1. [...] só o canapé pareceu haver compreendido a nossa situação moral, visto que nos ofereceu os serviços da…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
1. [...] só o canapé pareceu haver compreendido a nossa situação moral, visto que nos ofereceu os serviços da sua palhinha, com tal insistência que os aceitamos e nos sentamos. Data daí a opinião particular que tenho do canapé. Ele faz aliar a intimidade e o decoro, e mostra a casa toda sem sair da sala. Dous homens sentados nele podem debater o destino de um império, e duas mulheres a graça de um vestido; mas, um homem e uma mulher só por aberração das leis naturais dirão outra coisa que não seja de si mesmos. 2. Naquele segundo ano houve dificuldades medonhas. Plantei mamona e algodão, mas a safra foi ruim, os preços baixos, vivi meses apertado, vendendo macacos e fazendo das fraquezas forças para não ir ao fundo. Trabalhava danadamente, dormindo pouco, levantando-me às quatro da manhã, passando dias ao sol, à chuva, de facão, pistola e cartucheira, comendo nas horas de descanso um pedaço de bacalhau assado e um punhado de farinha. À noite, na rede, explicava pormenores do serviço a Casimiro Lopes. Ele acocorava-se na esteira e, apesar da fadiga, ouvia atento. Às vezes Tubarão ladrava lá fora e nós aguçávamos o ouvido. 3. Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo – O canto dos meirinhos –; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o logar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena consideração). 4. Nada do movimento de hoje. Esse chamar homem com a cabeça, a boca e os gestos safados de mão sugerindo tudo, esse “vem cá, meu bem” do mulherio enfileirado às portas, essa caftinagem rampeira ou cara que se aloja e se estende por todo o Lixão, é coisa aparecida aos poucos, a partir de 53, quando os cobras do governo fecharam a zona. Naquele tempo, haver havia alguma brasa. Mas era escondida. E as curriolas corriam com maneiracão. Claro que muito come quieto de mulheres, boca de sinuca, dadinho, carteado. 5. Nesse tempo, como ainda hoje, gostava do mar; mas naquela idade as predileções têm mais vigor e são paixões. Não somente a vista do oceano, suas majestosas perspectivas, a magnitude de sua criação, como também a vida marítima, essa temeridade do homem em luta com o abismo, me enchiam de entusiasmo e admiração. A partir desses trechos é possível afirmar: (UFPR 2009)
- A) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.
- B) Somente as afirmativas 1, 4 e 5 são verdadeiras.
- C) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
- D) Somente as afirmativas 4 e 5 são verdadeiras.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Os trechos são numerados de 1 a 5, e cada alternativa afirma quais deles contêm afirmativas verdadeiras. O gabarito C indica que as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras, e que a 1 e a 5 são falsas. Passo 2: Trecho 2: a narração em primeira pessoa descreve o trabalho no campo, com plantio de mamona e algodão, safra ruim e preços baixos. Esse conteúdo sustenta uma afirmativa verdadeira sobre a vida rural e as dificuldades econômicas do narrador. Passo 3: Trecho 3: o texto localiza a cena em uma esquina específica de ruas do Rio de Janeiro e caracteriza o ponto de encontro dos meirinhos, que tinham certa consideração na época. A afirmativa sobre a ambientação urbana e histórica é verdadeira. Passo 4: Trecho 4: o narrador compara o presente com o passado, marcando a mudança a partir de 1953, quando a zona de prostituição foi fechada, e descrevendo a prática antes escondida. A afirmativa sobre a oposição entre o passado e o presente é verdadeira. Passo 5: Trecho 1: o texto atribui ao canapé a função de unir intimidade e decoro, mas a afirmativa sobre o seu sentido não corresponde ao que o trecho diz, por isso é falsa. Passo 6: Trecho 5: a memória do mar é apresentada como lembrança de juventude, com entusiasmo, e não como fato da vida adulta. A afirmativa que a contraria é falsa. Passo 7: Conclusão: a alternativa C é a única que reúne apenas afirmativas verdadeiras (2, 3 e 4). A alternativa A inclui a 1, que é falsa. A alternativa B inclui a 1 e a 5, que são falsas. A alternativa D deixa de fora a 2 e a 3, que são verdadeiras.
💡 Dica: Leia atentamente os trechos e analise o contexto para interpretar o texto.
Alternativa por alternativa
O aluno aceita a afirmativa sobre o canapé como se o trecho dissesse que o móvel serve apenas para encontros amorosos, e não para unir intimidade e decoro em situações sociais variadas.
O aluno pensa que as afirmativas sobre o canapé e sobre a memória do mar estão corretas, por generalizar a relação do narrador com o mar e lendo o trecho 1 de forma livre.
CORRETA. As afirmativas 2, 3 e 4 são as únicas que correspondem fielmente ao conteúdo dos trechos apresentados.
O aluno confirma as afirmativas 4 e 5 e descarta as 2 e 3, talvez por julgar que as referências à lavoura e à cidade não se encaixam na afirmativa correspondente, sem verificar o conteúdo literal dos trechos.
Raio-X da questão
interpretação de texto literário
diagnostico
compreensão leitora avançada · análise de textos literários
estudo de interpretação e análise textual
Confundir informações explícitas com inferências ou não relacionar os trechos para responder corretamente.
pensamento_critico
literario
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