Uma equipe de saúde pública avalia duas formas de organizar a distribuição de um aplicativo de monitoramento…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Uma equipe de saúde pública avalia duas formas de organizar a distribuição de um aplicativo de monitoramento de sintomas. A proposta A prevê adesão automática: em um teste simulado, permitiria identificar mais casos, mas incluiria pessoas sem consentimento explícito. A proposta B exige adesão voluntária e oferece menos dados para análise, mas preserva a decisão individual. A equipe sintetizou os efeitos estimados: | Proposta | Casos identificados | Pessoas incluídas sem consentimento explícito | Pessoas que podem recusar a participação | |---|---:|---:|---:| | A | 90 | 30 | 0 | | B | 70 | 0 | 30 | Na reunião, parte da equipe defende a proposta A pelo maior número de casos identificados; outra parte considera que os benefícios coletivos não autorizam desconsiderar a decisão das pessoas afetadas. Considerando os dados da tabela e o conflito entre ampliar os resultados coletivos e respeitar a autonomia individual, qual interpretação filosófica fundamenta melhor a defesa da proposta B?
- A) A proposta A é justificável porque, em uma emergência de saúde pública, o benefício para a coletividade torna dispensável obter a autorização de cada pessoa incluída.
- B) A proposta A é moralmente preferível porque identificar mais casos produz o maior benefício coletivo, que deve prevalecer sobre as escolhas individuais.
- C) A proposta B pode ser defendida porque a equipe tem o dever de proteger a saúde pública, mesmo que, para cumprir esse dever, precise decidir pelas pessoas afetadas.
- D) A decisão trata o consentimento como um limite moral: mesmo que a proposta A identifique mais casos, não se deve usar pessoas sem sua autorização apenas para ampliar o benefício coletivo.
- E) A proposta A pode ser considerada compatível com a autonomia se as pessoas puderem compreender que sua participação contribui para a saúde coletiva, mesmo sem autorizar expressamente a inclusão.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- A proposta A identifica mais casos (90), mas inclui 30 pessoas sem consentimento explícito e não permite recusa. A proposta B identifica menos casos (70), porém preserva a possibilidade de cada pessoa decidir participar.
- A alternativa D fundamenta a defesa de B ao tratar o consentimento como um limite moral: não se deve incluir pessoas sem autorização apenas para aumentar o benefício coletivo. Assim, reconhece o conflito entre resultados de saúde pública e autonomia individual.
- A está errada porque considera que a emergência dispensa a autorização; B prioriza os resultados coletivos sem respeitar as escolhas individuais; C afirma que a equipe pode decidir pelas pessoas, contrariando a autonomia; E confunde compreender a finalidade coletiva com consentir expressamente. O gabarito oficial D está de acordo com essa interpretação.
💡 Dica: Diferencie maximizar resultados coletivos de respeitar o consentimento e a autonomia das pessoas.
Alternativa por alternativa
Supõe que uma emergência torna dispensável o consentimento das pessoas incluídas, embora a questão destaque a autonomia como limite moral relevante.
Entende que maximizar o número de casos identificados deve prevalecer automaticamente sobre as escolhas individuais, ignorando o conflito ético apresentado.
Por que engana: Escolher a alternativa que maximiza casos identificados sem considerar a falta de consentimento.
Confunde o dever de proteger a saúde pública com autorização para decidir pelas pessoas afetadas, desconsiderando o consentimento voluntário.
A tabela mostra que a proposta A aumenta os casos identificados, mas inclui pessoas sem consentimento. A defesa da proposta B prioriza o respeito à autonomia e à dignidade, em vez de avaliar a ação apenas pela soma de seus resultados, o que é compatível com uma perspectiva deontológica kantiana.
Toma o conhecimento sobre a contribuição coletiva como equivalente à autorização explícita, embora compreender uma finalidade não signifique consentir com a inclusão.
Raio-X da questão
Autonomia individual como limite moral ao benefício coletivo.
avaliacao
Autonomia moral. · Distinção entre consequências coletivas e deveres éticos.
Ética do dever e consentimento informado.
Escolher a alternativa que maximiza casos identificados sem considerar a falta de consentimento.
Saúde; direitos humanos e cidadania.
Respeito às decisões e aos direitos das pessoas afetadas.
cientifico
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