Em uma conversa sobre atrasos em um aplicativo de entrega, duas pessoas comentam a mesma situação: o pedido…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar efeitos de sentido decorrentes de usos expressivos da linguagem, da escolha de determinadas palavras ou expressões e da ordenação, combinação e contraposição de palavras, dentre outros, para ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de uso crítico da língua.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma conversa sobre atrasos em um aplicativo de entrega, duas pessoas comentam a mesma situação: o pedido levou 12 minutos a mais do que o prazo informado. Uma escreve: “O aplicativo dormiu no ponto e deixou meu pedido esperando.” A outra publica: “Esperei mil anos por esse lanche.” Em um quadro comparativo, as duas falas aparecem lado a lado, acompanhadas do dado comum: atraso de 12 minutos. Considerando que as duas falas se referem ao mesmo atraso, qual comparação explica adequadamente as figuras de linguagem e os efeitos de sentido produzidos?
- A) Na primeira fala, a metáfora associa o aplicativo ao sono para criticar a demora; na segunda, a expressão descreve literalmente uma espera muito longa.
- B) Na primeira fala, a personificação apresenta o aplicativo como alguém que descansa, sugerindo uma pausa necessária; na segunda, o exagero manifesta irritação.
- C) Na primeira fala, o eufemismo ameniza a falha do aplicativo; na segunda, a hipérbole amplia a espera para expressar impaciência, sem sentido literal.
- D) Na primeira fala, a personificação atribui ao aplicativo uma ação humana para enfatizar sua falha; na segunda, a hipérbole exagera o tempo de espera para expressar impaciência, sem indicar uma duração literal.
- E) Nas duas falas, a hipérbole exagera o atraso para expressar impaciência, sem que as expressões indiquem situações literais.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- “O aplicativo dormiu no ponto” atribui ao aplicativo uma ação humana, dormir; isso é personificação e critica a demora, não sugere uma pausa necessária.
- “Esperei mil anos” exagera uma espera de 12 minutos; é hipérbole, usada para expressar impaciência, não uma indicação literal de duração.
- Portanto, a alternativa D identifica corretamente as duas figuras e seus efeitos. A está errada porque a primeira fala é personificação, e a segunda não descreve uma espera literalmente longa. B reconhece a personificação e o exagero, mas atribui à primeira fala a ideia de pausa necessária, que não está expressa. C erra ao classificar a primeira fala como eufemismo: ela critica a falha, não a ameniza. E classifica incorretamente a primeira fala como hipérbole; nela há atribuição de ação humana ao aplicativo.
💡 Dica: Compare cada expressão com o atraso real de 12 minutos e observe se atribui ação humana ou exagera o tempo.
Alternativa por alternativa
Confunde personificação com metáfora e interpreta “mil anos” literalmente, embora o dado comum informe um atraso de apenas 12 minutos.
Identifica a personificação e o exagero, mas entende que “dormiu no ponto” sugere uma pausa necessária; no contexto, a expressão critica a demora do aplicativo.
Toma a expressão “dormiu no ponto” como uma forma de amenizar a falha, quando ela atribui uma ação humana ao aplicativo e critica seu atraso.
A expressão “dormiu no ponto” apresenta o aplicativo como se pudesse dormir, enquanto “mil anos” aumenta intencionalmente a duração real de 12 minutos. Assim, cada figura produz um efeito distinto para criticar o atraso.
Percebe corretamente o exagero em “mil anos”, mas classifica também a primeira fala como hipérbole, ignorando que ela personifica o aplicativo.
Por que engana: Classificar “dormiu no ponto” como hipérbole e ignorar que “mil anos” não é literal.
Raio-X da questão
Personificação e hipérbole: efeitos de sentido
avaliacao
Reconhecimento de ações humanas atribuídas a objetos · Identificação de exagero e sentido figurado
Figuras de linguagem e sentido não literal
Classificar “dormiu no ponto” como hipérbole e ignorar que “mil anos” não é literal.
cotidiano
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