Há quem desdenhe das imagens e das representações visuais. Há quem alegue que elas não passam de “ilustrações”…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Há quem desdenhe das imagens e das representações visuais. Há quem alegue que elas não passam de “ilustrações” que simplesmente decoram e alegram os ambientes, os jornais, as paredes das casas e dos museus – seriam inocentes. Da minha parte, sou dessas pessoas que vivem tomadas pela potência das imagens e pelo poder que elas têm de revelar e criar valores, ideias, concepções de mundo. Por isso, não raro, viram elas mesmas a própria realidade. É esse o poder reflexivo das imagens e das obras visuais, pois ao reproduzir um contexto elas acabam, ao fim e ao cabo, por criá-lo. Transformam-se em parte constitutiva da imaginação. Muitas vezes lembramos, ou achamos que lembramos, de um evento a partir e por causa de uma imagem guardada num canto da memória. É possível dizer que nossa imaginação histórica é feita a partir de imaginários alheios; das construções visuais feitas por outras pessoas com seus interesses, contextos e especificidades. LILIA SCHWARCZ Adaptado de nexojornal.com.br, 22/11/2021. Uma imagem que exemplifica a capacidade de construção da imaginação histórica, conforme enfatizado pela autora, é: (UERJ 2024)
- A) “Vista da Cidade Maurícia” [atual Recife], Franz Post, 1647.
- B) “Proclamação da República”, Benedito Calixto, 1893.
- C) “Ponte de Santa Efigênia”, [atual centro de São Paulo], Jean-Baptiste Debret, 1827.
- D) “Os operários”, Tarsila do Amaral, 1933.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Entenda o argumento da autora. Lilia Schwarcz defende que as imagens não são inocentes ilustrações: elas revelam e criam valores, ideias e concepções de mundo, e acabam moldando a nossa imaginação histórica, de modo que muitas vezes lembramos de um evento por causa de uma imagem que guardamos na memória. Para responder, procuramos a obra que reconstrói um acontecimento histórico e que passou a fazer parte da memória coletiva desse acontecimento. Passo 2: A alternativa B é a correta. A 'Proclamação da República', de Benedito Calixto, representa um evento histórico marcante, e a sua imagem se tornou uma referência visual para a forma como muitas pessoas imaginam esse momento, ou seja, ela ajuda a construir a memória do fato, exatamente como a autora descreve. Passo 3: A alternativa A está errada porque a vista de Franz Post registra uma paisagem da cidade no período holandês, sem reconstruir um evento que passe a ser lembrado a partir da imagem. Passo 4: A alternativa C está errada porque a obra de Debret retrata uma cena urbana do cotidiano do século XIX, como registro de costumes e paisagem, sem criar um acontecimento na memória histórica. Passo 5: A alternativa D está errada porque a obra de Tarsila do Amaral tem caráter modernista e social, ligada à representação de trabalhadores, e não reconstrói um evento histórico que oriente a imaginação sobre o passado. Passo 6: Conclusão: a imagem que melhor exemplifica a capacidade de construção da imaginação histórica é a que apresenta um acontecimento e, ao fazê-lo, passa a orientar a forma como ele é lembrado, ou seja, a alternativa B.
💡 Dica: Analise como a imagem influencia a construção da memória histórica.
Alternativa por alternativa
Acredita que qualquer imagem antiga de uma cidade serve como prova de que a imaginação histórica foi construída, tratando o registro documental da paisagem como se fosse uma reconstrução de evento na memória.
Por que engana: Confundir imagens históricas decorativas com aquelas que influenciam a construção da memória e imaginação histórica.
CORRETA. A pintura de Benedito Calixto sobre a Proclamação da República é um exemplo clássico de como imagens constroem a imaginação histórica, pois cristaliza um momento simbólico da história do Brasil e influencia a memória coletiva sobre o evento.
Supõe que uma pintura do século XIX sobre a cidade é um retrato neutro e objetivo do passado, por isso a associa à ideia de construção da memória sem perceber que o texto fala de representações com interesses e contextos.
Interpreta a ideia de criação de imaginário como sinônimo de inovação estética ou de vanguarda artística, e não como capacidade de a imagem moldar a memória de acontecimentos históricos.
Raio-X da questão
imaginação histórica e imagens
diagnostico
interpretação de imagens históricas · contexto histórico das obras
estude o papel das imagens na construção da história e memória coletiva
Confundir imagens históricas decorativas com aquelas que influenciam a construção da memória e imaginação histórica.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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