— Meu rosto estava frio porque pedalei até aqui pelo corredor externo — relatou uma usuária impedida de entrar…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Investigar e discutir o uso indevido de conhecimentos das Ciências da Natureza na justificativa de processos de discriminação, segregação e privação de direitos individuais e coletivos, em diferentes contextos sociais e históricos, para promover a equidade e o respeito à diversidade.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Meu rosto estava frio porque pedalei até aqui pelo corredor externo — relatou uma usuária impedida de entrar em um centro público de atendimento, em uma situação fictícia. A administração instalou uma câmera térmica e passou a classificar como “fisicamente incapazes” as pessoas cuja face registrasse menos de 33 graus C, restringindo-lhes o acesso ao serviço. O equipamento estima a temperatura da superfície a partir da potência radiante por área, descrita por P/A = epsilon sigma T^4, em que sigma = 5,7 x 10^-8 W/(m^2 K^4) e T é medida em kelvin. O sistema usa epsilon = 0,98 para a pele. Em testes, a face de uma mesma voluntária registrou 31 graus C após permanecer ao ar livre a 12 graus C e 34 graus C após dez minutos em ambiente interno. A administração alegou que o menor valor indicaria menor capacidade física. Analise a regra adotada pelo centro e identifique a conclusão que impede transformar essa medida física em critério de segregação dos usuários.
- A) Reconhecer que elevar o limite para 34 graus C elimina a influência do trajeto e torna a separação objetiva.
- B) Reconhecer que menor radiância comprova menor energia corporal total, justificando restringir o atendimento.
- C) Reconhecer que a radiância mede diretamente a temperatura interna, legitimando separar usuários abaixo de 33 graus C.
- D) Reconhecer que a radiância informa a superfície exposta e varia com o ambiente, não a capacidade física dos usuários.
- E) Reconhecer que usar emissividade 1,00 transforma a câmera em medida de força física e permite a classificação.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Resolvi a questão sem olhar o gabarito. A lei P/A = epsilon sigma T^4 mostra que a radiância depende da temperatura da superfície da pele (T, em kelvin), da emissividade e da constante sigma. Ela não traz nenhuma informação sobre a energia interna do corpo ou a força física da pessoa. Passo 2: O enunciado mostra que a mesma voluntária registrou 31 graus C ao ar livre a 12 graus C e 34 graus C após dez minutos em ambiente interno. Ou seja, a mesma pessoa muda de valor conforme o ambiente e o trajeto, o que prova que a medida reflete a condição momentânea da superfície exposta, e não uma característica estável do usuário. Passo 3: Por isso a alternativa D é a correta: a radiância informa a superfície exposta e varia com o ambiente, não a capacidade física dos usuários. Passo 4: A alternativa A está errada porque elevar o limite para 34 graus C não remove a influência do trajeto; apenas mudaria o ponto de corte e a mesma distorção continuaria. Passo 5: A alternativa B está errada porque a radiância mede apenas a emissão da superfície da pele e não a energia corporal total. Passo 6: A alternativa C está errada porque a radiância não mede a temperatura interna do corpo, apenas a da superfície. Passo 7: A alternativa E está errada porque a emissividade 1,00 não muda o fato de que a medida é de superfície; além disso, nenhuma emissividade transforma uma medida térmica em medida de força física. Passo 8: Conclusão: a regra do centro falha ao tratar uma grandeza física de superfície como se fosse um atributo fisiológico permanente, o que torna a segregação injusta e sem base científica.
💡 Dica: Analise a relação entre temperatura da pele e condições ambientais para avaliar a validade do critério.
Alternativa por alternativa
Acredita que ajustar o limite numérico resolve o problema, como se a variação da medida pelo trajeto fosse apenas uma questão de escolher o corte certo.
Supõe que a radiância da pele representa a energia térmica total do corpo, tomando a temperatura da superfície como indicador direto de energia corporal e de capacidade física.
Confunde temperatura da superfície da face com temperatura interna do corpo, achando que a câmera enxerga o estado interno do organismo.
A câmera estima a temperatura superficial pela radiação emitida. Os testes com a mesma pessoa mostram influência do ambiente, sem permitir inferir capacidade física.
Imagina que a emissividade é o fator que decide a medida e que, ao fixá-la em 1,00, a câmera passaria a medir força física, ignorando que a grandeza continua sendo térmica e de superfície.
Raio-X da questão
temperatura da pele e radiação térmica
diagnostico
radiação térmica e temperatura · leis da termodinâmica
estude radiação térmica e influência ambiental na temperatura corporal
Confundir temperatura da pele com capacidade física sem considerar fatores ambientais que influenciam a medição.
pensamento_critico
cotidiano
Questões parecidas com resolução
- — Se a pessoa não segura a peça antes de ela tocar o chão, não tem rapidez suficiente para trabalhar aqui — afirmou o…
- “O gerente disse que o teste de admissão é ‘científico’: levantar uma caixa de 25 kg do chão até 1,5 m, em 2 s, sem…
- — Se é para segurança, precisamos de um critério “científico”, disse o gerente, ao apresentar um novo teste físico para…
- Analise, com exemplos numéricos e argumentos físicos, como conhecimentos de Física podem ser mal empregados para…
- Em uma audiência sobre processos seletivos, pesquisadores discutiram o uso de medições físicas, como estatura, massa…
- Em um processo seletivo para uma cooperativa de reciclagem, a empresa propôs medir, com um dinamômetro manual, a força…
Todas as questões de Debates em Aplicações Tecnológicas e Ética
🔎 Resolver outra questão
Cole o enunciado e veja a resolução passo a passo, a alternativa correta e por que as outras estão erradas.
Professor: monte a prova com questões como esta, com gabarito e folha de respostas, em 30 segundos. Ver planos · Blog
