“Quando a água sobe, a gente mora na cidade; quando baixa, volta para a várzea”, explica um pescador ao tentar…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, contextualizar e criticar tipologias evolutivas (populações nômades e sedentárias, entre outras) e oposições dicotômicas (cidade/campo, cultura/ natureza, civilizados/bárbaros, razão/emoção, material/virtual etc.), explicitando suas ambiguidades.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
“Quando a água sobe, a gente mora na cidade; quando baixa, volta para a várzea”, explica um pescador ao tentar regularizar o cadastro de sua família. No bairro onde se instalaram por três meses, parte do pescado é vendida, as crianças frequentam a escola e a esposa trabalha em diárias. No período de seca, o grupo retorna para plantar, reparar redes e pescar em lagos próximos às casas de madeira. No atendimento, a funcionária informa que o sistema exige um único endereço “principal” e uma categoria fixa de moradia para manter o benefício social. Como o registro aponta mudanças frequentes, o pagamento foi suspenso “por inconsistência”. A associação local contesta: a alternância é parte do modo de vida e da organização do trabalho, não “falta de raiz” nem simples migração definitiva. Com base no texto, identifique a interpretação sociológica que melhor critica a oposição rígida cidade/campo e a tipologia evolutiva “nômade versus sedentário” ao analisar essa forma de mobilidade.
- A) Interpretar a mobilidade como decisão individual sem vínculo com trabalho, escola, mercado ou regras do Estado.
- B) Interpretar a mobilidade como efeito natural das cheias, bastando explicação ambiental para compreender o caso.
- C) Interpretar a mobilidade como prova de que cidade e campo são mundos incompatíveis, exigindo escolher um deles para pertencer.
- D) Interpretar a mobilidade como sinal de atraso que será superado quando o grupo se tornar definitivamente urbano.
- E) Interpretar a mobilidade como estratégia de reprodução social, moldada por trabalho e por cadastros, revelando limites de rótulos fixos.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O texto descreve uma família que alterna entre a cidade (bairro, onde vende parte do pescado, as crianças vão à escola e a esposa trabalha em diárias) e a várzea (período de seca, para plantar, reparar redes e pescar). A associação afirma que essa alternância faz parte do modo de vida e da organização do trabalho.
- A crítica central do texto é à oposição rígida entre cidade e campo e à ideia evolutiva de que o nômade caminha para o sedentário e o rural para o urbano. A mobilidade não é desvio nem falta de raiz; ela organiza a sobrevivência e o trabalho.
- A alternativa E identifica exatamente isso: a mobilidade é uma estratégia de reprodução social, condicionada pelo trabalho e pelas exigências de cadastros, e mostra os limites de rótulos fixos. Por isso ela é a resposta correta.
- A alternativa A está errada porque ignora os vínculos com trabalho, escola e Estado, que o texto destaca como determinantes. A alternativa B está errada porque reduz o caso a um efeito natural das cheias, o que o texto não sustenta. A alternativa C está errada porque o texto mostra cidade e campo combinados na mesma trajetória, não incompatíveis. A alternativa D está errada porque trata a mobilidade como atraso a ser superado, justamente a visão evolutiva que o texto critica.
- Conclusão: o gabarito oficial E está correto e coincide com a leitura feita sem apoio nele.
💡 Dica: Analise o texto para compreender a mobilidade social e sua relação com trabalho e moradia.
Alternativa por alternativa
O aluno vê a mobilidade apenas como escolha pessoal, desconsiderando que o texto liga o deslocamento ao trabalho, à escola e às exigências do Estado.
O aluno toma a cheia como causa única e natural do deslocamento, ignorando as dimensões sociais e econômicas descritas no texto.
O aluno acredita que cidade e campo são mundos incompatíveis, reforçando justamente a oposição rígida que o texto questiona.
Por que engana: Interpretar a mobilidade como decisão individual ou fenômeno natural, ignorando o contexto social e econômico.
O aluno adota a tipologia evolutiva, supondo que a mobilidade é um estágio transitório rumo ao urbano, o que o texto nega ao afirmar que a alternância é parte do modo de vida.
Aplica crítica a dicotomias: articula relações de produção (Marx) e classificação burocrática (Weber), sem evoluir “etapas”; considera integração social (Durkheim).
Raio-X da questão
mobilidade social e trabalho
diagnostico
conceito de mobilidade social · relações cidade e campo
estude conceitos de mobilidade social e relações cidade-campo
Interpretar a mobilidade como decisão individual ou fenômeno natural, ignorando o contexto social e econômico.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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