Ao reorganizar a praça central de um pequeno município do interior, a prefeitura decidiu transferir para um…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Ao reorganizar a praça central de um pequeno município do interior, a prefeitura decidiu transferir para um depósito uma antiga coluna de pedra, usada como ponto de encontro “no pé do cruzeiro”. Um professor da rede pública pediu que a peça fosse estudada antes da mudança. Ele registrou: a coluna tem cerca de 1,5 m, traz uma pequena cruz entalhada no topo e, abaixo dela, letras gastas que lembram iniciais e números. Moradores mais velhos contam que seus avós marcavam ali o início da “terra de fulano” e que, por muito tempo, as procissões passavam pelo local para “abençoar os caminhos”. No arquivo da paróquia há menção a doações de terras feitas por um proprietário à igreja, mas não há planta do terreno. Interprete as informações do texto e identifique o significado histórico mais provável desse vestígio para o grupo que o instalou no passado.
- A) Afirmação da autoridade luso-católica para demarcar posse e organizar o espaço colonial.
- B) Afirmação de resistência escrava, usando símbolos religiosos para negar a propriedade privada da terra.
- C) Afirmação de valores republicanos, celebrando a ruptura política com a monarquia portuguesa.
- D) Afirmação de uma identidade operária, vinculada à industrialização e ao trabalho assalariado urbano.
- E) Afirmação de uma memória indígena de origem do lugar, independente de marcos de propriedade.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Reúna os dados do texto. A coluna tem uma cruz entalhada no topo, letras e números que lembram iniciais, serve para marcar o início da 'terra de fulano' e era ponto das procissões que 'abençoavam os caminhos'. Juntos, esses elementos indicam um marco de divisa ligado à religião católica. Passo 2: Relacione com a documentação. O arquivo da paróquia registra doações de terras feitas por um proprietário à igreja. Mesmo sem planta, isso mostra que a posse da terra era organizada com o apoio da Igreja, e a coluna funcionava como sinal visível dessa posse. Passo 3: Conclua o significado histórico. O vestígio afirma a posse da terra e a autoridade do grupo luso-católico que organizava o espaço, o que é típico do período colonial e das sociedades rurais de posse. Portanto, a alternativa A está correta e coincide com o gabarito oficial. Passo 4: Veja por que as outras estão erradas. A alternativa B contraria o texto, porque a coluna marca propriedade, e não a negação dela, além de não haver nenhum indício de resistência escrava. A alternativa C associa a cruz a valores republicanos, mas nada no texto remete à ruptura com a monarquia. A alternativa D projeta uma identidade operária e urbana, quando o texto descreve um contexto rural, religioso e de posse de terras. A alternativa E atribui a marcação a uma memória indígena independente de propriedade, mas a presença da cruz, da igreja e das doações de terra aponta para o oposto.
💡 Dica: Analise o texto e relacione os símbolos e relatos ao contexto histórico colonial.
Alternativa por alternativa
Cruz, iniciais e uso como limite e rota de procissão sugerem marcação territorial associada à fé católica e ao poder local na colonização.
O aluno toma a cruz e a bênção das procissões como sinal de contestação da propriedade privada, lendo a religião como arma de resistência e não como instrumento de demarcação.
Por que engana: Confundir símbolos religiosos com manifestações de resistência ou identidades posteriores, como operária ou indígena.
O aluno associa qualquer monumento de pedra com símbolo cívico e acredita que a cruz remete à ruptura com a monarquia, sem considerar o contexto religioso e rural do texto.
O aluno se deixa levar pela imagem de praça central e de cidade, pensando em trabalho urbano e industrial, e ignora que o texto descreve um contexto rural e de posse de terras.
O aluno confunde a tradição oral dos moradores mais velhos com memória indígena e supõe que o marco nasce de uma origem ancestral sem relação com propriedade, ignorando a menção a doações de terras e à igreja.
Raio-X da questão
símbolos históricos e identidade colonial
diagnostico
colonização portuguesa no Brasil · função dos símbolos religiosos
Estude o papel dos símbolos religiosos e marcos territoriais na colonização.
Confundir símbolos religiosos com manifestações de resistência ou identidades posteriores, como operária ou indígena.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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