de quem fala não deve funcionar como critério automático de credibilidade. A discussão sobre tolerância pede noções de direitos humanos e dos princípios de tolerância religiosa associados a Locke. Já a questão sobre solidariedade mobiliza princípios éticos básicos, teorias clássicas e, em particular, a ideia kantiana de tratar cada pessoa como fim. Para as questões diretamente ligadas ao tema, retome noções básicas de inteligência artificial, seleção de emprego, clonagem, identidade pessoal e ética. Não é necessário antecipar todas as respostas: um diagnóstico breve ajuda a decidir quais conceitos precisam de revisão antes da atividade.
Onde os alunos mais erram
Nas questões sobre preconceito, um erro possível é confundir discriminação linguística com outros tipos de preconceito ou reduzir a fala de Lucas a uma simples preferência estética. O detalhe decisivo é a associação entre a variedade de Ana e uma suposta falta de educação, acompanhada da exigência de que ela fale como o grupo. Na situação da audiência pública, a dificuldade é perceber o preconceito implícito que desautoriza moradores por sua origem social. Trocar a reunião por uma enquete ou exigir linguagem técnica não corrige essa hierarquia; pode mantê-la.
Também é comum não perceber que um elogio pode carregar um estereótipo, como na fala sobre Carlos “para alguém que cresceu na periferia”. Na questão kantiana, o distrator mais provável aproxima o caso do cálculo utilitarista do maior bem-estar, mas o foco é o respeito à dignidade de cada pessoa. Já no caso da IA, a empresa esperava reduzir tempo e custos, mas o texto não comprova essas vantagens: o dado observado é a maior eliminação de mulheres qualificadas. Nas questões sobre clonagem, o equívoco central é reduzir a identidade ao DNA ou imaginar que a técnica supera a morte. Peço que os estudantes indiquem a frase ou informação do enunciado que sustenta cada conclusão.
Como trabalhar em sala
- Comece com leitura individual: peça que cada estudante sublinhe no enunciado os fatos observados e circule expectativas, opiniões ou interpretações. Na questão da IA, por exemplo, a distinção entre expectativa empresarial e resultado da auditoria organiza a análise.
- Faça uma justificativa curta antes do gabarito: cada estudante registra a alternativa escolhida e uma evidência textual. Depois, em duplas, comparam os motivos. Assim, a conversa se concentra no raciocínio, não apenas na letra marcada.
- Organize um debate com regras de escuta: use a situação da audiência pública para discutir como relatos e dados podem ser considerados sem desvalorizar alguém por sua origem social. Combine que toda crítica deve responder às razões apresentadas, em vez de atacar quem fala.
- Compare identidade genética e pessoal: no quadro, faça duas colunas e peça que a turma classifique elementos mencionados no texto, como DNA, memórias, relações, escolhas e projetos. A atividade ajuda a visualizar a distinção sem afirmar que um fator elimina o outro.
- Feche com revisão de conceitos: proponha que os estudantes agrupem as questões por ideia ética — igualdade, tolerância, dignidade, preconceito, identidade ou consequências da IA — e expliquem em uma frase por que cada questão pertence ao grupo.
Questões prontas de Dilemas Éticos da Tecnologia e Vida (Clonagem, IA) para a 3ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
As cinco primeiras questões ampliam o treino de análise ética para situações de preconceito e convivência. As três últimas abordam diretamente IA e clonagem. Em todas, peça que a turma justifique a resposta usando o texto, e não apenas a lembrança de um conceito.
Questão 1 — Variedade linguística e discriminação
Na filosofia da linguagem, uma diferença no modo de falar não constitui, por si só, erro ou inferioridade. Ela pode expressar história, região e vínculos sociais. Em uma apresentação, Lucas diz que o jeito de falar de Ana é errado, demonstra falta de educação e deveria ser substituído pelo modo de falar do grupo. Ana usa marcas regionais sem comprometer a compreensão. Qual prática discriminatória aparece no caso?
- ❌ A) Defesa relativista de que todos os costumes possuem igual valor. O caso não trata de uma defesa relativista; mostra a imposição de um padrão sobre outro.
- ❌ B) Preferência estética por um modo de falar mais agradável. Essa leitura ignora que Lucas associa a fala de Ana à falta de educação e quer que ela a abandone.
- ✅ C) Discriminação linguística, que transforma uma variedade de fala em sinal de inferioridade de seus falantes. A fala de Lucas hierarquiza variedades e desvaloriza Ana por sua forma de expressão.
- ❌ D) Censura política de uma opinião em espaço público. Não há proibição de opinião política; o julgamento recai sobre a variedade linguística de Ana.
- ❌ E) Divergência ética sobre o dever de respeitar costumes. O respeito é pertinente, mas a alternativa não nomeia a discriminação linguística descrita.
Gabarito comentado: C. O dado decisivo é a tentativa de apresentar uma variedade como superior e seus falantes como inferiores.
