Papéis reunidos em um processo fictício de 1848 registram a chegada noturna de uma embarcação a uma praia do…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os mecanismos e as dinâmicas de comércio de escravizados em suas diferentes fases, identificando os agentes responsáveis pelo tráfico e as regiões e zonas africanas de procedência dos escravizados.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Papéis reunidos em um processo fictício de 1848 registram a chegada noturna de uma embarcação a uma praia do litoral fluminense. O manifesto do navio indicava o transporte de madeira, mas moradores relataram a retirada apressada de pessoas africanas, conduzidas a uma fazenda do interior. Nos depoimentos, aparece o pagamento a barqueiros locais, o uso de casas afastadas para esconder os recém-chegados e a presença de um negociante encarregado de avisar compradores. Desde 1831, a entrada de africanos escravizados era proibida por lei no Brasil. Mesmo assim, os envolvidos esperavam vender essas pessoas a proprietários rurais antes da fiscalização. O processo não informa o destino do navio antes de alcançar a costa brasileira. Interprete os indícios do processo e identifique a dinâmica que explica a continuidade desse comércio em 1848.
- A) A manutenção do tráfico dependia da substituição de pessoas escravizadas por trabalhadores livres nas fazendas.
- B) A manutenção do tráfico dependia de uma rede clandestina que unia transportadores, facilitadores locais e compradores rurais.
- C) A manutenção do tráfico dependia da aplicação imediata da lei de 1831 por autoridades de todas as províncias.
- D) A manutenção do tráfico dependia do transporte regular de mercadorias autorizado pelas autoridades brasileiras.
- E) A manutenção do tráfico dependia exclusivamente de africanos, sem participação de agentes instalados no Brasil.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia o enunciado com atenção. O processo mostra um navio que declarava carga de madeira, mas que, na verdade, desembarcava africanos escravizados à noite, em praia do litoral fluminense, já em 1848, quando o tráfico era proibido desde a lei de 1831.
- Identifique os indícios de organização. Há pagamento a barqueiros locais (transporte do desembarque até a terra), uso de casas afastadas para esconder os recém-chegados (abrigo clandestino), um negociante encarregado de avisar compradores (intermediação e venda) e a remoção apressada das pessoas para uma fazenda do interior (destino final nos proprietários rurais). Cada etapa envolve um tipo de agente diferente.
- Conclua a dinâmica. A continuidade do comércio dependia de uma rede clandestina que articulava quem transportava, quem recebia e escondia em terra e quem comprava. A alternativa B descreve exatamente essa articulação.
- Analise as outras alternativas. A afirma uma substituição de escravizados por trabalhadores livres, algo que o processo não menciona. C supõe que a lei de 1831 estava sendo aplicada com rigor em todas as províncias, o que os indícios contradizem, pois o desembarque ocorreu sem fiscalização eficaz. D atribui o comércio a um transporte autorizado, mas o caráter noturno, o disfarce de carga e a fuga da fiscalização mostram o contrário. E nega a participação de agentes no Brasil, quando justamente os barqueiros, os facilitadores e os compradores locais são o núcleo da prova.
- Observe a limitação do texto. O processo não informa o destino do navio antes da costa brasileira, o que impede saber a origem da viagem, mas não afeta a resposta, pois a pergunta trata da dinâmica interna que sustentava o tráfico em território brasileiro.
💡 Dica: Analise os indícios do texto para compreender a dinâmica do comércio ilegal de escravizados.
Alternativa por alternativa
O aluno associa o fim do tráfico a uma transição para o trabalho livre e acredita que o processo trata de substituição de mão de obra nas fazendas. O texto não fala de trabalhadores livres, apenas de pessoas desembarcadas clandestinamente para venda.
Correta. A falsa carga, o desembarque oculto, os pagamentos locais e os compradores mostram uma rede que sustentava o tráfico ilegal.
O aluno supõe que, após 1831, a proibição já estaria aplicada de forma imediata e uniforme em todo o país, e por isso não enxerga por que o comércio continuaria. Ele ignora que a lei existia no papel, mas a fiscalização era falha e havia interesse dos envolvidos em burlá-la.
O aluno confunde a carga declarada no manifesto (madeira) com uma atividade legal e entende que o transporte era regular e autorizado. Não percebe que o disfarce de carga e o desembarque noturno indicam justamente ilegalidade.
O aluno imagina que o tráfico dependia apenas de quem vinha da África, sem agentes locais, e não nota que barqueiros, abrigos e negociantes no Brasil são os elementos centrais descritos no processo.
Raio-X da questão
comércio ilegal de escravizados
diagnostico
história da escravidão no Brasil · leis abolicionistas brasileiras
Estude a história da escravidão e leis abolicionistas no Brasil.
Confundir a proibição legal com o fim imediato do comércio ilegal de escravizados.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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