— Depois da Abolição, doutor, a vida melhorou mesmo? — perguntou um leitor ao cronista de um jornal…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar e analisar as demandas e os protagonismos políticos, sociais e culturais dos povos indígenas e das populações afrodescendentes (incluindo as quilombolas) no Brasil contemporâneo considerando a história das Américas e o contexto de exclusão e inclusão precária desses grupos na ordem social e econômica atual, promovendo ações para a redução das desigualdades étnico-raciais no país.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Depois da Abolição, doutor, a vida melhorou mesmo? — perguntou um leitor ao cronista de um jornal porto-alegrense, em 1895. Na resposta, ele comentou que muitos homens negros “vivem do que conseguem carregar e vender nas ruas”, disputando pequenos serviços perto do mercado e do cais, sem garantia de pagamento fixo. A fotografia ao lado, identificada como “Negros de Porto Alegre em 1895”, registra três trabalhadores com grandes cestos apoiados na cabeça. As roupas gastas e a postura de espera sugerem a oferta de força de trabalho em espaços públicos, em uma cidade que já vivia a República, mas ainda enfrentava desigualdades herdadas do regime escravista. Tomada como fonte histórica, a imagem permite discutir limites e permanências do pós-abolição no Brasil. Analise o texto-base e a fotografia e identifique a interpretação histórica que melhor avalia o que essa cena revela sobre a experiência de liberdade da população negra no pós-abolição.
- A) Indica a predominância do emprego industrial estável, com salários regulares e ascensão social rápida.
- B) Indica a permanência de ocupações precárias para libertos, diante da falta de políticas de integração social.
- C) Indica a adoção imediata de direitos trabalhistas amplos, que reduziram a desigualdade racial na República.
- D) Indica a continuidade legal do trabalho escravo urbano, mantido sem mudanças após 1888.
- E) Indica que a pobreza decorreu do desinteresse individual, e não de heranças sociais do período escravista.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Identifique o foco da questão. O enunciado pede a interpretação que melhor avalia o que a cena revela sobre a experiência de liberdade da população negra no pós-abolição, tomando a fotografia como fonte histórica.
- Reúna as pistas do texto-base. O cronista afirma que muitos homens negros vivem do que conseguem carregar e vender nas ruas, disputando pequenos serviços perto do mercado e do cais, sem garantia de pagamento fixo. A legenda fala em trabalhadores com grandes cestos na cabeça, roupas gastas e postura de espera, sugerindo oferta de força de trabalho em espaços públicos. Tudo isso aponta para trabalho informal e instável.
- Relacione com o contexto. A cidade vivia a República, mas enfrentava desigualdades herdadas do regime escravista. A liberdade formal de 1888 não veio acompanhada de políticas de integração, como acesso a terra, moradia, educação e emprego regular. Por isso a liberdade foi, em grande parte, precária.
- Escolha a alternativa correta. A alternativa B afirma a permanência de ocupações precárias para libertos diante da falta de políticas de integração social. Ela combina a evidência visual e textual com a análise histórica sobre limites e permanências do pós-abolição.
- Analise as erradas. A alternativa A contradiz a cena, pois o texto fala em trabalho sem garantia de pagamento fixo, e não em emprego industrial estável. A alternativa C é anacrônica e contraria o texto, que aponta desigualdades persistentes. A alternativa D distorce o fato histórico, já que a escravidão foi abolida em 1888 e não há continuidade legal dela. A alternativa E ignora as heranças sociais do escravismo que o próprio enunciado destaca.
💡 Dica: Analise o texto e a imagem para identificar a situação social dos negros no pós-abolição.
Alternativa por alternativa
O aluno supõe que a abolição levou automaticamente a empregos industriais estáveis e a ascensão rápida, sem notar a informalidade descrita no texto.
Por que engana: Confundir a liberdade formal com a igualdade social e econômica imediata após a abolição.
O texto menciona trabalho de rua e a foto mostra carregadores com cestos, sugerindo inserção precária e continuidade de desigualdades no pós-1888.
O aluno acredita que direitos trabalhistas amplos foram adotados logo após 1888 e que eles eliminaram a desigualdade racial, confundindo legislação posterior com realidade vivida.
O aluno interpreta a permanência de condições escravistas como continuidade legal da escravidão após 1888, confundindo práticas de exploração com a existência formal do regime.
O aluno aceita a ideia senso comum de que a pobreza é resultado apenas de falta de esforço individual, ignorando as heranças sociais do escravismo mencionadas no enunciado.
Raio-X da questão
pós-abolição e desigualdade racial
avaliacao
Abolição da escravidão no Brasil · Condições sociais pós-escravidão
Estude a história da abolição e as condições sociais dos negros após 1888.
Confundir a liberdade formal com a igualdade social e econômica imediata após a abolição.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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