Todo mundo que era contra a ditadura era comunista. Todos se tornaram suspeitos, subversivos em potencial. O…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Todo mundo que era contra a ditadura era comunista. Todos se tornaram suspeitos, subversivos em potencial. O comunista estava na fronteira, atrás da porta, na sombra, na igreja, na escola, no cinema, no teatro, na música, no Exército, o comunista vendia pipoca, estava disfarçado em balés, óperas, podia ser seu vizinho, podia estar debaixo da sua cama, poluir o reservatório de água, dopar os bebedouros. (p. 90) [Charge de André Dahmer com três quadrinhos, onde o personagem diz: "O bem combate o mal." / "O bem tortura o mal." / "O bem mata e oculta o cadáver do mal." "Ainda bem que estamos do lado do bem."] Assim como no trecho citado, a tirinha de André Dahmer também constrói uma ironia. Ambas as ironias têm como alvo certo discurso oficial, que se pauta na ideia de: (UERJ 2027)
- A) construção da paz
- B) defesa do orgulho
- C) justificativa da violência
- D) negação do maniqueísmo
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique a ironia do trecho. O texto diz que todos os opositores da ditadura eram 'comunistas', que o comunista estava em toda parte e podia ser qualquer pessoa. Esse exagero absurdo ridiculariza a paranoia do discurso oficial, que transformava qualquer crítica em ameaça subversiva.
- Identifique a ironia da charge. Os quadrinhos mostram a sequência 'o bem combate o mal', 'o bem tortura o mal', 'o bem mata e oculta o cadáver do mal' e, por fim, 'ainda bem que estamos do lado do bem'. Na progressão, a violência é apresentada como legítima desde que praticada em nome do 'bem', e o humor vem do contraste entre a brutalidade dos atos e a tranquilidade da conclusão.
- Descubra o alvo comum. Nos dois casos, a ironia critica um discurso oficial que divide a sociedade entre 'nós', os defensores da ordem e do bem, e 'eles', os inimigos a serem combatidos. Esse discurso justifica a repressão e a violência do Estado contra quem é rotulado como ameaça.
- Verifique a resposta. A alternativa C, 'justificativa da violência', é a que reúne esse alvo. A alternativa A é oposta, pois o discurso ironizado não constrói a paz. A alternativa B não se relaciona com a crítica, pois não há defesa de orgulho nos textos. A alternativa D está errada porque o discurso ironizado é justamente maniqueísta, isto é, divide o mundo entre bem e mal, e não o nega.
💡 Dica: Analise a ironia presente no texto e na tirinha para identificar o discurso oficial criticado.
Alternativa por alternativa
O aluno pode supor que, como a ditadura se apresentava como garantidora da ordem, o discurso oficial buscava a paz, e não percebe que a ironia denuncia a violência praticada em nome dessa ordem.
Por que engana: Confundir ironia com afirmação direta, interpretando literalmente o discurso oficial criticado.
O aluno pode associar o discurso oficial a sentimentos de exaltação nacional ou de orgulho patriótico e não reconhece que os trechos tratam de medo, perseguição e violência, e não de orgulho.
CORRETA. A ironia presente tanto no trecho quanto na tirinha critica o discurso oficial que justifica a violência como meio de combater o 'mal'.
O aluno pode entender que a charge critica a divisão simplista entre bem e mal e, por isso, achar que o alvo é negar o maniqueísmo; na verdade, o discurso ironizado é que se apoia no maniqueísmo ao separar 'nós do bem' e 'inimigos do mal'.
Raio-X da questão
ironias sobre discurso oficial
diagnostico
interpretação de texto histórico
estude ironia e discurso oficial na ditadura
Confundir ironia com afirmação direta, interpretando literalmente o discurso oficial criticado.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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