— Viu o que escreveram no busto do escritor? — perguntou a mulher, parando diante da estátua. — Está cheio de…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar, a partir de referências contextuais, estéticas e culturais, efeitos de sentido decorrentes de escolhas e composição das imagens (enquadramento, ângulo/vetor, foco/profundidade de campo, iluminação, cor, linhas, formas etc.) e de sua sequenciação (disposição e transição, movimentos de câmera, remix, entre outros), das performances (movimentos do corpo, gestos, ocupação do espaço cênico), dos elementos sonoros (entonação, trilha sonora, sampleamento etc.) e das relações desses elementos com o verbal, levando em conta esses efeitos nas produções de imagens e vídeos, para ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de apreciação.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Viu o que escreveram no busto do escritor? — perguntou a mulher, parando diante da estátua. — Está cheio de rabiscos… Mas olha: dá para ler uma frase, como se fosse um verso — respondeu o rapaz. Na base do monumento, a inscrição identifica “Machado de Assis” e o apresenta como “escritor brasileiro (1839–1908)”. Sobre o bronze do rosto e do peito, porém, aparecem marcas de tinta e palavras dispersas, e, na pedra, outra escrita se destaca: “Dizem que somos loucos da cabeça”. A prefeitura anunciou que fará a limpeza “para recuperar a homenagem”. Já uma professora de Literatura fotografou a cena (como na imagem) e levou a foto para a sala, dizendo que, ali, o monumento “virou texto”: uma mistura de memória oficial com uma fala anônima, contemporânea, que muda o modo de olhar para o autor no espaço da cidade. Interprete, com base no texto-base e na fotografia, o efeito de sentido produzido pela escrita sobre a escultura identificada na placa.
- A) Recupera a intenção original do escultor, ao manter a obra imune às interferências do presente.
- B) Constrói um enunciado híbrido, ao pôr a memória oficial do autor em diálogo com uma fala urbana atual.
- C) Preserva o patrimônio, ao substituir a identificação da placa por uma forma de leitura mais acessível.
- D) Anula a importância do autor, ao sugerir que sua obra deve ser apagada da memória coletiva.
- E) Neutraliza o monumento, ao transformar a homenagem em mensagem turística sem posicionamento do enunciador.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Identifique o objeto de análise. O texto descreve a estátua de Machado de Assis, identificada pela placa com o nome e as datas (1839–1908), e uma escrita anônima e contemporânea sobre o bronze e na pedra: "Dizem que somos loucos da cabeça".
- Observe o contraste entre os dois discursos. A placa representa a memória oficial e institucional, consagrada, com o autor apresentado como "escritor brasileiro". A frase de rabiscos é uma fala coloquial, anônima e atual, que não tem autoria reconhecida nem caráter de homenagem.
- Analise o efeito produzido pela junção. Ao sobrepor as duas vozes no mesmo monumento, o espaço urbano passa a dialogar com o presente: a figura consagrada ganha uma leitura nova, mediada por um enunciado popular. Por isso a professora diz que o monumento "virou texto", uma mistura de memória oficial e fala contemporânea.
- Confira a alternativa correta. A alternativa B afirma exatamente isso: um enunciado híbrido que põe a memória oficial do autor em diálogo com uma fala urbana atual. Ela está correta.
- Verifique as demais. A alternativa A está errada, pois a escrita não preserva a intenção original do escultor; ela altera a obra com interferências do presente. A alternativa C está errada, pois a escrita não preserva o patrimônio nem substitui a identificação da placa, que permanece. A alternativa D está errada, pois não há sugestão de apagar o autor; a frase apenas reconfigura o olhar sobre ele. A alternativa E está errada, pois a escrita tem posicionamento e voz, não sendo uma mensagem turística neutra.
💡 Dica: Analise a relação entre a memória oficial e a fala contemporânea no texto e na imagem.
Alternativa por alternativa
O aluno entende que a escrita sobre o busto preserva a obra original e sua intenção, como se as marcas do presente não tivessem efeito sobre o sentido do monumento.
Por que engana: Confundir a fala contemporânea com uma tentativa de apagar ou neutralizar a memória oficial do autor.
Correta: a placa nomeia e consagra o escritor, enquanto as inscrições adicionam outra voz, criando diálogo e ressignificando o monumento como “texto” público.
O aluno acredita que a escrita serve para preservar o patrimônio e facilitar a leitura da placa, quando, na verdade, ela sobrepõe uma fala anônima à identificação oficial, sem substituí-la.
O aluno interpreta os rabiscos como ato de destruição da memória do autor, confundindo a sobreposição de uma fala nova com o apagamento da obra e da importância de Machado de Assis.
O aluno supõe que a presença de uma frase popular transforma o monumento em material turístico neutro, desconsiderando que a escrita tem voz e posicionamento próprios.
Raio-X da questão
interação entre memória e discurso contemporâneo
diagnostico
interpretação de textos literários · análise de discurso
estudo de textos híbridos e análise de sentidos em obras literárias e artísticas
Confundir a fala contemporânea com uma tentativa de apagar ou neutralizar a memória oficial do autor.
pensamento_critico
cotidiano
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