“Depois da inauguração, passei a vender doces na praça”, recordou Joana, que trabalhava em casas de família…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Discutir o papel das culturas letradas, não letradas e das artes na produção das identidades no Brasil do século XIX.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
“Depois da inauguração, passei a vender doces na praça”, recordou Joana, que trabalhava em casas de família, ao colaborar com o caderno de memória de Vila das Pedras, cidade fictícia. O material reuniu relatos sobre a abertura da Praça do Sol, em 1972. Um comerciante afirmou que a iluminação noturna ampliou o movimento de suas vendas. Já um ex-vereador definiu a obra como sinal de progresso da cidade. Uma moradora de um bairro distante relatou que sua família quase não frequentava o lugar, pois a passagem de ônibus era cara e não havia linhas à noite. Ao organizar os relatos, os estudantes perceberam que a mesma inauguração recebia avaliações diferentes. Analise os relatos e identifique o fator histórico que melhor explica as avaliações distintas sobre a inauguração da praça.
- A) A falta de informações suficientes sobre as características da obra realizada.
- B) A passagem do tempo, que transformou todos os depoimentos em opiniões individuais.
- C) A relação de cada grupo com a praça e com os recursos disponíveis no período.
- D) A imprecisão das memórias, que impede o uso dos relatos como fonte histórica.
- E) A preferência pessoal dos depoentes, sem vínculo com suas condições de vida.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leia os relatos com atenção. O comerciante avalia a praça pelo aumento de suas vendas graças à iluminação noturna; o ex-vereador a vê como sinal de progresso da cidade; a moradora do bairro distante diz que sua família quase não frequentava o lugar por causa do custo da passagem de ônibus e da falta de linhas à noite.
- Perceba que cada depoente fala a partir de uma posição social e de uma relação concreta com a praça: o comerciante como trabalhador que vende ali, o ex-vereador como agente político e a moradora como habitante distante, sem meios de transporte baratos e seguros para chegar ao local.
- Identifique o fator histórico central. As avaliações diferem porque cada grupo tinha uma relação diferente com a praça e com os recursos disponíveis no período, como transporte, renda e acesso ao comércio. Isso explica por que a mesma obra foi vista como oportunidade, símbolo de progresso ou algo pouco utilizado.
- Verifique as alternativas erradas. A) está errada porque os relatos já trazem informações suficientes sobre a obra e seu uso, não sendo a falta de dados o fator explicativo. B) está errada porque a passagem do tempo não explica a divergência, que já existia entre grupos contemporâneos à inauguração. D) está errada porque memórias subjetivas não invalidam o uso de relatos como fontes históricas; pelo contrário, revelam pontos de vista. E) está errada porque as opiniões estão diretamente ligadas às condições de vida de cada depoente, como renda, transporte e atividade profissional.
- Conclusão: a alternativa C é a que melhor explica as avaliações distintas, em conformidade com o gabarito oficial.
💡 Dica: Compare as posições sociais e as condições de acesso à praça descritas em cada relato.
Alternativa por alternativa
Supõe que os relatos são vagos porque faltam dados sobre a obra, ignorando que os depoimentos descrevem uso, efeitos e acesso à praça.
Acredita que o tempo transformou testemunhos em opiniões individuais, quando as divergências já existiam entre grupos sociais na época da inauguração.
Os relatos decorrem de posições sociais distintas: trabalho, comércio, gestão pública e limitações de transporte condicionavam os usos da praça.
Entende que lembranças subjetivas são inúteis como fonte histórica, desconsiderando que a análise de diferentes perspectivas é justamente o trabalho do historiador.
Acredita que a opinião é apenas gosto pessoal, sem relação com a condição social, mas o relato da moradora mostra claramente que transporte e custo influenciaram o uso.
Por que engana: O aluno pode atribuir as diferenças apenas a preferências pessoais ou à imprecisão da memória, sem considerar como os interesses e as condições de acesso à praça influenciavam cada depoimento.
Raio-X da questão
perspectivas sobre o passado
avaliacao
fontes históricas e relatos · perspectiva histórica
Revise como posição social, interesses e condições de vida influenciam interpretações de um acontecimento histórico.
O aluno pode atribuir as diferenças apenas a preferências pessoais ou à imprecisão da memória, sem considerar como os interesses e as condições de acesso à praça influenciavam cada depoimento.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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