Questão 2 — Credibilidade em uma audiência pública
Moradores levam fotos, horários e relatos sobre problemas ligados a uma estação de transbordo. Um representante da empresa chama a discussão de emocional; no resumo oficial, os moradores aparecem como fonte de “impressões” e a empresa como fonte de “evidências”. Alguns dizem que pessoas sem estudo não sabem argumentar. Qual regra para a próxima audiência critica melhor a desvalorização de certos depoimentos?
- ❌ A) Substituir falas por enquetes on-line, pois a maioria numérica evita conflitos. Mudar o formato não enfrenta o viés que desqualifica certos grupos como fontes de saber.
- ✅ B) Garantir igual credibilidade inicial às falas e exigir justificativas para desconfiar de alguém por sua origem social. A regra combate a hierarquia prévia e permite avaliar as razões apresentadas.
- ❌ C) Manter a palavra final com especialistas, pois decisões técnicas não devem receber relatos pessoais. Isso transforma diferenças de saber em exclusão política e mantém a desigualdade de voz.
- ❌ D) Restringir o microfone a representantes cadastrados. Uma barreira formal pode reforçar desigualdades de acesso e não corrige o preconceito de credibilidade.
- ❌ E) Exigir linguagem técnica padronizada dos moradores. Essa exigência responsabiliza quem já foi desautorizado e mantém uma única forma de expressão como medida de racionalidade.
Gabarito comentado: B. A proposta não obriga a aceitar todo depoimento como verdadeiro; impede que a origem social seja motivo automático para desacreditar quem fala.
Questão 3 — Tolerância religiosa e igualdade
Em uma unidade pública de saúde, uma recepcionista praticante do candomblé recebe ordem para retirar o turbante, sob a justificativa de neutralidade. Outros profissionais usam crucifixos e medalhas sem advertência. A comissão verifica que o turbante não compromete identificação, higiene ou segurança e que a restrição não consta do regulamento. À luz da defesa lockeana da tolerância religiosa, qual conduta enfrenta a desigualdade?
- ❌ A) Manter a restrição para impedir interferências religiosas no serviço. Isso confunde igualdade com proibição seletiva e ignora que outros símbolos são permitidos.
- ❌ B) Permitir apenas símbolos da religião da maioria. A preferência numérica não é critério justo para definir direitos.
- ❌ C) Transferir a recepcionista para uma função sem contato com usuários. A medida impõe à servidora o ônus do preconceito alheio.
- ❌ D) Submeter cada manifestação religiosa à aprovação prévia dos usuários. Isso subordina a liberdade individual à aceitação circunstancial de terceiros.
- ✅ E) Revogar a restrição e aplicar critérios de segurança igualmente a todas as manifestações religiosas. Sem dano ou risco comprovado, a regra desigual deve cessar.
Gabarito comentado: E. A neutralidade exige critérios coerentes, não uma restrição dirigida a uma religião enquanto outras manifestações são toleradas.
Questão 4 — Preconceito implícito em um elogio
Em um congresso de tecnologia, Júlia diz a Carlos, programador: “Você realmente se expressa muito bem para alguém que cresceu na periferia”. Antes, outras pessoas haviam elogiado as ideias dele sobre ética em inteligência artificial, sem mencionar sua origem. Que manifestação de preconceito implícito aparece no comentário?
- ❌ A) Desconsiderar a trajetória do colega por valorizar apenas o nível acadêmico. Júlia não ignora a trajetória; relaciona a origem periférica à surpresa com a competência.
- ✅ B) Manifestar surpresa pela habilidade de comunicação de Carlos associando-a à sua origem periférica. O elogio pressupõe, ainda que de forma implícita, uma expectativa inferior baseada na origem social.
- ❌ C) Usar expressões neutras que reafirmam equidade entre participantes. A fala não é neutra: vincula a habilidade à origem de Carlos.
- ❌ D) Generalizar que todas as pessoas da periferia possuem grande habilidade linguística. O comentário trata da surpresa diante de um indivíduo, não de uma generalização positiva sobre todo o grupo.
- ❌ E) Reconhecer injustiças sociais sem vincular mérito individual a características pessoais. Júlia vincula explicitamente a competência de Carlos à origem social.
Gabarito comentado: B. O tom de elogio não apaga o estereótipo: o comentário apresenta a boa comunicação como algo inesperado para alguém da periferia.
Questão 5 — Solidariedade e dignidade humana
Em um festival cultural promovido por moradores de periferia, voluntários distribuem refeições gratuitas. Grupos identificados como visitantes de bairros mais distantes recebem, sem critério explícito, menos tickets de alimentação que moradores locais. Como essa prática viola o princípio ético kantiano?
- ❌ A) Falha em promover o maior bem-estar para o maior número. Essa formulação remete ao utilitarismo, não ao princípio kantiano da dignidade.
- ❌ B) Violação da vontade de poder de Nietzsche. A alternativa desloca a análise para outra teoria filosófica.
- ❌ C) Incorreção na virtude aristotélica da generosidade. A questão não pergunta pela medida da virtude, mas pelo respeito kantiano às pessoas.
