Por que uma casa pode dizer tanto sobre quem vive nela? Numa comunidade ribeirinha de varzea, as moradias…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que uma casa pode dizer tanto sobre quem vive nela? Numa comunidade ribeirinha de varzea, as moradias ficam sobre estacas, com escadas removiveis e area de secagem de peixe voltada para o lado do rio. No barranco, marcas antigas de nivel d'agua ajudam a decidir quando plantar nas partes mais baixas e quando recolher redes. Em noites de mutirao, os mais velhos ensinam a trancar a canoa no periodo de correnteza forte e a reconhecer, pelo som do vento, a mudanca rapida do tempo. Um projeto habitacional propõe substituir as palafitas por casas padronizadas de alvenaria, em terreno mais alto, a 6 km do porto. Parte dos moradores teme perder "o jeito de viver do rio", enquanto outros defendem o conforto e a seguranca da obra. Com base no texto, identifique a avaliacao que melhor relaciona os objetos e vestigios descritos a conhecimentos, valores, crencas e praticas que constituem a identidade do grupo.
- A) Inferir que a identidade do grupo decorre de limites administrativos do assentamento, e nao de usos e significados do lugar
- B) Concluir que a identidade se reduz ao tipo de moradia, independentemente das rotinas e dos saberes locais
- C) Entender que as marcas de cheia e as palafitas expressam saberes de adaptacao ao rio que orientam o cotidiano coletivo
- D) Considerar que o projeto altera pouco a identidade, ja que o deslocamento espacial nao interfere nas praticas do grupo
- E) Afirmar que a mudanca para casas padronizadas preserva a identidade, pois a cultura depende apenas da memoria individual
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- A pergunta pede a avaliação que relaciona objetos e vestígios (palafitas, escadas removíveis, área de secagem, marcas de nível d'água) a conhecimentos, valores, crenças e práticas que formam a identidade do grupo. Passo 2: Ao analisar o texto, vê-se que cada objeto ou vestígio tem uma função prática ligada ao rio: as palafitas e escadas removíveis lidam com a variação do nível da água, a área de secagem aproveita o peixe, e as marcas antigas orientam o plantio e o recolhimento das redes. Passo 3: Os saberes transmitidos nos mutirões, como trancar a canoa na correnteza forte e reconhecer a mudança do tempo pelo som do vento, mostram que esse conhecimento é coletivo e passado de geração em geração. Passo 4: A alternativa C reúne esses elementos: as marcas de cheia e as palafitas expressam saberes de adaptação ao rio que orientam o cotidiano coletivo, o que corresponde exatamente à relação pedida. Passo 5: A alternativa A está errada porque o texto não fala em limites administrativos, mas em usos e significados do lugar. Passo 6: A alternativa B está errada porque reduz a identidade ao tipo de moradia, ignorando as rotinas e os saberes locais, que o texto destaca. Passo 7: A alternativa D está errada porque o texto mostra que a mudança espacial ameaça o jeito de viver do rio, justamente porque as práticas estão ligadas ao lugar. Passo 8: A alternativa E está errada porque o texto apresenta a cultura como saber compartilhado em mutirões, e não como memória individual. Conclusão: a alternativa correta é a C, coincidindo com o gabarito oficial.
💡 Dica: Relacione os elementos do texto com os saberes e práticas culturais do grupo.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a identidade de um grupo depende de fronteiras administrativas ou oficiais, e não das práticas e dos significados que as pessoas dão ao espaço.
O aluno confunde identidade cultural com aparência material, supondo que a casa define sozinha o grupo e desconsiderando as rotinas, os saberes e os valores transmitidos.
Por que engana: Confundir identidade cultural com aspectos físicos isolados, sem considerar práticas e saberes locais.
Integra cultura material (palafitas, marcas) e imaterial (ensinamentos, mutirao) como base identitaria ligada ao territorio da varzea.
O aluno interpreta que mudar de lugar não afeta práticas culturais, talvez por intuição de que pessoas se adaptam facilmente, sem perceber que o texto liga os saberes ao rio e ao terreno.
O aluno entende que a cultura é apenas memória individual e que a moradia padronizada não interfere, ignorando que o texto descreve saberes coletivos transmitidos em mutirões.
Raio-X da questão
identidade cultural e territorial
avaliacao
cultura e identidade social · território e meio ambiente
estude a relação entre cultura, território e práticas sociais
Confundir identidade cultural com aspectos físicos isolados, sem considerar práticas e saberes locais.
multiculturalismo
pensamento_critico
cotidiano
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