Contextualização para o texto III (Ronald de Carvalho foi um dos escritores brasileiros que tiveram…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Contextualização para o texto III (Ronald de Carvalho foi um dos escritores brasileiros que tiveram participação ativa na famigerada Semana de Arte Moderna, na qual pronunciou a conferência intitulada “A pintura e escultura moderna no Brasil”. Era um poeta de tendência conservadora, “indeciso entre o Simbolismo e o Parnasianismo”, conforme diz Agripino Grieco e como denunciam suas duas primeiras obras — Luz Gloriosa e Poemas e sonetos. Em 1922, porém, publica Epigramas Irônicos e Sentimentais, onde se pode encontrar uma teoria do verso moderno. Segundo Júlio de Carvalho, Ronald de Carvalho mostra, nessa obra, haver adquirido “consciência de que o poeta rompe em cada poema com uma série de códigos: o da língua, o da arte poética, etc.”.) TEXTO III Literatura 179 Como são lindos os teus alexandrinos, 180 que lindos são, solenes, elegantes... 181 “Sob o vivo clarão dos poentes purpurinos, 182 passam, movendo a tromba, os tardos 183 [elefantes” 184 São perfeitos os teus alexandrinos! 185 Mas como têm mais graça as asas dessa 186 [abelha, 187 ou essa fúlvida centelha 188 que turbilhona sem parar! 189 Como são muito mais interessantes 190 que aqueles negros, inúteis elefantes, 191 esses pares de andorinhas que volteiam 192 em curvas longas, lentas pelo ar... 193 Poeta, que lindos são os teus alexandrinos 194 perfilados, solenes, elegantes... 195 “Sob o vivo clarão dos poentes purpurinos, 196 Passam, movendo a tromba, os tardos 197 [elefantes...” (Ronald de Carvalho. Da obra Epigramas Irônicos e Sentimentais. In: Antologia da Poesia Brasileira. Porto: Lello & Irmão Editores, 1984. p. 20-21.) Escreva V para o que for verdadeiro e F para o que for falso acerca do poema. ( ) Fala sobre o alexandrino com ironia. ( ) Cria uma metáfora para os alexandrinos, a qual salienta a sua extensão e a dificuldade de sua estrutura. ( ) No verso 5 (Linha 184), há uma alusão à preocupação com a forma, característica dos parnasianos, que tinham predileção pelos alexandrinos. ( ) Entre os versos 6 e 12 (Linhas 185-192), há várias comparações que enfatizam a excelência dos versos modernos em relação ao alexandrino, pela agilidade e liberdade dos primeiros. ( ) O enunciador não consegue decidir-se entre os versos alexandrinos e os versos modernos. Está correta a seguinte sequência de cima para baixo: (UECE 2012)
- A) F, F, V, F, F.
- B) F, F, F, F, V.
- C) V, V, V, V, F.
- D) V, V, F, V, V.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leia o poema com atenção. O eu lírico começa elogiando os alexandrinos com tom solene, mas a repetição de 'que lindos são' e as comparações seguintes revelam ironia. Passo 2: Analise as comparações dos versos 6 a 12 (linhas 185 a 192). As asas da abelha, a centelha e as andorinhas que volteiam lentamente são contrastados com os elefantes, associados aos alexandrinos. Essas imagens exaltam a leveza, a agilidade e a liberdade do verso moderno. Passo 3: Item 1, verdadeiro, pois o elogio inicial é irônico. Item 2, verdadeiro, pois a metáfora dos alexandrinos como tardos e negros elefantes destaca o peso, a lentidão e a rigidez da forma, o que se aproxima da ideia de extensão e dificuldade. Passo 4: Item 3, verdadeiro, pois o verso 5 (linha 184), 'São perfeitos os teus alexandrinos!', alude à preocupação formal parnasiana. Item 4, verdadeiro, pelas comparações que enfatizam agilidade e liberdade. Item 5, falso, pois o eu lírico não hesita: deixa clara sua preferência pelo verso moderno. Passo 5: A sequência correta é V, V, V, V, F, correspondente à alternativa C, que coincide com o gabarito oficial. Dúvida: o item 2 depende de ler a metáfora dos elefantes como expressão de extensão e dificuldade. Essa é a leitura mais plausível, embora o foco principal seja a lentidão.
💡 Dica: Analise as características do poema e as afirmações para identificar verdadeiros e falsos.
Alternativa por alternativa
Quem marca A toma o elogio inicial aos alexandrinos como sincero, não percebendo a ironia, e não associa os elefantes aos alexandrinos como metáfora. Também acredita que o eu lírico não exalta o verso moderno nas comparações.
Quem marca B acredita que o eu lírico está indeciso entre os dois tipos de verso, talvez confundindo com a referência a Grieco ('indeciso entre o Simbolismo e o Parnasianismo') no texto de contextualização. Além disso, não reconhece a alusão formal do verso 5.
CORRETA. A sequência V, V, V, V, F corresponde à interpretação correta: o poema fala ironicamente dos alexandrinos, cria metáforas que destacam sua extensão, faz alusão à preocupação parnasiana com a forma, apresenta comparações que valorizam os versos modernos e mostra que o enunciador não está indeciso entre os dois tipos de versos.
Quem marca D lê 'São perfeitos os teus alexandrinos!' como elogio ao conteúdo e não à forma, ou perde a relação entre o verso 5 (linha 184) e a preocupação parnasiana com a forma. Também entende que o eu lírico hesita entre os dois tipos de verso, quando ele deixa clara sua preferência pelo moderno.
Raio-X da questão
interpretação de poema e figuras de linguagem
diagnostico
figuras de linguagem básicas · características do parnasianismo
estudo de figuras de linguagem e características do parnasianismo
Confundir ironia com elogio direto e não identificar metáforas e comparações no poema.
pensamento_critico
literario
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