Num pequeno acervo comunitário do litoral da Tanzânia, um caderno reúne lembranças atribuídas a moradores da…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar e contextualizar o protagonismo das populações locais na resistência ao imperialismo na África e Ásia.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Num pequeno acervo comunitário do litoral da Tanzânia, um caderno reúne lembranças atribuídas a moradores da África Oriental sob domínio alemão, no início do século XX. Um dos relatos descreve que fiscais coloniais passaram a exigir o plantio de algodão e o pagamento de novas taxas. Em resposta, aldeias vizinhas combinaram entre si não entregar a colheita, esconder alimentos e atacar postos de cobrança. O texto também menciona que um líder religioso circulava entre as comunidades, oferecendo uma “água protetora” e afirmando que ela fortaleceria os combatentes. Mulheres, jovens e anciãos aparecem organizando rotas, avisos e abrigo para grupos que se deslocavam pela mata. A repressão colonial foi violenta, mas o relato insiste que a decisão de enfrentar as ordens foi tomada “pela gente da terra”. Interprete o texto-base e identifique que aspecto do protagonismo local na resistência ao imperialismo ele evidencia.
- A) Mobilização de uma elite urbana que limitou a resistência a petições e reformas legais sem participação popular.
- B) Mobilização de colonos europeus que buscou ampliar seus privilégios políticos dentro da administração imperial.
- C) Mobilização de chefes locais que priorizou acordos com fiscais coloniais para manter o sistema de taxas e trabalho.
- D) Mobilização camponesa que articulou crenças locais e ações coletivas para contestar imposições coloniais no cotidiano.
- E) Mobilização de exércitos estrangeiros rivais que transformou a região em palco de disputa entre potências europeias.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Identifique o núcleo do texto. Fiscais coloniais alemães impõem plantio obrigatório de algodão e novas taxas. As aldeias respondem com ação coletiva: combinam não entregar a colheita, escondem alimentos e atacam postos de cobrança. Um líder religioso oferece a água protetora, que fortaleceria os combatentes, e mulheres, jovens e anciãos organizam rotas, avisos e abrigo. O relato afirma que a decisão foi tomada pela gente da terra. Isso aponta para a resistência de camponeses da África Oriental alemã, conhecida como revolta Maji Maji (1905-1907), que o próprio texto não nomeia.
- Compare com o que se pede. A questão quer o aspecto do protagonismo local na resistência ao imperialismo. O foco está na participação popular organizada, com crenças locais (a água protetora) e ações coletivas (boicote, sabotagem, apoio logístico) que contestam ordens coloniais no dia a dia. A alternativa D descreve exatamente isso.
- Por que as outras estão erradas. A: a elite urbana limitando-se a petições e reformas não aparece no texto, que mostra mobilização ampla e de base, não de elites. B: colonos europeus buscando privilégios dentro da administração são o oposto do relato, pois os colonos são os opressores. C: chefes locais negociando com fiscais para manter o sistema contraria a recusa coletiva descrita no texto. E: exércitos estrangeiros rivais disputando a região não aparecem no relato, que trata de moradores locais.
- Conclusão. Concordo com o gabarito oficial, D, pois a alternativa reconhece o protagonismo camponês e a articulação entre crenças e ações coletivas contra as imposições coloniais.
💡 Dica: Leia atentamente o texto e relacione as ações descritas com o tipo de mobilização social.
Alternativa por alternativa
O aluno associa resistência anticolonial a movimentos de elites urbanas letradas que usam canais legais, ignorando que o texto descreve mobilização popular de base.
Por que engana: Confundir o protagonismo camponês com elites urbanas ou forças externas, ignorando a participação popular descrita.
O aluno confunde os sujeitos da questão e acredita que os colonos europeus eram protagonistas da contestação, quando eles são os agentes da imposição colonial.
O aluno supõe que chefes locais atuavam como intermediários que negociavam com os fiscais, sem perceber que o texto registra recusa coletiva das ordens e não acordos.
O relato destaca aldeias organizando boicote, abrigo e ataques, com símbolos religiosos locais, mostrando iniciativa e organização dos moradores contra o domínio colonial.
O aluno se deixa levar pela ideia de disputa entre potências europeias, típica de análises da partilha da África, e não identifica que o texto trata de moradores locais.
Raio-X da questão
protagonismo local na resistência
diagnostico
colonialismo e imperialismo · movimentos sociais locais
estude formas de resistência colonial e mobilização social local
Confundir o protagonismo camponês com elites urbanas ou forças externas, ignorando a participação popular descrita.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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