Que historia cabe em um porao fechado ha seculos? Durante a reforma de um antigo armazem no porto de Livorno…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Que historia cabe em um porao fechado ha seculos? Durante a reforma de um antigo armazem no porto de Livorno (Italia), foram achados, sob o piso, objetos associados a moradores do seculo XVII: lamparinas com desenho de menorah, pratos de faiencia com iniciais em portugues, fragmentos de livro de oracoes em hebraico com anotacoes marginais em lingua romanca, e um registro notarial de uma confraria de ajuda mutua. Nesse registro, seus membros se identificavam como parte de uma “Nacao” e combinavam a distribuicao anual de alimentos com a participacao em uma procissao local, ajustando o calendario da confraria ao dia de um santo celebrado na cidade. Os materiais foram doados ao museu municipal, que preparou uma legenda unica para o conjunto. Interprete o conjunto de vestigios do texto-base e identifique a legenda que melhor avalia, por analogia com outras experiencias diasporicas, como objetos e praticas expressam a construcao de pertencimento no contexto descrito.
- A) A leitura que atribui os achados a ruptura completa com a origem, por adocao exclusiva de costumes da cidade.
- B) A leitura que define a identidade apenas pela funcao economica no porto, tornando crenas e rituais irrelevantes para o grupo.
- C) A leitura que entende os vestigios como prova de isolamento deliberado, com recusa de qualquer pratica compartilhada com a cidade.
- D) A leitura que explica o conjunto por padronizacao cultural imposta pelo Estado, apagando identidades comunitarias na cidade.
- E) A leitura que reconhece preservacao seletiva de marcadores de origem, combinada a adaptacoes a rotinas e festejos locais.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Os vestígios mostram marcadores de origem preservados: lamparinas com desenho de menorah, louça com iniciais em português, livro de orações em hebraico com anotações em língua românica. Isso indica que os moradores mantiveram sinais de sua procedência e de sua fé. Passo 2: O registro da confraria mostra adaptação à cidade. Os membros se identificavam como parte de uma 'Nação', mas combinavam a distribuição anual de alimentos com a participação em uma procissão local e ajustavam o calendário ao dia de um santo celebrado em Livorno. Passo 3: Logo, o conjunto expressa pertencimento por meio da preservação seletiva de marcadores de origem combinada a adaptações às rotinas e festejos locais, como diz a alternativa E, que é a leitura que melhor avalia o conjunto, por analogia com outras experiências diaspóricas em que comunidades mantêm símbolos próprios e participam da vida urbana. Passo 4: A alternativa A está errada porque fala em ruptura completa com a origem, o que é contrariado pelos objetos de origem preservados. Passo 5: A alternativa B está errada porque a função econômica não exclui crenças e rituais, e a menorah e o livro de orações mostram justamente o contrário. Passo 6: A alternativa C está errada porque o isolamento total é contrariado pela participação na procissão e pelo ajuste do calendário ao santo da cidade. Passo 7: A alternativa D está errada porque o texto não traz nenhuma padronização imposta pelo Estado; a confraria é uma iniciativa comunitária de ajuda mútua. Passo 8: Conclusão: a resolução confirma o gabarito oficial, letra E.
💡 Dica: Analise os vestígios e relacione-os com práticas de pertencimento em contextos históricos de diáspora.
Alternativa por alternativa
Acredita que adotar costumes da cidade implica abandonar completamente a origem, como se as duas coisas não pudessem coexistir.
Confunde identidade com função econômica e supõe que, por o grupo trabalhar no porto, suas crenças e rituais não teriam importância.
Interpreta a convivência discreta ou a presença de objetos próprios como prova de isolamento deliberado, ignorando a participação na procissão e no calendário local.
Por que engana: Confundir preservação cultural seletiva com isolamento total ou assimilação completa.
Supõe que toda organização na cidade é fruto de imposição estatal e que identidades comunitárias sempre são apagadas, sem considerar a iniciativa própria da confraria.
Os vestigios articulam lingua, culto e ajuda mutua com um calendario civico local, indicando pertencimento negociado tipico de grupos em diaspora.
Raio-X da questão
identidade e pertencimento histórico
avaliacao
compreensão de diáspora e identidade cultural
estude processos de construção de identidade em comunidades históricas e diásporas
Confundir preservação cultural seletiva com isolamento total ou assimilação completa.
multiculturalismo
pensamento_critico
historico
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