O governo militar, sob a chefia do general Emílio Garrastazu Médici, não poupou esforços para transformar as…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
O governo militar, sob a chefia do general Emílio Garrastazu Médici, não poupou esforços para transformar as comemorações dos 150 anos da Independência numa enorme celebração nacional. Seu ponto alto? A vinda de Portugal dos restos mortais de nosso primeiro imperador, Dom Pedro I. Em 1971, o presidente de Portugal concordou em transladar e presentear o Brasil com os restos mortais do imperador, deixando claro que o coração não viria e permaneceria na cidade do Porto, já que o próprio D. Pedro o deixou, em testamento, à cidade. O presidente Médici expressou, em rede nacional de televisão e rádio: “Brasileiros, não posso esconder minha emoção. Fala por si mesmo este fato que nenhuma eloquência poderia superar: no ano em que celebramos o Sesquicentenário da nossa Independência, regressará ao Brasil o corpo daquele que, em Sete de Setembro, às margens do Ipiranga, com a bravura, o arroubo e a paixão que eram a marca de sua personalidade, proclamou livres estas terras.” Mas, quase como uma anedota, o caixão feito em Portugal não coube no lugar onde deveria ser colocado na Capela Imperial, no Ipiranga. Apenas quatro anos depois do Sesquicentenário da Independência, o sarcófago de D. Pedro I foi devidamente disposto no mausoléu para ele construído. O governo brasileiro requereu a Portugal que, no âmbito das comemorações dos 200 anos da Independência, enviasse para o Brasil o coração de Dom Pedro, guardado numa igreja da cidade do Porto. O pedido tem o seu quê de bizarro. Imagino que a miudeza real vá ser exposta e contemplada no Brasil, o que me parece sinceramente ficar aquém da data. Uma celebração competente do Bicentenário da Independência devia incluir, além do coração de Dom Pedro, um rim de José Bonifácio, o pâncreas de Thomas Cochrane, o fígado de Cipriano Barata e, talvez para dar um toque de ironia à cerimônia, um dente de Tiradentes. Creio que, com esse rodízio de vísceras, ficaria a efeméride mais bem assinalada. Os textos apresentam ações governamentais associadas ao Sesquicentenário da Independência do Brasil, em 1972, e a seu Bicentenário, em 2022. Um aspecto comum dessas ações governamentais é: (UERJ 2023)
- A) culto ufanista de protagonistas oficiais
- B) enaltecimento patriótico da unidade lusa
- C) reparação histórica de heranças europeias
- D) reabilitação contemporânea da continuidade monárquica
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Identifique o que os dois textos têm em comum. O primeiro descreve o governo Médici transformando as comemorações dos 150 anos da Independência em uma grande celebração nacional, com o traslado dos restos mortais de Dom Pedro I como ponto alto e a fala presidencial exaltando o imperador como herói fundador. O segundo, embora com tom irônico, trata do pedido do governo brasileiro para trazer o coração de Dom Pedro no Bicentenário, e o autor critica essa celebração centrada em relíquias de figuras históricas.
- Analise a alternativa A. Ela fala em culto ufanista de protagonistas oficiais. Os dois textos mostram exatamente isso: o Estado elege figuras heroicas (Dom Pedro I, José Bonifácio, Cochrane, Cipriano Barata, Tiradentes) e as celebra de forma exaltada, com forte apelo patriótico e simbólico. Esta é a alternativa correta.
- Analise a alternativa B. Ela fala em enaltecimento da unidade lusa, mas os textos não exaltam Portugal como unidade; Portugal aparece apenas como o país que entrega os restos mortais e guarda o coração, sem nenhuma celebração de união luso-brasileira.
- Analise a alternativa C. Ela fala em reparação histórica de heranças europeias, o que não aparece em nenhum dos textos. Não há reparação de herança europeia; o foco é a glorificação de figuras nacionais.
- Analise a alternativa D. Ela fala em reabilitação da continuidade monárquica. Dom Pedro I é lembrado, mas os textos não defendem a monarquia nem a continuidade do regime. O governo militar exalta um herói da Independência, e o segundo texto ironiza a celebração, sem qualquer defesa de retorno monárquico.
- Conclusão. A alternativa A é a única que descreve o aspecto comum às ações governamentais dos dois textos: a celebração ufanista de protagonistas oficiais.
💡 Dica: Analise as ações governamentais e identifique o aspecto comum entre elas.
Alternativa por alternativa
CORRETA. A alternativa destaca o culto ufanista aos protagonistas oficiais, evidenciado pela grandiosidade das comemorações e a valorização simbólica de Dom Pedro I pelo governo militar.
O aluno pode ter associado a presença de Portugal no traslado e na guarda do coração a uma valorização da união entre Brasil e Portugal. Assim, interpreta a relação luso-brasileira como o tema central, quando ela é apenas um meio para a celebração brasileira.
Por que engana: Confundir o enaltecimento patriótico com reparação histórica ou continuidade monárquica, interpretando literalmente as ações simbólicas.
O aluno pode ter lido a ironia do segundo texto como crítica a heranças europeias e imaginado uma reparação histórica. Assim, atribui às ações do governo um sentido de reparação, que não aparece nos textos.
O aluno pode ter achado que a menção a Dom Pedro I, imperador, indica valorização da monarquia. Assim, confunde a exaltação de uma figura histórica com a defesa de um regime monárquico.
Raio-X da questão
ações governamentais e independência
avaliacao
história do Brasil imperial · história do Brasil republicano
Estude o contexto histórico das comemorações da independência do Brasil e o uso político dessas celebrações.
Confundir o enaltecimento patriótico com reparação histórica ou continuidade monárquica, interpretando literalmente as ações simbólicas.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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