Em uma cidade brasileira, entregadores por aplicativo relatam que podem decidir o horário em que “se conectam”…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma cidade brasileira, entregadores por aplicativo relatam que podem decidir o horário em que “se conectam” à plataforma, mas afirmam que, na prática, só conseguem renda suficiente quando aceitam longas jornadas, metas de entrega e oscilações no valor pago por corrida. Embora apareçam como “parceiros autônomos”, muitos dizem sentir que não controlam o próprio trabalho. Considerando a leitura de Alysson Mascaro sobre capitalismo, trabalho e liberdade formal, o que a situação descrita revela?
- A) A situação indica que o entregador vive uma autonomia real, pois pode organizar seu horário sem interferência direta, o que confirma a liberdade efetiva no trabalho.
- B) A situação comprova que o mercado digital assegura igualdade entre plataforma e trabalhador, pois ambos negociam em condições equivalentes e livres.
- C) A situação revela que a plataforma elimina a relação de exploração, já que o vínculo flexível substitui completamente as antigas formas de subordinação no trabalho.
- D) A situação mostra que a autonomia prometida pela plataforma é apenas formal, porque a liberdade de escolha do trabalhador ocorre sob dependência material e exploração próprias das relações capitalistas.
- E) A situação mostra que o problema principal está apenas na escolha individual do entregador, que aceita jornadas longas por vontade própria e não por imposições estruturais.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O enunciado descreve entregadores que podem escolher quando se conectar, mas que só obtêm renda suficiente aceitando longas jornadas, metas e oscilações de pagamento, e que se sentem sem controle real do próprio trabalho.
- A leitura de Alysson Mascaro distingue a liberdade formal (o direito de vender a própria força de trabalho, reconhecido juridicamente como ato de vontade e contrato entre iguais) da liberdade real, que depende de o trabalhador possuir meios próprios de existência. Quem não tem outros meios de sobrevivência é obrigado a vender sua força de trabalho nas condições que o mercado impõe.
- Aplicando ao caso, a 'autonomia' do entregador existe apenas no plano formal: a escolha de horário é real, mas a necessidade de renda o obriga a aceitar jornadas longas e metas. Essa dependência material é a base da exploração nas relações capitalistas, ainda que o vínculo seja apresentado como parceria.
- Por isso a alternativa D é a correta, pois identifica exatamente a autonomia apenas formal e a dependência material que a sustenta.
- A alternativa A está errada porque confunde a liberdade de escolher o horário com autonomia real, ignorando a pressão econômica descrita. A alternativa B está errada porque supõe igualdade entre plataforma e trabalhador, quando o enunciado mostra assimetria de poder. A alternativa C está errada porque afirma que a exploração foi eliminada, quando o texto indica o oposto. A alternativa E está errada porque atribui o problema apenas à escolha individual, desconsiderando as imposições estruturais do mercado.
- Conclusão: o gabarito oficial D está correto e a situação revela que a autonomia prometida é apenas formal, sustentada por dependência material e exploração.
💡 Dica: Procure a diferença entre poder escolher e realmente controlar a própria condição de trabalho.
Alternativa por alternativa
O aluno toma a possibilidade de escolher o horário como prova de autonomia real, sem considerar que a necessidade de renda limita essa escolha.
Por que engana: Tomar flexibilidade contratual como autonomia real.
O aluno aceita a ideia de que o contrato entre plataforma e entregador ocorre entre iguais, ignorando a assimetria de poder e de condições descrita no texto.
O aluno acredita que a flexibilidade do vínculo digital acaba com a subordinação e a exploração, tomando a aparência de modernidade como fim das desigualdades.
Resposta fiel ao núcleo da leitura de Alysson Mascaro: há liberdade jurídica ou formal, mas a condição concreta de trabalho é marcada por dependência econômica e exploração.
O aluno reduz o problema a uma decisão individual e desconsidera as determinações estruturais do mercado que pressionam o trabalhador a aceitar jornadas longas.
Raio-X da questão
Liberdade formal e exploração.
Distinguir liberdade
Trabalho assalariado e dependência econômica. · Liberdade jurídica e liberdade concreta.
Crítica do capitalismo em Mascaro.
Tomar flexibilidade contratual como autonomia real.
Trabalho e direitos sociais.
Consciência crítica.
Trabalho por aplicat
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