Notas esclarecedoras 1. Cora Coralina começou a escrever em 1965, aos 72 anos de idade. Dentre suas obras…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Notas esclarecedoras 1. Cora Coralina começou a escrever em 1965, aos 72 anos de idade. Dentre suas obras, encontra-se Criança no meu tempo, composta de poemas que falam sobre a vida das crianças de antigamente. (O texto 1 deste exame, “Sequência”, é um dos poemas dessa obra.) Nesse livro, Cora Coralina revela o tratamento que os adultos davam às crianças. Os pequenos não recebiam carinho, eram relegados a uma posição inferior à dos adultos, ridicularizados, desestimulados e até mal alimentados, mesmo nas famílias de posses. Ela, inclusive, conclui um outro poema do mesmo livro com os seguintes versos: Digo sempre: "Jovens, agradeçam a Deus todos os [dias Terem nascido nestes tempos novos..." 2. Por serem muito longos, alguns versos do poema “Sequência”, de Cora Coralina, ultrapassam o espaço de uma linha. Quando isso acontece, usa-se colchete ([ ]). É o caso do verso 2, que ocupa as linhas 2 e 3. Assim sendo, o texto apresenta um maior número de linhas (31) do que de versos (20). TEXTO 1 SEQUÊNCIAS 1 Eu era pequena. A cozinheira Lizarda 2 tinha nos levado ao mercado, minha 3 [irmã, eu. 4 Passava um homem com um abacate 5 [na mão e eu inconsciente: 6 “Ome, me dá esse abacate..." 7 O homem me entregou a fruta 8 [madura. 9 Minha irmã, de pronto: “vou contar pra mãe 10 [que ocê pediu abacate na rua". 11 Eu voltava trocando as pernas bambas. 12 Meus medos crescidos, enormes... 13 A denúncia confirmada, o auto, a 14 [comprovação do delito. 15 O impulso materno... consequência obscura 16 [da escravidão passada, 17 o ranço dos castigos corporais. 18 Eu, aos gritos, esperneando. 19 O abacate esmagado, pisado, me sujando 20 [toda. 21 Durante muitos anos minha repugnância por 22 [esta fruta 23 trazendo a recordação permanente do castigo. 24 Sentia, sem definir, a recreação dos que 25 [ficaram de fora, 26 assistentes, acusadores. 27 Nada mais aprazível no tempo, do que 28 [presenciar a criança indefesa 29 espernear numa coça de chineladas. 30 “É pra seu bem", diziam, “doutra vez não pedi 31 [fruita na rua". (Cora Coralina. Melhores poemas. p. 158.) Indique a opção em que se afirma algo verdadeiro sobre a expressão a criança indefesa (verso 18, linhas 27 e 28). (UECE 2012)
- A) Retoma integralmente o elemento referencial eu, repetido algumas vezes no poema.
- B) Expressa enfaticamente a vulnerabilidade da autora, Cora Coralina, quando menina.
- C) Pode ser interpretada como uma retomada indireta do eu ou como uma referência às crianças em geral.
- D) Indica uma criança em particular.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O poema narra uma lembrança da própria autora quando era criança: a menina (o eu lírico) foi ao mercado, pegou um abacate, levou uma surra e passou a ter repugnância pela fruta. Passo 2: A expressão 'a criança indefesa' (versos 27 e 28 do texto, ou seja, linhas 27 e 28 da numeração do poema) aparece no trecho em que o eu lírico relata que, para os que assistiam ao castigo, era agradável presenciar a criança indefesa apanhando. Passo 3: Essa expressão funciona como uma retomada indireta do eu, pois a criança indefesa é a própria menina narradora, que foi castigada. Ao mesmo tempo, o trecho tem sentido geral, pois descreve como era tratada a criança de antigamente, o que a aproxima das crianças em geral, como as notas do enunciado destacam. Passo 4: Por isso a alternativa C é verdadeira, por reunir essas duas possibilidades de interpretação. A alternativa A está errada, pois não há retomada integral do eu: a expressão é uma referência indireta. A alternativa B está errada porque restringe o sentido à autora, ignorando a leitura geral sobre as crianças. A alternativa D está errada porque a expressão não indica uma criança específica nomeada, e sim uma categoria de criança que se aplica tanto à narradora quanto a outras crianças. Passo 5: Conclusão: o gabarito C está correto.
💡 Dica: Leia o poema atentamente para interpretar a expressão no contexto.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a expressão repete literalmente o pronome eu, ignorando que a criança indefesa é uma referência indireta ao eu narrador.
O aluno restringe o sentido da expressão à autora e à sua vulnerabilidade, sem perceber que o trecho também retrata as crianças de modo geral.
CORRETA. A expressão pode ser interpretada como uma retomada indireta do 'eu' ou como uma referência às crianças em geral, abrangendo tanto a experiência pessoal quanto uma visão mais ampla.
O aluno confunde a expressão com uma personagem individualizada, achando que se trata de uma criança específica e identificada no poema, quando se trata de uma categoria de criança.
Raio-X da questão
interpretação de texto literário
diagnostico
interpretação de textos literários · análise de poemas
interpretação de expressões em poemas
O aluno pode interpretar literalmente a expressão sem considerar o contexto histórico e social do poema.
pensamento_critico
literario
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