No fim da tarde, ao passar pelo bairro antigo de um porto, vi a fachada de um galpao reformado virar vitrine…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No fim da tarde, ao passar pelo bairro antigo de um porto, vi a fachada de um galpao reformado virar vitrine: miniaturas de canoas, redes penduradas como decoracao e camisetas com desenhos de peixes. Na calcada ao lado, dois moradores mais velhos remendavam uma rede de pesca, explicando a um jovem como ajustar o tamanho da malha para nao capturar peixe pequeno. Disseram que, antes de sair ao mar, ainda repetem uma breve reza ensinada pelos avos e observam a direcao do vento e a altura da mare para decidir o horario de partida. Contaram tambem que, em certas noites, a comunidade se junta para puxar a rede na praia ao som de cantos ritmados, e depois reparte parte do pescado entre familias que nao conseguiram ir ao mar. Interprete os vestigios e praticas descritos e identifique o traço identitario que melhor expressa como esse grupo organiza sua vida e seu pertencimento ao espaco costeiro.
- A) Centralidade do individualismo e da propriedade privada como principio de organizacao do trabalho e distribuicao do pescado
- B) Centralidade da producao em larga escala e da mecanizacao como estrategia para garantir permanencia no territorio
- C) Centralidade do consumo turistico e da estetizacao do bairro como base da continuidade cultural do grupo
- D) Centralidade da cooperacao e do saber tradicional sobre mar, vento e mare na reproducao do modo de vida
- E) Centralidade da devocao religiosa, independente da atividade produtiva e da organizacao comunitaria local
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Identifique os vestígios e práticas descritos no texto: a fachada reformada em vitrine (com miniaturas de canoas, redes e camisetas com peixes), os moradores mais velhos ensinando o jovem a ajustar a malha da rede para não capturar peixe pequeno, a reza transmitida pelos avós, a observação do vento e da maré para decidir o horário de saída, o puxar coletivo da rede ao som de cantos e a divisão do pescado com famílias que não puderam ir ao mar.
- Observe o que essas práticas têm em comum. O saber sobre o mar, o vento e a maré é transmitido de geração em geração, os mais velhos ensinam os mais jovens, a rede é puxada em conjunto e o pescado é repartido entre quem não pôde participar. Ou seja, a vida do grupo se organiza em torno da cooperação, do conhecimento tradicional e da reciprocidade, que sustentam o vínculo com o espaço costeiro.
- Compare com as alternativas. A alternativa D reúne exatamente esses elementos: cooperação e saber tradicional sobre mar, vento e maré como base da reprodução do modo de vida. Ela é a que melhor expressa o traço identitário descrito.
- Por que as outras estão erradas. A: o texto mostra o oposto do individualismo, pois o pescado é repartido coletivamente. B: não há produção em larga escala nem mecanização; a atividade é artesanal, com rede remendada à mão. C: o turismo aparece apenas como pano de fundo da vitrine, não como base da continuidade cultural. E: a religiosidade aparece como uma reza, mas está ligada à saída para o mar e à organização comunitária, não é independente delas.
- Conclusão: a alternativa correta é a D, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise as práticas e símbolos para identificar o traço cultural central do grupo.
Alternativa por alternativa
Interpretou a divisão do pescado e a rede como sinais de posse individual, ignorando que o texto descreve o puxar coletivo e a partilha com famílias que não foram ao mar.
Associou a atividade pesqueira a uma produção econômica em larga escala, sem perceber que o texto descreve trabalho artesanal, como o remendo manual da rede e a escolha da malha.
Tomou a fachada reformada transformada em vitrine como elemento central da identidade do grupo, quando ela aparece apenas como cenário turístico ao lado das práticas tradicionais.
Por que engana: Confundir a estetizacao e o turismo com a organizacao real da comunidade e seu modo de vida.
Os objetos (rede, canoa) e as praticas (ensino do oficio, leitura ambiental, cantos e partilha) indicam identidade ligada ao trabalho coletivo e ao conhecimento do mar.
Considerou a reza como o elemento principal, separando-a das atividades produtivas, quando o texto a liga diretamente à saída para o mar e à vida comunitária.
Raio-X da questão
saber tradicional e cooperacao comunitaria
diagnostico
comunidades tradicionais e cultura local
estudo sobre modos de vida e organizacao social em comunidades tradicionais
Confundir a estetizacao e o turismo com a organizacao real da comunidade e seu modo de vida.
multiculturalismo
pensamento_critico
cotidiano
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