“Aqui a gente treina de verdade”, dizia a faixa na entrada do projeto comunitário que abriu horários gratuitos…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar criticamente preconceitos, estereótipos e relações de poder presentes nas práticas corporais, adotando posicionamento contrário a qualquer manifestação de injustiça e desrespeito a direitos humanos e valores democráticos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
“Aqui a gente treina de verdade”, dizia a faixa na entrada do projeto comunitário que abriu horários gratuitos de musculação em um centro esportivo. Nas primeiras semanas, alguns participantes relataram que o instrutor fazia piadas sobre “corpo de praia” e pedia que pessoas com sobrepeso ficassem no fundo, “para não atrapalhar os espelhos”. Uma jovem trans contou que, ao perguntar sobre o vestiário, ouviu de outro aluno: “isso aqui é academia de homem”. Mesmo sem proibição formal, o grupo percebeu que certas pessoas passaram a faltar e que as decisões (música, exercícios, uso dos aparelhos) eram sempre tomadas pelos mesmos. Em uma conversa organizada pelos participantes, surgiu a dúvida: como garantir que a prática corporal não reproduza humilhações e hierarquias, mas fortaleça o direito de todos ao uso do espaço? Com base no texto, identifique a ação coletiva que mais enfrenta preconceitos, estereótipos e relações de poder no uso do espaço de musculação.
- A) Separar horários por “nível” e por “tipo de corpo”, para evitar constrangimentos e diminuir conflitos entre participantes
- B) Manter as aulas como estão e orientar quem se sentiu ofendido a “focar no treino”, evitando discussões no espaço
- C) Exigir testes físicos e metas padronizadas para liberar o uso dos aparelhos, valorizando apenas o desempenho mensurável
- D) Construir regras de convivência com o grupo e intervir em falas discriminatórias, garantindo participação igual nas decisões
- E) Divulgar campanhas com imagens de “antes e depois” e slogans de transformação corporal, para motivar a adesão ao treino
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O texto relata situações de humilhação (piadas sobre corpo, pessoas com sobrepeso mandadas ao fundo, exclusão de uma pessoa trans do vestiário) e uma distribuição desigual de poder, pois as decisões são sempre tomadas pelos mesmos. A pergunta central é como garantir que a prática não reproduza essas humilhações e hierarquias.
- A ação coletiva que enfrenta esses problemas precisa atacar duas coisas ao mesmo tempo: os comportamentos discriminatórios e a concentração de poder. A alternativa D faz exatamente isso, ao construir regras de convivência com o grupo (ação coletiva e democrática), intervir em falas discriminatórias (enfrentamento direto do preconceito) e garantir participação igual nas decisões (redistribuição do poder).
- Por que as outras estão erradas:
- A) Separar alunos por 'nível' e 'tipo de corpo' reforça a hierarquia e a classificação dos corpos, em vez de combater o estereótipo.
- B) Mandar quem se sentiu ofendido 'focar no treino' silencia a vítima e mantém o preconceito intacto.
- C) Exigir testes físicos padronizados valoriza só o desempenho e tende a excluir quem não se encaixa no padrão, reforçando a seleção.
- E) Campanhas de 'antes e depois' reproduzem o padrão estético de corpo ideal e o estereótipo de transformação que o texto critica.
- Conclusão: a alternativa D é a única que combina convivência democrática, combate explícito à discriminação e igualdade no uso do espaço, em linha com a dúvida levantada pelo grupo. O gabarito D está correto.
💡 Dica: Analise o texto para identificar as formas de preconceito e exclusão no espaço descrito.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que separar as pessoas por nível e tipo de corpo evita constrangimentos, sem perceber que essa separação classifica os corpos em hierarquias.
O aluno entende que o melhor é manter a rotina e pedir que a pessoa ofendida ignore o problema, tratando a discriminação como assunto alheio ao treino.
O aluno associa a organização do espaço à avaliação objetiva de desempenho físico, sem considerar que testes padronizados excluem pessoas fora do padrão e reforçam relações de poder.
Enfrenta estereótipos e o poder concentrado, criando corresponsabilidade e proteção contra discriminação no cotidiano da prática.
O aluno acha que campanhas de transformação corporal promovem inclusão e motivação, sem perceber que reforçam o padrão estético que gera humilhação.
Raio-X da questão
preconceito e exclusão social
diagnostico
diversidade e inclusão social · relações de poder social
Estude sobre diversidade, inclusão e respeito no esporte e espaços coletivos.
Confundir o foco da questão com aspectos técnicos da musculação, ignorando o tema social de exclusão e preconceito.
saude
empatia
cotidiano
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