Entre papéis de uma antiga associação operária, um pesquisador reuniu números ilustrativos sobre 1913, no…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Entre papéis de uma antiga associação operária, um pesquisador reuniu números ilustrativos sobre 1913, no estado de São Paulo. Na folha de pagamento de uma tecelagem da capital, havia 620 empregados: 55% mulheres e 18% menores. O salário médio mensal era de 120 mil-réis para homens adultos, 75 mil-réis para mulheres e 45 mil-réis para menores, com jornada de 10 horas. Em cadernos de uma fazenda de café do oeste paulista, 90 famílias trabalhavam no colonato: a renda média por família, somando a venda do café e “bicos”, foi de 95 mil-réis no mês, mas 40% terminaram devendo ao armazém da própria fazenda. No mesmo local, diaristas (muitos ex-escravizados) recebiam 2 mil-réis por dia quando chamados, sem garantia de dias de serviço. Analise os indicadores de renda e de tipo de vínculo de trabalho apresentados e conclua que interpretação relaciona melhor esses dados ao processo de estratificação social no início da República.
- A) Reconhecer que a maior renda média do colonato prova melhor distribuição de renda no meio rural do que no urbano
- B) Reconhecer que a expansão do assalariamento eliminou hierarquias e igualou rendas entre campo e cidade
- C) Reconhecer que gênero, idade e condição de contratação segmentaram oportunidades e produziram desigualdades persistentes
- D) Reconhecer que a diferença salarial na tecelagem decorreu apenas da produtividade e indica ausência de desigualdade social
- E) Reconhecer que a dívida no armazém resultou de consumo excessivo e não se relacionou às regras do trabalho no colonato
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Analisei os três cenários separadamente. Na tecelagem, mulheres (55%) e menores (18%) recebiam bem menos que homens adultos: 75 e 45 mil-réis contra 120 mil-réis por mês, com a mesma jornada de 10 horas. Passo 2: No colonato, a renda média de 95 mil-réis parece superior aos salários urbanos, mas 40% das famílias terminaram devendo ao armazém da própria fazenda, ou seja, parte da renda era absorvida por dívidas. Passo 3: Entre os diaristas, o pagamento de 2 mil-réis por dia dependia de chamada, sem garantia de dias de serviço, o que indica vínculo precário e instabilidade, especialmente para ex-escravizados. Passo 4: Conclusão: a estratificação não se explica apenas pelo valor da renda média, mas pela combinação de gênero, idade e forma de contratação, que segmentou oportunidades e produziu desigualdades que persistiram no início da República. Passo 5: A alternativa A está errada porque a renda média isolada não prova melhor distribuição, já que quase metade das famílias ficou endividada. Passo 6: A alternativa B está errada porque os dados mostram diferenças salariais e vínculos desiguais, não igualdade entre campo e cidade. Passo 7: A alternativa D está errada porque não há base nos dados para atribuir toda a diferença salarial à produtividade, e os indicadores apontam justamente para desigualdade. Passo 8: A alternativa E está errada porque a dívida decorria das regras do colonato, em especial do armazém da fazenda, e não de consumo excessivo. Passo 9: Portanto, o gabarito oficial C está correto e coincide com a minha resolução.
💡 Dica: Analise as diferenças de renda e vínculo de trabalho para entender a estratificação social.
Alternativa por alternativa
Tomou a renda média nominal do colonato como prova de melhor distribuição, sem considerar que 40% das famílias terminaram devendo ao armazém e que a renda era instável.
Acreditou que o assalariamento, por si só, elimina hierarquias e iguala rendas, ignorando as diferenças salariais por gênero e idade e os vínculos precários.
Os salários distintos na fábrica e a instabilidade/endividamento no campo indicam segmentação do trabalho e estratificação.
Aceitou a explicação de que as diferenças salariais refletem apenas produtividade, usando a intuição do senso comum e ignorando que os dados mostram discriminação por gênero e idade.
Por que engana: Confundir diferenças salariais com ausência de desigualdade social ou interpretar dívidas como consumo excessivo sem relação com trabalho.
Atribuiu a dívida ao consumo excessivo das famílias e desconsiderou que o armazém da própria fazenda fazia parte das regras de trabalho e pagamento do colonato.
Raio-X da questão
estratificação social, renda, trabalho
avaliacao
desigualdade social histórica · relações de trabalho no Brasil
Estude desigualdades sociais e relações de trabalho no início da República.
Confundir diferenças salariais com ausência de desigualdade social ou interpretar dívidas como consumo excessivo sem relação com trabalho.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
Questões parecidas com resolução
- Nos classificados de um jornal paulistano de 1928, uma tecelagem anunciava: “Aceitam-se aprendizes (12 a 15 anos) e…
- “Aqui, na tecelagem, a gente ganha menos que os homens da metalúrgica”, registrou uma operária ao comentar as mudanças…
- Dados ilustrativos de uma vistoria industrial realizada em São Paulo no início de 1925 apontam diferenças claras na…
- Levantamento de fontes oficiais do início do século XX revela dados sobre a economia brasileira em 1920. Do total de 22…
- Ao revisar relatórios do Serviço de Estatística do Estado de São Paulo, observei indicadores sobre empregos em 1920…
- Dados ilustrativos: entre 1905 e 1910, as fábricas têxteis de São Paulo registraram o ingresso de 12 mil trabalhadores…
🔎 Procurar outra questão
Procure no banco do GeraProva pelo tema ou por um trecho do enunciado. Cada questão já vem com resolução comentada e a análise de cada alternativa.
Professor: monte a prova com questões como esta, com gabarito e folha de respostas, em 30 segundos. Ver planos · Blog
