Cerca de 7 em cada 10 mulheres ocupadas, em um levantamento fictício sobre uso do tempo numa capital…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Cerca de 7 em cada 10 mulheres ocupadas, em um levantamento fictício sobre uso do tempo numa capital brasileira, relataram reduzir horas de trabalho remunerado para cuidar de crianças, idosos ou da casa. No mesmo estudo, homens declararam dedicar, em média, metade do tempo semanal às tarefas domésticas em comparação às mulheres. Em uma audiência pública, uma gerente de supermercado afirmou que “muitas funcionárias recusam promoção porque o turno muda”, enquanto um vereador defendeu que “cada família se organiza como quer”. Já um coletivo de mães apresentou relatos de cobrança social: vizinhos e parentes criticam mulheres que “deixam filho com creche” e elogiam homens que “ajudam em casa”, como se fosse favor. O município discute ampliar vagas em educação infantil e flexibilizar horários em serviços públicos. Analise as evidências do texto e identifique o argumento sociológico que melhor explica a persistência da desigualdade descrita, articulando dimensões culturais e econômicas.
- A) A persistência resulta de escolhas individuais livres, sem pressão social, bastando maior esforço para equilibrar tarefas.
- B) A persistência resulta de normas coletivas coercitivas que naturalizam papéis de gênero e produzem efeitos econômicos desiguais.
- C) A persistência resulta apenas da exploração no local de trabalho, independente do que ocorre na esfera doméstica.
- D) A persistência resulta de diferenças biológicas entre homens e mulheres, que determinariam aptidões para o cuidado.
- E) A persistência resulta apenas de decisões municipais sobre serviços, sem relação com expectativas sociais.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Identifique o fenômeno descrito. O texto mostra que mulheres ocupadas reduzem horas de trabalho remunerado para cuidar da casa e de dependentes, enquanto homens dedicam bem menos tempo às tarefas domésticas. Isso mostra uma desigualdade que persiste na divisão do trabalho de cuidado.
- Analise a dimensão cultural. Vizinhos e parentes criticam mulheres que deixam filhos na creche e elogiam homens que 'ajudam em casa' como se fosse favor. Isso revela normas sociais que naturalizam o cuidado como tarefa feminina e sancionam quem foge desse papel.
- Analise a dimensão econômica. A gerente relata que funcionárias recusam promoção porque o turno muda, e mulheres reduzem horas remuneradas. Assim, a divisão desigual do cuidado gera efeitos econômicos desiguais, como menor renda, menos promoções e menor participação no mercado de trabalho.
- Articule as duas dimensões. A alternativa B afirma que normas coletivas, que atuam por pressão social, naturalizam papéis de gênero e produzem efeitos econômicos desiguais. Essa é a explicação que integra cultura e economia, que é o que a questão pede.
- Por que as outras estão erradas. A alternativa A ignora a pressão social descrita no texto e atribui tudo a escolhas individuais, o que o próprio relato do coletivo de mães contraria. A alternativa C reduz a desigualdade à exploração no trabalho e ignora a esfera doméstica, que é central no texto. A alternativa D recorre a explicações biológicas que o texto não sustenta, pois a desigualdade é social. A alternativa E atribui tudo a decisões municipais e desconsidera as expectativas sociais, que são o foco da discussão.
- Conclusão: o gabarito oficial B está correto e é a melhor resposta.
💡 Dica: Relacione as normas de gênero às consequências na divisão do trabalho e nas oportunidades econômicas.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a desigualdade depende apenas de escolhas livres e de esforço individual, desconsiderando a pressão social descrita no texto.
Por que engana: Atribuir a desigualdade apenas às escolhas individuais, às diferenças biológicas ou às decisões do município, ignorando como normas coletivas ligam cuidado, gênero e oportunidades econômicas.
As cobranças sociais relatadas mostram que expectativas coletivas associam o cuidado às mulheres e tratam a participação masculina como favor. Essa divisão afeta também o trabalho remunerado, como indica a recusa de promoções devido à mudança de turno.
O aluno vê a desigualdade apenas como exploração no trabalho e não percebe que a divisão das tarefas domésticas também a produz.
O aluno atribui diferenças de comportamento a causas biológicas, confundindo papéis sociais aprendidos com determinações naturais.
O aluno acredita que a desigualdade se resolve apenas com decisões administrativas, sem perceber que as expectativas sociais sustentam o problema.
Raio-X da questão
Normas de gênero e desigualdade
avaliacao
Normas sociais e papéis de gênero · Desigualdade no trabalho doméstico
Revise como normas sociais de gênero organizam o trabalho doméstico e remunerado e reproduzem desigualdades econômicas.
Atribuir a desigualdade apenas às escolhas individuais, às diferenças biológicas ou às decisões do município, ignorando como normas coletivas ligam cuidado, gênero e oportunidades econômicas.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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