— Eu num fui lá ontem, mermão, tava mó calor, comentou Carlos enquanto ajeitava o boné. — Eu não fui ao parque…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Reconhecer as variedades da língua falada, o conceito de norma-padrão e o de preconceito linguístico.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Eu num fui lá ontem, mermão, tava mó calor, comentou Carlos enquanto ajeitava o boné. — Eu não fui ao parque ontem, estava muito calor, corrigiu Ana com voz firme. — Fui ao parque ontem e aproveitei o clima quente, disse Bia, despreocupada. O professor disse em seguida: “Vocês devem falar sem gíria; só o português culto vale.” João retrucou: “Cada um fala de um jeito e isso não é errado.” Analise o texto-base e identifique o trecho que exemplifica preconceito linguístico.
- A) “Cada um fala de um jeito e isso não é errado.”
- B) — Eu num fui lá ontem, mermão, tava mó calor, comentou Carlos enquanto ajeitava o boné.
- C) — Fui ao parque ontem e aproveitei o clima quente, disse Bia, despreocupada.
- D) “Vocês devem falar sem gíria; só o português culto vale.”
- E) — Eu não fui ao parque ontem, estava muito calor, corrigiu Ana com voz firme.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O enunciado pede o trecho que exemplifica preconceito linguístico, isto é, uma atitude que despreza ou desqualifica uma variedade da língua falada por alguém. Passo 2: Lendo as falas, a da alternativa D é a que faz essa desqualificação. O professor afirma que os alunos devem falar sem gíria e que só o português culto vale, o que declara inferiores todas as demais variedades. Passo 3: A alternativa A é a resposta de João, que defende a diversidade de falas e combate esse tipo de julgamento; ela é um contraponto ao preconceito, não um exemplo dele. Passo 4: A alternativa B mostra a fala informal de Carlos, com gírias e marcas de oralidade, mas o texto não a condena; é apenas um exemplo de variedade coloquial. Passo 5: A alternativa C traz a fala de Bia, que usa linguagem comum e descontraída, sem qualquer julgamento sobre ela no texto. Passo 6: A alternativa E apresenta a correção de Ana, que usa a norma culta de forma clara, mas não desvaloriza a fala de ninguém. Passo 7: Conclusão: o único trecho em que alguém avalia uma forma de falar como inferior e a rejeita é a fala do professor, alternativa D. O gabarito oficial está correto.
💡 Dica: Leia o texto e identifique a fala que demonstra preconceito linguístico.
Alternativa por alternativa
O aluno pode entender que defender que 'cada um fala de um jeito' seja ele mesmo uma forma de preconceito, por contrariar a fala do professor. Confunde quem combate o preconceito com quem o pratica.
O aluno pode achar que a fala informal de Carlos, com 'num', 'mermão' e 'mó', seja o alvo do preconceito, por associar linguagem informal a erro. Não percebe que o texto não julga essa fala.
Por que engana: Confundir o uso de gírias com preconceito linguístico ou escolher falas que apenas apresentam variedades sem preconceito.
O aluno pode interpretar o tom despreocupado de Bia como desrespeito à norma culta e, por isso, vê-la como exemplo de preconceito. Lê o tom do texto como se fosse uma avaliação da linguagem.
Expressa avaliação negativa de variedades coloquiais, revelando preconceito linguístico contra falas não padronizadas.
O aluno pode achar que a correção feita por Ana, com voz firme, seja uma forma de humilhar Carlos e, portanto, preconceito. Confunde corrigir a norma culta com desprezar outra variedade.
Raio-X da questão
preconceito linguístico
diagnostico
variedades linguísticas
Estude o conceito de preconceito linguístico e variedades da língua portuguesa.
Confundir o uso de gírias com preconceito linguístico ou escolher falas que apenas apresentam variedades sem preconceito.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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