Uma escola analisou redações e gravações de estudantes em diferentes situações comunicativas. Em textos…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar o tratamento dado pela gramática tradicional e pelas gramáticas de uso contemporâneas em relação a diferentes tópicos gramaticais, de forma a perceber as diferenças de abordagem e o fenômeno da variação linguística e analisar motivações que levam ao predomínio do ensino da norma-padrão na escola.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Uma escola analisou redações e gravações de estudantes em diferentes situações comunicativas. Em textos formais revisados, predominou a construção “para eu apresentar o trabalho”. Em conversas espontâneas, também apareceu “para mim apresentar o trabalho”, especialmente quando os participantes reproduziam a fala cotidiana. Ao discutir os dados, um manual normativo recomendou a primeira construção para a escrita formal. Já uma gramática voltada à descrição do português brasileiro registrou as duas ocorrências, relacionando-as aos contextos em que foram encontradas. Considerando os dados apresentados e a finalidade de cada abordagem gramatical, qual comparação explica adequadamente a diferença entre a gramática tradicional e a gramática de uso contemporânea quanto às construções com pronomes após preposição?
- A) As duas gramáticas distinguem as construções apenas pela função sintática exercida pelo pronome.
- B) As duas gramáticas recomendam a mesma forma, mas a aplicam a situações comunicativas diferentes.
- C) A gramática tradicional prescreve uma forma para o padrão formal, enquanto a gramática de uso descreve formas associadas a diferentes situações comunicativas.
- D) A gramática tradicional seleciona as formas pela situação, enquanto a gramática de uso seleciona uma forma fixa.
- E) A gramática tradicional aceita as duas formas, enquanto a gramática de uso restringe uma delas ao padrão formal.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Os dados mostram duas construções, 'para eu apresentar' e 'para mim apresentar', usadas em contextos diferentes. No texto formal predomina 'para eu', e na fala espontânea aparece também 'para mim'. Isso já indica que a questão trata de forma adequada à situação, e não de uma regra única para todos os casos. Passo 2: O manual normativo recomenda a primeira construção para a escrita formal. Esse é o objetivo da gramática tradicional: prescrever o padrão considerado correto, sem descrever a variação real. Passo 3: A gramática voltada ao português brasileiro registra as duas ocorrências e as relaciona aos contextos em que aparecem. Esse é o objetivo da gramática de uso: descrever o que se faz na língua e associar cada forma à situação comunicativa. Passo 4: Comparando as alternativas, a C é a única que expressa essa diferença: a tradicional prescreve uma forma para o padrão formal, e a de uso descreve formas ligadas a diferentes situações. Passo 5: A alternativa A está errada porque o problema não é a função sintática do pronome, e sim a escolha da forma conforme a situação. A alternativa B está errada porque as gramáticas não recomendam a mesma forma, já que o manual recomenda apenas 'para eu'. A alternativa D está errada porque inverte as abordagens: a tradicional não seleciona por situação, e a de uso não impõe uma forma fixa. A alternativa E está errada porque a tradicional não aceita as duas formas como equivalentes; ela restringe o uso de 'para mim' com sujeito de verbo no infinitivo. Gabarito oficial C confirmado.
💡 Dica: Compare as normas tradicionais e contemporâneas sobre pronomes após preposição.
Alternativa por alternativa
O aluno acha que a diferença entre 'para eu' e 'para mim' depende apenas da função sintática do pronome, ignorando o papel da situação comunicativa apresentada nos dados.
O aluno supõe que as duas gramáticas indicam a mesma forma e divergem apenas na aplicação, quando o manual recomenda explicitamente 'para eu' e a gramática descritiva apenas registra as duas.
O manual normativo estabelece uma orientação para o padrão formal, privilegiando “para eu apresentar o trabalho”. A gramática de uso, por sua vez, observa ocorrências reais e relaciona as escolhas linguísticas aos contextos comunicativos, sem reduzir a análise a uma única forma válida em todas as situações. A resposta exige comparar a finalidade prescritiva da primeira abordagem com a finalidade descritiva da segunda, e não apenas identificar uma das construções.
O aluno inverte as finalidades: pensa que a tradicional escolhe a forma conforme o contexto e que a de uso impõe uma forma fixa, quando ocorre o contrário.
O aluno acredita que a gramática tradicional aceita as duas formas como equivalentes, enquanto a de uso restringiria uma delas, invertendo o papel de cada abordagem.
Por que engana: Confundir o uso de pronomes retos e oblíquos em contextos formais e informais, aplicando regras tradicionais a situações coloquiais.
Raio-X da questão
colocação pronominal após preposição
diagnostico
pronomes pessoais retos e oblíquos · normas gramaticais tradicionais
Estude o uso de pronomes retos e oblíquos após preposição em diferentes registros.
Confundir o uso de pronomes retos e oblíquos em contextos formais e informais, aplicando regras tradicionais a situações coloquiais.
pensamento_critico
cotidiano
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