É MENINA É menina, que coisa mais fofa, parece com o pai, parece com a mãe, parece um joelho, upa, upa, não…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
É MENINA É menina, que coisa mais fofa, parece com o pai, parece com a mãe, parece um joelho, upa, upa, não chora, isso é choro de fome, isso é choro de sono, isso é choro de chata, choro de menina, igualzinha à mãe, achou, sumiu, achou, não faz pirraça, coitada, tem que deixar chorar, vocês fazem tudo o que ela quer, isso vai crescer mimada, eu queria essa vida pra mim, dormir e mamar, aproveita enquanto ela ainda não engatinha, isso daí quando começa a andar é um inferno, daqui a pouco começa a falar, daí não para mais, ela precisa é de um irmão, foi só falar, olha só quem vai ganhar um irmãozinho, tomara que seja menino pra formar um casal, ela tá até mais quieta depois que ele nasceu, parece que ela cuida dele, esses dois vão ser inseparáveis, ela deve morrer de ciúmes, ele já nasceu falante, menino é outra coisa, desde que ele nasceu parece que ela cresceu, já tá uma menina, quando é que vai pra creche, ela não larga dessa boneca por nada, já podia ser mãe, já sabe escrever o nomezinho, quantos dedos têm aqui, qual é a sua princesa da Disney preferida, quem você prefere, o papai ou a mamãe, quem é o seu namoradinho, quem é o seu príncipe da Disney preferido, já se maquia nessa idade, é apaixonada pelo pai, cadê o Ken, daqui a pouco vira mocinha, eu te peguei no colo, só falta ficar mais alta que eu, finalmente largou a boneca, já tava na hora, agora deve tá pensando besteira, soube que virou mocinha, ganhou corpo, tenho uma dieta boa pra você, a dieta do ovo, a dieta do tipo sanguíneo, a dieta da água gelada, essa barriga só resolve com cinta, que corpão, essa menina é um perigo, vai ter que voltar antes de meia-noite, o seu irmão é diferente, menino é outra coisa, vai pela sombra, não sorri pro porteiro, não sorri pro pedreiro, quem é esse menino, se o seu pai descobrir, ele te mata, esse menino é filho de quem, cuidado que homem não presta, não pode dar confiança, não vai pra casa dele, homem gosta é de mulher difícil, tem que se dar valor, homem é tudo igual, segura esse homem, não fuxica, não mexe nas coisas dele, tem coisa que é melhor a gente não saber, não pergunta demais que ele te abandona, o que os olhos não veem o coração não sente, quando é que vão casar, ele tá te enrolando, morar junto é casar, quando é que vão ter filho, ele tá te enrolando, barriga pontuda deve ser menina, é menina. Gregorio Duvivier Folha de São Paulo, 16/09/2013. A crônica de Gregorio Duvivier é construída em um único parágrafo com uma única frase. Essa frase começa e termina pela mesma expressão: é menina. Em termos denotativos, a menina, referida no final do texto, pode ser compreendida como: (UERJ 2015)
- A) filha da primeira
- B) ideal de pureza
- C) mulher na infância
- D) sinal de transformação
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- A questão pede o sentido denotativo, ou seja, o sentido literal, de menina no final do texto. Sentido denotativo é o significado objetivo e direto da palavra, sem carga figurada.
- No fim da crônica, 'é menina' refere-se ao bebê recém-nascido de sexo feminino, que é filha da mãe citada ao longo do texto. Por isso, a leitura literal é que a menina é a filha da primeira pessoa mencionada, a mãe, ou seja, a filha de quem está sendo tratado no texto. A alternativa A é a única que traduz essa relação literal de parentesco.
- A alternativa B está errada porque 'ideal de pureza' é uma leitura simbólica, que atribui à menina uma qualidade abstrata que o texto não nomeia.
- A alternativa C está errada porque 'mulher na infância' é uma figura de linguagem, uma contradição proposital, já que o texto fala de uma criança recém-nascida, e não de uma mulher adulta em formação.
- A alternativa D está errada porque 'sinal de transformação' é um sentido figurado, que vê na menina um símbolo de mudança, algo que o texto sugere de forma indireta, mas não afirma literalmente.
- Conclusão: a alternativa A corresponde ao gabarito oficial e é a única que traz um sentido literal e verificável no próprio texto.
💡 Dica: Analise o uso da expressão 'é menina' no início e no fim do texto para entender seu sentido denotativo.
Alternativa por alternativa
CORRETA. A palavra 'menina' no texto, em seu sentido denotativo, refere-se à filha da primeira, ou seja, a criança real mencionada na crônica.
O aluno trata a expressão como símbolo e interpreta a menina como encarnação de uma qualidade abstrata, como a inocência associada à infância. Isso confunde o sentido figurado, que o texto sugere, com o sentido literal pedido.
Por que engana: Confundir o sentido denotativo com conotativo ou interpretar a menina como um conceito abstrato em vez de uma pessoa real no texto.
O aluno acredita que a expressão mulher na infância descreve literalmente a menina, sem perceber que se trata de uma contradição figurada. O erro está em tomar uma figura de linguagem como definição objetiva.
O aluno associa o nascimento da menina à ideia de mudança na família e conclui que ela é um símbolo de transformação. Esse raciocínio parte de uma leitura interpretativa do contexto, e não do significado literal da palavra.
Raio-X da questão
interpretação de texto literário
avaliacao
interpretação de texto literário
estudo de figuras de linguagem e interpretação de crônicas
Confundir o sentido denotativo com conotativo ou interpretar a menina como um conceito abstrato em vez de uma pessoa real no texto.
pensamento_critico
literario
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