- ❌ D) Desrespeito ao princípio rawlsiano da diferença. Essa é uma referência a outra teoria de justiça, não ao imperativo categórico apresentado.
- ✅ E) Tratamento de pessoas como meios para fins externos, sem respeito à dignidade de cada indivíduo. A distribuição desigual e sem critério trata parte dos participantes sem considerar igualmente cada pessoa como um fim.
Gabarito comentado: E. A resposta aplica a ideia kantiana de respeito à dignidade, em vez de confundir Kant com utilitarismo, Nietzsche, Aristóteles ou Rawls.
Questão 6 — IA na seleção de currículos
Uma empresa adota IA para selecionar currículos, esperando reduzir tempo e custos e tratar candidatos com neutralidade. Uma auditoria identifica que, entre pessoas com qualificações equivalentes, 62% das candidatas mulheres foram eliminadas na primeira etapa, contra 35% dos candidatos homens. O relatório aponta padrões dos dados históricos usados no treinamento e não encontra evidências para avaliar mudanças de tempo ou custo. Qual consequência foi efetivamente observada?
- ✅ A) Maior rejeição de mulheres qualificadas na triagem inicial. A auditoria constatou uma diferença de eliminação entre pessoas com qualificações equivalentes.
- ❌ B) Redução do tempo gasto na triagem. Era uma expectativa da empresa; o relatório não encontrou evidências para avaliá-la.
- ❌ C) Diminuição dos custos do processo seletivo. Também era uma expectativa sem comprovação no texto.
- ❌ D) Tratamento neutro dos candidatos. A diferença observada entre mulheres e homens contradiz a promessa de neutralidade.
- ❌ E) Aumento da diversidade entre os selecionados. A eliminação proporcionalmente maior de mulheres não sustenta essa conclusão.
Gabarito comentado: A. A leitura exige distinguir a promessa empresarial do resultado da auditoria. A consequência observada é a reprodução de desigualdade de gênero na triagem.
Questão 7 — Clonagem, identidade e mortalidade
Em um debate sobre clonagem humana, uma pesquisadora afirma que um clone poderia compartilhar material genético com outra pessoa, mas não teria necessariamente as mesmas experiências, escolhas e relações sociais. A clonagem não eliminaria a morte nem produziria uma repetição integral de alguém. Qual impacto filosófico sobre vida e morte é apresentado de modo mais adequado?
- ✅ A) Distinção entre identidade genética e mortalidade individual. Reproduzir material genético não reproduz uma vida inteira nem elimina a mortalidade.
- ❌ B) Redução da pessoa ao material genético. O texto afirma que experiências, escolhas e relações também participam da constituição da pessoa.
- ❌ C) Superação da morte pela intervenção técnica. A pesquisadora diz expressamente que a clonagem não eliminaria a morte.
- ❌ D) Substituição da reflexão ética pelo avanço científico. O caso é apresentado justamente como motivo para ampliar a discussão filosófica e social.
- ❌ E) Reforço da sacralidade da vida humana. O enunciado não apresenta uma conclusão religiosa; discute identidade e mortalidade.
Gabarito comentado: A. O texto diferencia identidade genética, identidade pessoal e mortalidade. Ter o mesmo material genético não significa repetir uma pessoa.
Questão 8 — Clonagem e identidade pessoal
Em um debate sobre clonagem humana, uma pesquisadora afirma que um clone poderia compartilhar a sequência de DNA de outra pessoa e, ainda assim, desenvolver memórias, relações sociais, escolhas e projetos próprios. Segundo ela, identidade também depende da história de vida e da autorrelação. Qual conclusão é adequada?
- ❌ A) Redução da identidade pessoal à identidade genética compartilhada. Isso é reducionismo biológico e contraria a importância atribuída à história de vida.
- ❌ B) Determinação da identidade pessoal pela origem familiar compartilhada. A origem não explica sozinha relações, escolhas e experiências próprias.
- ❌ C) Eliminação da individualidade pelas semelhanças corporais herdadas. O texto aponta que trajetórias e projetos próprios permitem individualidade.
- ✅ D) Distinção entre identidade genética e identidade pessoal. O DNA pode ser compartilhado sem que duas pessoas tenham as mesmas memórias, relações, escolhas e projetos.
- ❌ E) Preservação da identidade pessoal pelas características biológicas herdadas. O texto separa os elementos biológicos da construção histórica e subjetiva da identidade.
Gabarito comentado: D. A questão retoma a diferença entre compartilhar características genéticas e ter uma identidade pessoal idêntica. A história e as relações também importam.
Próximos passos para a aula
Depois da correção, peça que os estudantes classifiquem as questões por habilidade e escrevam uma justificativa baseada em evidências do texto. Você também pode explorar outras questões da habilidade EM13CHS502, questões da habilidade EM13CHS202 e questões da habilidade EM13CHS504. Para montar uma avaliação com itens adequados ao seu planejamento, acesse o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.
Adapte a seleção e o tempo de discussão à realidade da sua turma: as questões servem como ponto de partida, e a conversa filosófica ganha força quando os estudantes justificam suas leituras com cuidado.
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