Em 1727, Ibrahim Müteferrika obteve autorização do sultão otomano para instalar, em Istambul, uma oficina de…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar e analisar as relações entre sujeitos, grupos, classes sociais e sociedades com culturas distintas diante das transformações técnicas, tecnológicas e informacionais e das novas formas de trabalho ao longo do tempo, em diferentes espaços (urbanos e rurais) e contextos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em 1727, Ibrahim Müteferrika obteve autorização do sultão otomano para instalar, em Istambul, uma oficina de impressão com caracteres árabes. Havia décadas, comunidades judaicas, armênias e gregas do império já utilizavam prensas para publicar obras em seus idiomas. A nova autorização, porém, resultou de consultas a autoridades religiosas e impôs limites: textos sagrados islâmicos permaneceram fora do catálogo inicial. Foram impressos dicionários, obras de história, geografia e assuntos militares, úteis à administração imperial. Enquanto alguns escribas e calígrafos temiam perder encomendas, setores do governo buscavam ampliar o acesso a conhecimentos empregados na defesa e na gestão do Estado. A circulação dos livros impressos, assim, ocorreu em meio a interesses profissionais, religiosos e políticos distintos. Avalie a interpretação que explica a introdução da imprensa entre os muçulmanos do Império Otomano, considerando as relações sociais descritas no texto.
- A) A adoção da imprensa eliminou prontamente os escribas e transferiu aos impressores toda a autoridade cultural.
- B) A adoção da imprensa ocorreu por negociação, subordinando seu uso inicial a controles políticos e religiosos.
- C) A adoção da imprensa tornou irrelevantes as diferenças religiosas na produção e circulação dos livros.
- D) A adoção da imprensa expressou rejeição absoluta a saberes europeus por parte dos dirigentes otomanos.
- E) A adoção da imprensa decorreu de imposição colonial europeia que suprimiu decisões locais no império.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- O texto descreve a autorização de Ibrahim Müteferrika em 1727 como resultado de consultas a autoridades religiosas, com limites impostos (textos sagrados islâmicos ficaram fora do catálogo inicial).
- Ao mesmo tempo, o texto mostra interesses distintos: escribas e calígrafos temiam perder encomendas, enquanto setores do governo queriam ampliar o acesso a conhecimentos úteis à defesa e à gestão do Estado. Ou seja, a imprensa entrou por meio de negociação entre grupos com interesses diferentes.
- Logo, a alternativa correta é a B, pois descreve a adoção por negociação e o uso inicial subordinado a controles políticos e religiosos, exatamente como o texto narra.
- Por que as outras estão erradas:
- A) O texto mostra escribas ainda temendo perder encomendas, não sendo eliminados de imediato nem perdendo toda a autoridade.
- C) O texto mostra que a diferença religiosa importou, pois textos sagrados islâmicos foram excluídos do catálogo inicial.
- D) O texto mostra o governo buscando conhecimentos úteis à defesa e à gestão, o que contradiz a rejeição absoluta a saberes europeus.
- E) O texto não menciona imposição colonial europeia; a autorização veio do sultão após consultas internas.
- Observação sobre o gabarito: concordo com o gabarito oficial. A questão pede a avaliação de uma interpretação; a alternativa B é a única compatível com as relações sociais descritas no texto.
💡 Dica: Analise as relações sociais e interesses envolvidos na introdução da imprensa no Império Otomano.
Alternativa por alternativa
Imagina que a imprensa substituiu imediatamente os escribas e concentrou toda a autoridade cultural nos impressores, ignorando que o texto mostra resistência e convivência entre os grupos.
Correta. A autorização estatal, a consulta religiosa e a exclusão de textos sagrados indicam apropriação seletiva da técnica.
Acredita que, por existirem prensas em comunidades judaicas, armênias e gregas, a religião deixou de importar na produção de livros, esquecendo a exclusão dos textos sagrados islâmicos do catálogo.
Supõe que, por haver limites e cautela, o governo otomano rejeitou por completo o conhecimento europeu, ignorando que se buscou ampliar o acesso a saberes úteis à defesa e à gestão.
Atribui a iniciativa a uma imposição colonial europeia, confundindo a expansão da imprensa com dominação externa, quando o texto descreve uma decisão tomada dentro do império.
Raio-X da questão
introdução da imprensa no Império Otomano
diagnostico
história do Império Otomano · tecnologia da imprensa
estude o contexto social e político do Império Otomano no século XVIII
O aluno pode confundir os interesses religiosos e políticos envolvidos, simplificando a introdução da imprensa como apenas um avanço tecnológico.
cidadania_etica
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