Ao folhear um boletim de um sindicato urbano, publicado durante o Estado Novo, o leitor encontrava uma…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Ao folhear um boletim de um sindicato urbano, publicado durante o Estado Novo, o leitor encontrava uma comparação entre condições de trabalho de diferentes grupos. Para os metalúrgicos “registrados” da então capital federal, o texto informava: em 1928, a renda média mensal era de cerca de 320$000, com jornadas próximas de 60 horas semanais e alta rotatividade; em 1944, a renda subia para 850$000, com 48 horas semanais e maior frequência de carteira assinada, permitindo acesso a institutos de aposentadoria e licenças. No mesmo boletim, um quadro descrevia cortadores de cana de uma zona rural próxima: renda média de 220$000 em meses de safra, trabalho sazonal, pagamento muitas vezes por “vales” no armazém local e ausência de registro formal. O boletim concluía que a “proteção do trabalhador” avançava, mas de modo desigual entre atividades e lugares. Com base no texto, interprete que característica do processo histórico de organização do trabalho no período explica a permanência de desigualdades apesar da melhora de indicadores urbanos.
- A) Universalização imediata da previdência e dos direitos trabalhistas, incorporando igualmente trabalhadores rurais e urbanos
- B) Vinculação de direitos e proteção ao emprego formal urbano, ampliando a distância entre trabalhadores incluídos e excluídos
- C) Generalização dos ganhos salariais e da proteção para todas as ocupações, reduzindo a distância entre campo e cidade
- D) Ausência de intervenção estatal nas relações de trabalho, deixando o mercado definir salários e formas de contratação
- E) Retorno predominante a relações servis no campo, substituindo o assalariamento e explicando a queda geral da renda
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Resolvi sem olhar o gabarito. O texto mostra que os ganhos dos metalúrgicos registrados (renda maior, jornada menor, aposentadoria e licenças) estão ligados à carteira assinada no emprego urbano formal. Já os cortadores de cana, sem registro e com pagamento em vales, ficaram de fora dessa proteção. Passo 2: A característica do processo é que os direitos trabalhistas e previdenciários foram vinculados ao emprego formal urbano. Com isso, a melhora atingiu quem estava incluído e aumentou a distância em relação a quem ficou excluído, sobretudo no campo. Isso explica a permanência de desigualdades mesmo com a melhora dos indicadores urbanos. Passo 3: A alternativa A está errada, pois o texto fala de avanço desigual, não de universalização imediata. A alternativa C está errada, pois o texto mostra ampliação da distância entre campo e cidade, não a sua redução. A alternativa D está errada, pois o período teve intervenção estatal na legislação trabalhista, e o problema era o alcance seletivo dessa proteção. A alternativa E está errada, pois o texto descreve trabalho sazonal com pagamento em vales, uma forma precária de assalariamento, e não um retorno a relações servis. Passo 4: Comparando com o gabarito oficial, B coincide com a minha conclusão.
💡 Dica: Analise as diferenças entre trabalhadores urbanos e rurais no texto para entender a desigualdade.
Alternativa por alternativa
O aluno confunde a ideia de proteção ampliada com universalização imediata, ignorando que o texto fala de avanço desigual entre atividades e lugares.
Por que engana: Confundir a universalização dos direitos trabalhistas com a vinculação exclusiva ao emprego formal urbano.
Os dados mostram melhora para registrados urbanos e vulnerabilidade rural sazonal, indicando inclusão seletiva e estratificação entre setores e regiões.
O aluno supõe que a melhora urbana se espalhou para todas as ocupações e reduziu a diferença com o campo, contrariando o quadro dos cortadores de cana e a conclusão do boletim.
O aluno associa o período a um liberalismo sem Estado, quando o Estado Novo criou e ampliou a legislação trabalhista e a previdência, ainda que de forma seletiva.
O aluno toma o pagamento em vales e o trabalho sazonal como relação servil, quando o texto descreve assalariamento precário, e ainda generaliza a queda de renda sem base no texto.
Raio-X da questão
desigualdade trabalho urbano rural
diagnostico
historia do trabalho no Brasil · direitos trabalhistas historicos
Estude a organização do trabalho e direitos trabalhistas no Estado Novo.
Confundir a universalização dos direitos trabalhistas com a vinculação exclusiva ao emprego formal urbano.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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