Num distrito serrano de 8 mil habitantes, a abertura de um espaço de coworking atraiu pessoas que trabalham…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, contextualizar e criticar tipologias evolutivas (populações nômades e sedentárias, entre outras) e oposições dicotômicas (cidade/campo, cultura/ natureza, civilizados/bárbaros, razão/emoção, material/virtual etc.), explicitando suas ambiguidades.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Num distrito serrano de 8 mil habitantes, a abertura de um espaço de coworking atraiu pessoas que trabalham pela internet e passam de duas semanas a três meses na região. Em seis meses, imobiliárias registraram alta nos aluguéis de temporada e comerciantes relataram aumento nas vendas de refeições e serviços. Na rádio local, um morador afirmou: “Isso é coisa de gente da cidade, não cria raiz aqui”. Já uma frequentadora do coworking respondeu: “Eu venho pelo clima, compro na feira e volto para a capital quando preciso resolver documentos; não é turismo”. Na prefeitura, discutiu-se criar um cartão de acesso a serviços municipais, exigindo comprovante de residência fixa, para separar “morador” de “visitante”. Analise a situação descrita e identifique a interpretação sociológica que melhor critica as classificações rígidas de “nômade/sedentário” e “urbano/rural” mobilizadas no debate.
- A) Interpretar, como em Marx, que a mobilidade é resíduo pré-capitalista e tende a desaparecer com a urbanização e a disciplina do trabalho assalariado
- B) Defender que o impasse se resolve ao escolher apenas uma identidade, urbana ou rural, classificando cada pessoa em um único grupo estável
- C) Explicar, como em Durkheim, que a mobilidade no distrito é sinal de anomia e deve ser contida por regras para restaurar a ordem social
- D) Reconhecer, como em Weber, que essas categorias são construções analíticas e que a vida descrita combina mobilidade e fixação sem hierarquia
- E) Concluir que a distinção entre morador e visitante decorre de fatores naturais do relevo e do clima, que determinam estilos de vida móveis ou fixos
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O enunciado descreve um distrito onde pessoas que trabalham pela internet ficam de duas semanas a três meses, com aumento de aluguéis de temporada e de vendas de refeições e serviços. Há um debate entre morador e visitante, e a prefeitura quer usar o comprovante de residência fixa para separar essas categorias. A pergunta pede a interpretação sociológica que critica as classificações rígidas de nômade/sedentário e urbano/rural.
- Resolvendo por conta própria, a alternativa que melhor critica essas classificações rígidas é a D. Ela aponta, com Weber, que categorias como urbano e rural são construções analíticas, feitas pelo pesquisador para compreender a realidade, e que a vida descrita combina mobilidade e fixação. A frequentadora do coworking mostra isso: ela mora na capital, passa temporadas no distrito, compra na feira e volta quando precisa. Ela não se encaixa em nenhum dos dois polos rígidos.
- Por que as outras estão erradas. A é errada porque trata a mobilidade como resíduo pré-capitalista destinado a desaparecer, quando o caso mostra mobilidade integrada à economia atual. B é errada porque propõe escolher uma identidade fixa, o que reforça exatamente a rigidez que o texto questiona. C é errada porque associa a mobilidade à anomia durkheimiana, quando o texto não descreve desordem social. E é errada porque atribui a distinção a fatores naturais de relevo e clima, ignorando as dimensões sociais e econômicas do caso.
- Conclusão. O gabarito oficial D está correto, e a alternativa D é a única que aplica a crítica de forma coerente com os dados da situação.
💡 Dica: Reflita sobre as categorias sociais e suas limitações no contexto apresentado.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a mobilidade é um resíduo de sociedades pré-capitalistas que desaparecerá com a urbanização e o trabalho assalariado. Ele ignora que o caso mostra mobilidade ligada à economia atual, como o trabalho pela internet.
O aluno acha que o impasse se resolve classificando cada pessoa em um único grupo estável, urbano ou rural. Ele não percebe que a frequentadora do coworking transita entre os dois mundos e que essa classificação fixa é justamente o problema apontado.
O aluno associa a presença de pessoas itinerantes à anomia de Durkheim, como se a mobilidade fosse desordem a ser contida por regras. O texto não descreve crise de normas, e sim uma convivência de formas de vida diferentes.
O caso mistura práticas urbanas e rurais e deslocamentos; a crítica aponta que tipologias não são etapas superiores/inferiores, mas simplificações analíticas.
O aluno lê a fala 'eu venho pelo clima' como causa determinante do modo de vida e conclui que relevo e clima definem a mobilidade. Ele não percebe que a fala é uma justificativa pessoal e que o caso envolve fatores econômicos e sociais.
Raio-X da questão
classificações sociais rígidas
diagnostico
conceitos básicos de sociologia · dinâmicas sociais urbanas e rurais
estude conceitos de nomadismo, sedentarismo e urbanidade
confundir categorias sociais fixas com realidades dinâmicas e fluidas
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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