Em uma atividade de História, uma turma compara dois circuitos de circulação de mercadorias. No século XVIII…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e caracterizar as dinâmicas das populações, das mercadorias e do capital nos diversos continentes, com destaque para a mobilidade e a fixação de pessoas, grupos humanos e povos, em função de eventos naturais, políticos, econômicos, sociais, religiosos e culturais, de modo a compreender e posicionar-se criticamente em relação a esses processos e às possíveis relações entre eles.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma atividade de História, uma turma compara dois circuitos de circulação de mercadorias. No século XVIII, um produto colonial era transportado por rotas atlânticas submetidas a regras mercantilistas: a metrópole controlava o comércio e obtinha grande parte dos ganhos, enquanto a produção dependia do trabalho compulsório nas colônias. Hoje, um aparelho eletrônico pode reunir minerais extraídos em um continente, componentes fabricados em outros e montagem em um terceiro; empresas transnacionais coordenam essa cadeia, distribuindo etapas e decisões entre países, mas os lucros e o controle tecnológico permanecem concentrados em poucos grupos. Nos dois circuitos, há conexões entre continentes e desigualdade na apropriação dos ganhos; diferem, porém, as formas de organizar e controlar o comércio e a produção. Com base na comparação, qual interpretação identifica adequadamente uma permanência e uma mudança nas dinâmicas da globalização entre o Antigo Regime e o presente?
- A) Permanece o controle do comércio por monopólios metropolitanos, enquanto a produção deixa de depender do trabalho compulsório e passa a ser organizada por empresas transnacionais.
- B) Permanece a organização fragmentada da produção entre países, enquanto a concentração dos ganhos é substituída por uma distribuição equilibrada entre os participantes do comércio.
- C) Permanece a circulação intercontinental de mercadorias associada à concentração desigual dos ganhos, enquanto mudam os mecanismos de controle: do monopólio mercantil metropolitano e da produção colonial para cadeias transnacionais fragmentadas e coordenadas por empresas.
- D) No século XVIII, a circulação de mercadorias garantia ganhos distribuídos de modo equilibrado, enquanto, no presente, o comércio voltou a ser controlado por metrópoles que organizam diretamente a produção colonial.
- E) A circulação intercontinental de mercadorias surge apenas no presente, enquanto permanecem no comércio atual o controle direto das metrópoles e a produção baseada no trabalho compulsório colonial.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique o que a questão pede: uma permanência e uma mudança entre o circuito mercantilista do século XVIII e a cadeia produtiva atual, sem usar o gabarito para resolver.
- Analise o texto. Nos dois circuitos há conexões entre continentes (rotas atlânticas no passado; minerais, componentes e montagem em continentes diferentes hoje) e desigualdade na apropriação dos ganhos (a metrópole ficava com a maior parte; hoje os lucros permanecem concentrados em poucos grupos). Essa é a permanência.
- Identifique a mudança. No Antigo Regime, o comércio era controlado por monopólios metropolitanos e a produção dependia do trabalho compulsório nas colônias. No presente, a produção é fragmentada entre países e coordenada por empresas transnacionais, com trabalho que não é compulsório no sentido colonial. A mudança está nos mecanismos de controle e na forma de organizar a produção.
- Compare com as alternativas. A alternativa C reúne exatamente essa permanência (circulação intercontinental com concentração desigual dos ganhos) e essa mudança (de monopólio metropolitano e produção colonial para cadeias transnacionais coordenadas por empresas). Ela está correta.
- Por que as demais estão erradas. A: afirma que a produção colonial deixou de depender do trabalho compulsório, mas o texto não diz que o controle comercial permanece com monopólios metropolitanos; a permanência apontada está deslocada. B: afirma que a distribuição dos ganhos se tornou equilibrada, o que contraria o texto, que fala em lucros concentrados. D: inverte o quadro, dizendo que os ganhos eram equilibrados no século XVIII e que o comércio atual voltou a ser controlado por metrópoles, ambas afirmações incorretas. E: nega a circulação intercontinental no passado, o que contradiz as rotas atlânticas descritas no texto.
💡 Dica: Separe o que permanece - circulação intercontinental e concentração dos ganhos - do que muda nos mecanismos de controle e produção.
Alternativa por alternativa
O aluno percebe a mudança na produção, mas supõe que o controle do comércio por monopólios metropolitanos ainda existe hoje, ignorando que o texto descreve a coordenação por empresas transnacionais.
Por que engana: Confundir a permanência da concentração dos ganhos com a permanência do controle direto das metrópoles.
O aluno entende que a produção fragmentada entre países é a permanência, mas acredita que a distribuição dos ganhos ficou equilibrada, contrariando a informação de que os lucros seguem concentrados em poucos grupos.
O texto mostra que os dois circuitos conectam continentes e distribuem os ganhos de forma desigual. A diferença está na organização: no século XVIII, o controle era exercido pela metrópole por regras mercantilistas; hoje, as etapas e decisões são articuladas por empresas transnacionais.
O aluno inverte o sentido histórico, imaginando que o século XVIII teria ganhos equilibrados e que o presente retornou ao controle direto das metrópoles sobre a produção colonial, o que não aparece no texto.
O aluno acredita que a circulação intercontinental de mercadorias só começou no presente, desconsiderando as rotas atlânticas do Antigo Regime descritas no enunciado, e confunde a permanência com a continuidade do trabalho compulsório.
Raio-X da questão
Continuidades e mudanças na circulação global de mercadorias.
Identificar continui
Monopólio mercantil metropolitano e pacto colonial. · Empresas transnacionais e fragmentação internacional da produção.
Mercantilismo colonial e cadeias globais de produção.
Confundir a permanência da concentração dos ganhos com a permanência do controle direto das metrópoles.
Globalização e desigualdade econômica.
Comparação entre cir
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