Ao folhear o livro-caixa de um comerciante do Rio de Janeiro, datado de 1872, uma pesquisadora encontrou…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os mecanismos e as dinâmicas de comércio de escravizados em suas diferentes fases, identificando os agentes responsáveis pelo tráfico e as regiões e zonas africanas de procedência dos escravizados.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Ao folhear o livro-caixa de um comerciante do Rio de Janeiro, datado de 1872, uma pesquisadora encontrou anotações repetidas. Em uma delas, lê-se: “Pagamento do frete no vapor costeiro: 18 cativos, procedentes de Salvador. Comissão ao corretor do Valongo por ‘intermediar a entrega’. Despesa com hospedagem no depósito até a retirada pelo comprador”. Em outra, o mesmo comerciante registra: “Venda fechada com fazendeiro de Vassouras; envio por tropa para o interior; custo extra por ‘papéis de transferência’”. Quase não há menção a viagens longas ou a “chegadas do outro lado do mar”, mas aparecem muitas entradas com nomes de portos brasileiros e cobranças por intermediação. A pesquisadora concluiu que o documento ajuda a entender uma fase específica do comércio de pessoas escravizadas no Brasil. Analise as pistas do livro-caixa e identifique a dinâmica do comércio de escravizados e os principais agentes que a sustentavam nesse contexto.
- A) Predomínio de contratação de imigrantes livres, mediada por fazendeiros e governos, com pagamento de salários e passagens
- B) Predomínio de escambo de açúcar por cativos, conduzido por senhores de engenho e comerciantes em rotas coloniais regulares
- C) Predomínio do tráfico atlântico direto da África, controlado por capitães negreiros e feitorias europeias no litoral africano
- D) Predomínio do tráfico interno entre províncias, organizado por corretores, comerciantes e transportadores até áreas cafeeiras
- E) Predomínio da escravização indígena, baseada em guerras e apresamentos, com atuação principal de bandeirantes no interior
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Identifique as pistas do texto. O livro-caixa de 1872 registra o frete de 18 cativos por vapor costeiro vindos de Salvador, uma comissão a corretor do Valongo, despesas de hospedagem em depósito até a retirada pelo comprador, uma venda a fazendeiro de Vassouras (área cafeeira do Vale do Paraíba fluminense) e envio por tropa para o interior. Há muitos nomes de portos brasileiros e quase nenhuma menção a viagens transatlânticas.
- Interprete a dinâmica. Os cativos são transportados por cabotagem entre portos do próprio Brasil (Salvador para o Rio de Janeiro) e depois redistribuídos para o interior, em direção às lavouras de café. Isso caracteriza o tráfico interprovincial (interno), que se intensificou após o fim do tráfico atlântico em 1850 e que abastecia sobretudo as regiões cafeeiras do Centro-Sul.
- Identifique os agentes. Os corretores cobravam por intermediar negócios, comerciantes organizavam a compra e a venda, transportadores (donos de vapores e tropeiros) faziam o deslocamento, e fazendeiros do interior eram os compradores. Os 'papéis de transferência' indicam a formalização burocrática das transações.
- Analise as alternativas erradas. A descreve imigração livre com salários, que é o oposto do trabalho cativo registrado no documento. B fala em escambo de açúcar, sem relação com a venda de pessoas registrada no livro. C descreve o tráfico atlântico direto, que as pistas excluem por causa da ausência de viagens longas e de chegadas do outro lado do mar. E trata da escravização indígena por bandeirantes, um fenômeno dos séculos XVI e XVII, incompatível com um livro de 1872 e com o comércio de cativos africanos.
- Conclusão. A alternativa D é a única coerente com as pistas: predomínio do tráfico interno, com corretores, comerciantes e transportadores atendendo as áreas cafeeiras. O gabarito oficial está correto.
💡 Dica: Analise as pistas do texto para identificar o tipo de comércio e os agentes envolvidos.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter associado o fim da escravidão à substituição por trabalhadores imigrantes e ignorado que o livro-caixa registra cativos sendo comprados e vendidos.
O aluno pode ter se fixado na palavra 'comércio' e no período colonial, imaginando trocas de mercadorias como o açúcar, sem perceber que o texto trata da venda de pessoas.
O aluno pode ter pensado que todo comércio de escravizados era feito pelo tráfico atlântico, lembrando-se de Valongo e de portos africanos, e não percebeu que o texto menciona apenas portos brasileiros e a ausência de viagens longas.
Por que engana: Confundir o tráfico interno com o tráfico atlântico ou interpretar incorretamente os agentes envolvidos no comércio.
Portos brasileiros, comissão e envio ao interior indicam redistribuição interna, com intermediários e transporte ligando oferta e demanda.
O aluno pode ter confundido a escravização de africanos com a escravização indígena do período colonial, ligando bandeirantes e apresamentos a qualquer comércio de cativos, sem considerar a cronologia de 1872.
Raio-X da questão
comércio interno de escravizados
diagnostico
escravidão no Brasil imperial · tráfico atlântico de escravizados
Estude o tráfico interno e os agentes do comércio de escravizados no Brasil imperial.
Confundir o tráfico interno com o tráfico atlântico ou interpretar incorretamente os agentes envolvidos no comércio.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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