— Você tem um corpo leve, combina mais com a lira. Deixa as bases de força para eles — comentou o instrutor…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar criticamente preconceitos, estereótipos e relações de poder presentes nas práticas corporais, adotando posicionamento contrário a qualquer manifestação de injustiça e desrespeito a direitos humanos e valores democráticos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Você tem um corpo leve, combina mais com a lira. Deixa as bases de força para eles — comentou o instrutor, ao distribuir funções no ensaio de um espetáculo de circo contemporâneo num centro cultural. No grupo havia pessoas com diferentes idades, corpos, identidades de gênero e experiências. Uma participante com deficiência auditiva relatou que as marcações eram dadas sempre “de costas” e sem combinar sinais; um rapaz disse ter sido desencorajado a fazer o número “poético” por “parecer pouco masculino”; outra integrante ouviu que sua presença no cartaz “poderia distrair o público”. Ao final, as decisões ficaram concentradas no instrutor, e alguns passaram a evitar propor movimentos, com medo de serem ridicularizados. Na reunião seguinte, o coletivo propôs mudanças para que a prática corporal mantivesse qualidade artística sem reproduzir desigualdades. Analise as situações descritas e identifique a decisão do coletivo que mais enfrenta estereótipos e relações de poder na prática corporal, sem excluir participantes.
- A) Escolher um integrante diverso para o cartaz e manter direção e distribuição de papéis como estavam, para “melhorar a imagem”.
- B) Separar ensaios por “nível”, deixando iniciantes e pessoas com deficiência apenas como figurantes na cena final.
- C) Trocar o tema do espetáculo por algo “neutro”, evitando qualquer menção a gênero, corpo ou diferença no roteiro.
- D) Manter as funções fixas por biotipo, para valorizar o “talento natural” e reduzir conflitos no ensaio.
- E) Criar rodízio de papéis com treino gradual e coautoria nas marcações, para desvincular corpo e função cênica.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Identifique os problemas descritos no texto. O instrutor distribui funções por biotipo ("corpo leve" para a lira, "bases de força" para outros); há marcações dadas de costas e sem sinais, excluindo a participante com deficiência auditiva; há desencorajamento de um rapaz por "parecer pouco masculino"; a presença de outra integrante no cartaz é questionada; e as decisões ficam concentradas no instrutor, levando o grupo a evitar propor movimentos por medo de ridicularização.
- Verifique o que a decisão precisa resolver. A pergunta pede a medida que enfrente estereótipos e relações de poder sem excluir ninguém. Ou seja, ela deve atacar a ligação automática entre corpo, gênero ou deficiência e função cênica, e também a concentração de decisões no instrutor.
- Analise a alternativa E. O rodízio de papéis com treino gradual quebra a associação fixa entre corpo e função, pois todos podem experimentar diferentes papéis. A coautoria nas marcações redistribui o poder de decisão, que deixa de ficar só com o instrutor. O treino gradual preserva a qualidade artística e permite a inclusão. Logo, a E é a melhor resposta.
- Por que as outras estão erradas. A: trocar apenas a imagem do cartaz mantém intactas as hierarquias e as funções, sendo uma solução superficial. B: separar por nível exclui pessoas com deficiência e iniciantes, contrariando a exigência de não excluir. C: eliminar temas de gênero, corpo e diferença evita o problema em vez de enfrentá-lo e ainda apaga a discussão. D: manter funções por biotipo é exatamente a reprodução do estereótipo denunciado no texto.
- Conclusão. Concordo com o gabarito oficial, E, pois é a única decisão que combina inclusão, redistribuição de poder e desconstrução de estereótipos corporais.
💡 Dica: Analise as atitudes do coletivo que promovem inclusão e enfrentam estereótipos.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que representar diversidade na divulgação já resolve a discriminação, sem mexer nas funções e na hierarquia de decisão.
Por que engana: Escolher alternativas que mantêm exclusão ou reforçam estereótipos em vez de promover inclusão.
O aluno entende que separar por nível organiza melhor o trabalho, sem perceber que isso rebaixa pessoas com deficiência e iniciantes a figurantes, reproduzindo a exclusão.
O aluno acha que retirar o tema da diferença elimina o preconceito, quando o problema está na prática e nas relações de poder, não apenas no roteiro.
O aluno aceita a ideia de 'talento natural' ligado ao biotipo como fato, sem reconhecer que esse critério é justamente o estereótipo que o texto denuncia.
Redistribui poder e questiona associações estereotipadas, garantindo participação com adaptação e qualidade artística.
Raio-X da questão
inclusão e diversidade na arte
diagnostico
estereótipos e diversidade cultural · práticas inclusivas na arte
Estude estereótipos, diversidade e práticas inclusivas na arte.
Escolher alternativas que mantêm exclusão ou reforçam estereótipos em vez de promover inclusão.
multiculturalismo
pensamento_critico
cotidiano
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