Uma oficina de bicicletas recuperou uma faixa de terreno ao lado do galpão, plantando espécies nativas e…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Discutir a importância da preservação e conservação da biodiversidade, considerando parâmetros qualitativos e quantitativos, e avaliar os efeitos da ação humana e das políticas ambientais para a garantia da sustentabilidade do planeta.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Uma oficina de bicicletas recuperou uma faixa de terreno ao lado do galpão, plantando espécies nativas e monitorando a vegetação e os polinizadores antes e dois anos depois. Na mesma área amostrada, os registros foram: antes, 12 espécies de plantas, das quais 10 nativas, e 5 espécies de polinizadores nativos especialistas; depois, 18 espécies de plantas, das quais 9 nativas, e 2 espécies de polinizadores nativos especialistas. A cobertura de plantas exóticas invasoras passou de 10% para 45%. A equipe atribuiu as mudanças ao período de recuperação, mas não comparou a área com um local sem intervenção. A proprietária afirma que o aumento do número total de espécies de plantas demonstra, por si só, uma melhora da conservação da biodiversidade local. Considerando os dados e os limites do monitoramento descrito, como essa afirmação deve ser avaliada?
- A) A afirmação é adequada porque o total de espécies de plantas aumentou e a chegada de espécies invasoras também amplia a riqueza local; a redução de espécies nativas e de polinizadores especialistas indica uma alteração na comunidade, mas não invalida o aumento da biodiversidade registrado.
- B) O aumento do número total de espécies de plantas demonstra uma melhora da conservação, pois a riqueza cresceu e ainda há espécies nativas e polinizadores na área; a expansão das invasoras representa uma mudança na composição, sem anular o ganho de biodiversidade.
- C) O total de espécies de plantas aumentou, mas a redução de espécies nativas e de polinizadores especialistas, junto à expansão de invasoras, não sustenta uma melhora da biodiversidade; sem uma área de comparação, também não se pode atribuir as mudanças à intervenção.
- D) A afirmação de melhora não se sustenta, pois diminuíram as espécies nativas e os polinizadores especialistas e aumentaram as invasoras; como essas mudanças ocorreram durante a recuperação, os dados indicam que a intervenção foi a causa da piora observada na biodiversidade local.
- E) Os dados não permitem avaliar se houve melhora da biodiversidade local, pois a área não foi comparada com um local sem intervenção; as diferenças entre os registros de antes e depois descrevem a vegetação e os polinizadores, mas não oferecem base para uma conclusão sobre a conservação.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Analisar os dados de plantas. O total de espécies subiu de 12 para 18, mas o número de espécies nativas caiu de 10 para 9. Ou seja, o ganho de riqueza veio das espécies não nativas, que passaram de 2 para 9 (considerando que exóticas são o total menos nativas).
- Analisar os polinizadores. Os polinizadores nativos especialistas caíram de 5 para 2, uma redução de mais de 50%, o que indica perda de componentes sensíveis da comunidade.
- Analisar as invasoras. A cobertura de exóticas invasoras subiu de 10% para 45%, sinal de avanço de espécies que costumam competir com as nativas e reduzir a qualidade do habitat.
- Avaliar a afirmação. Biodiversidade não se resume ao número total de espécies: importa também a identidade, a origem e a função ecológica das espécies. Aqui, o aumento da riqueza total esconde perdas de nativas e de polinizadores especialistas, portanto não demonstra, por si só, melhora da conservação.
- Considerar o desenho do monitoramento. Como não houve comparação com um local sem intervenção, não é possível separar o efeito da recuperação de outras variações naturais ou externas. Logo, nem se pode atribuir as mudanças à intervenção.
- Conferir as alternativas. A alternativa C é a única que reconhece simultaneamente o aumento de riqueza total, a perda de nativas e especialistas, o avanço de invasoras e a limitação causal. A alternativa A está errada por considerar adequada a afirmação. A alternativa B está errada por tratar o aumento total como ganho de conservação. A alternativa D está errada por afirmar causalidade, algo que o desenho sem controle não permite. A alternativa E está errada por dizer que não há nenhuma base para conclusão, quando os dados permitem avaliar que a afirmação é insuficiente e que houve perdas relevantes.
💡 Dica: Verifique se os dados mostram uma comparação com grupo controle antes de atribuir causa à intervenção.
Alternativa por alternativa
Considera que o aumento do total de espécies basta para indicar biodiversidade maior, tratando invasoras como se fossem ganho equivalente às nativas e ignorando a queda de especialistas.
Acredita que a riqueza total crescente equivale a melhora da conservação e que a expansão de invasoras é apenas uma mudança de composição, sem custo para a biodiversidade.
Por que engana: Tomar o aumento do número total de espécies como prova de melhora, ignorando a composição e a ausência de controle.
A riqueza total de plantas não informa, sozinha, a composição nem a conservação de espécies nativas. Os demais indicadores apontam alterações desfavoráveis, e a ausência de uma área sem intervenção limita a conclusão sobre a causa dessas mudanças.
Entende que as mudanças ocorridas durante a recuperação provam que a intervenção causou a piora, sem perceber que a ausência de área de comparação impede essa atribuição causal.
Conclui que, sem grupo de controle, nada pode ser dito sobre a biodiversidade, ignorando que os registros de perda de nativas e especialistas já permitem avaliar a afirmação como insuficiente.
Raio-X da questão
Avaliação da conservação da biodiversidade (riqueza, nativas, especialistas, invasoras)
avaliacao
Diferença entre riqueza de espécies e conservação · Espécies nativas, exóticas e invasoras
Limites do delineamento sem controle
Tomar o aumento do número total de espécies como prova de melhora, ignorando a composição e a ausência de controle.
Educação ambiental
cientifico
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