A ARTE DE ENGANAR Em seu livro Pernas pro ar, Eduardo Galeano recorda que, na era vitoriana, era proibido…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Utilizar as diferentes linguagens, levando em conta seus funcionamentos, para a compreensão e produção de textos e discursos em diversos campos de atuação social.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
A ARTE DE ENGANAR Em seu livro Pernas pro ar, Eduardo Galeano recorda que, na era vitoriana, era proibido mencionar “calças” na presença de uma jovem. Hoje em dia, diz ele, não cai bem utilizar certas expressões perante a opinião pública: “O capitalismo exibe o nome artístico de economia de mercado; imperialismo se chama globalização; suas vítimas se chamam países em via de desenvolvimento; oportunismo se chama pragmatismo; despedir sem indenização nem explicação se chama flexibilização laboral” etc. A lista é longa. Acrescento os números preconceitos que carregamos: ladrão é sonegador; lobista é consultor; fracasso é crise; especulação é derivativo; latifúndio é agronegócio; desmatamento é investimento rural; lavanderia de dinheiro escuso é paraíso fiscal; acumulação privada de riqueza é democracia; socialização de bens é ditadura; governar a favor da maioria é populismo; tortura é constrangimento ilegal; invasão é intervenção; peste é pandemia; magricela é anoréxica. Eufemismo é a arte de dizer uma coisa e acreditar que o público escuta ou lê outra. É um jeitinho de escamotear significados. De tentar encobrir verdades e realidades. Posso admitir que pertenço à terceira idade, embora esteja na cara: sou velho. Ora, poderia dizer que sou seminovo! Como carros em revendedoras de veículos. Todos velhos! Mas o adjetivo seminovo os torna mais vendáveis. Coitadas das palavras! Elas são distorcidas para que a realidade, escamoteada, permaneça como está. Não conseguem, contudo, escapar da luta de classes: pobre é ladrão, rico é corrupto. Pobre é viciado, rico é dependente químico. Em suma, eufemismo é um truque semântico para tentar amenizar os fatos. Frei Betto Adaptado de O Dia, 21/03/2015. Em sua origem grega, o termo “eufemismo” significa “palavra de bom agouro” ou “palavra que deseja o bem”. Como figura de linguagem, indica um recurso que suaviza alguma ideia ou expressão mais chocante. Na crônica, o autor enfatiza o aspecto negativo dos eufemismos, que serviriam para distorcer a realidade. De acordo com o autor, o eufemismo camufla a desigualdade social no seguinte exemplo: (UERJ 2016)
- A) fracasso é crise (l. 8)
- B) peste é pandemia (l. 11)
- C) magricela é anoréxica (l. 11)
- D) rico é corrupto (l. 18)
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- A questão pede o exemplo, citado pelo autor, em que o eufemismo encobre a desigualdade social. Passo 2: No texto, após a menção à luta de classes, o autor escreve: pobre é ladrão, rico é corrupto. Essa frase mostra como a linguagem distorce a realidade social, atribuindo ao pobre um rótulo de criminoso e ao rico um rótulo mais suave, que oculta a origem desigual dos problemas. Passo 3: Por isso a alternativa D, rico é corrupto (l. 18), é a correta, e coincide com o gabarito oficial. Passo 4: A alternativa A está errada, pois fracasso é crise trata de um eufemismo econômico genérico e não de classes sociais. Passo 5: A alternativa B está errada, pois peste é pandemia é um eufemismo ligado à saúde pública, sem relação direta com desigualdade social. Passo 6: A alternativa C está errada, pois magricela é anoréxica é um eufemismo sobre aparência física e não sobre desigualdade entre classes. Conclusão: a única alternativa que aponta a distorção ligada à desigualdade social é a D.
💡 Dica: Analise o texto para identificar como o eufemismo camufla desigualdades sociais.
Alternativa por alternativa
O aluno pode achar que qualquer eufemismo que suaviza um problema econômico já revela a desigualdade social. Ele não percebe que fracasso é crise trata de uma palavra genérica sobre economia, sem referência a classes.
Por que engana: Confundir o uso do eufemismo com simples sinônimos ou não relacionar com crítica social presente no texto.
O aluno pode entender que todo eufemismo que disfarça um mal grave, como uma doença, serve para camuflar a desigualdade social. Ele não distingue um problema de saúde pública de uma diferença entre grupos sociais.
O aluno pode tomar como exemplo central o trecho sobre preconceito e aparência, achando que a crítica ao corpo basta para indicar desigualdade. Ele não percebe que o autor associa o eufemismo às classes sociais, e não à estética.
CORRETA. O exemplo 'rico é corrupto' mostra como o eufemismo pode camuflar a desigualdade social ao atribuir diferentes termos para comportamentos semelhantes de pessoas de classes sociais distintas.
Raio-X da questão
eufemismo e desigualdade social
diagnostico
figuras de linguagem · interpretação de texto
estude figuras de linguagem e suas funções sociais
Confundir o uso do eufemismo com simples sinônimos ou não relacionar com crítica social presente no texto.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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