Durante a visita a um museu regional, uma turma observa uma pintura do período colonial que retrata um engenho…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Durante a visita a um museu regional, uma turma observa uma pintura do período colonial que retrata um engenho açucareiro. Além do edifício de produção (com grandes arcadas e telhado comprido) e de moradias dispersas, chama atenção a presença de uma capela destacada no alto do terreno, próxima ao conjunto principal. O guia comenta que, em muitas propriedades, o senhor do engenho financiava a construção e mantinha a rotina de missas, festas de padroeiro e ritos como batismos e casamentos, frequentados por sua família e por pessoas que viviam e trabalhavam na fazenda. Para o professor, a imagem ajuda a discutir como a religiosidade se articulava ao cotidiano do trabalho e às hierarquias sociais na economia do açúcar. Analise o texto-base e a pintura do engenho com capela e identifique a interpretação histórica que melhor explica o papel dessa capela no funcionamento social da propriedade.
- A) Marcar a autonomia do clero local frente ao poder dos senhores de engenho.
- B) Expressar a predominância do trabalho assalariado e a vida urbana no entorno do engenho.
- C) Reforçar a autoridade senhorial ao integrar ritos católicos à disciplina e às hierarquias do engenho.
- D) Representar a separação completa entre religião e economia na administração da propriedade.
- E) Evidenciar a centralidade de práticas coletivas igualitárias entre todos os habitantes da fazenda.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique o foco da questão. O enunciado pede a interpretação histórica sobre o papel da capela no funcionamento social do engenho colonial, e não apenas a descrição da pintura. A pista central está no texto: o senhor financiava a capela e mantinha missas, festas de padroeiro, batismos e casamentos, frequentados pela família e por quem trabalhava na fazenda.
- Relacione a capela à estrutura da propriedade. No engenho açucareiro colonial, a produção dependia de trabalho escravizado e de uma hierarquia rígida entre senhor, familiares, agregados, trabalhadores livres e escravizados. A capela, financiada e controlada pelo senhor, funcionava como espaço de reunião que organizava essa sociedade, dando legitimidade religiosa à autoridade do proprietário.
- Analise a alternativa correta. A alternativa C afirma que a capela reforçava a autoridade senhorial ao integrar ritos católicos à disciplina e às hierarquias do engenho. Isso está de acordo com o texto: os ritos marcavam momentos da vida familiar e de trabalho sob a tutela do senhor, e a participação de todos reafirmava a ordem social.
- Descarte as demais alternativas. A alternativa A está errada, pois o clero local não tinha autonomia frente ao senhor, que financiava e controlava a capela. A alternativa B está errada, porque o texto e a economia do açúcar colonial baseavam-se no trabalho escravizado e não no assalariado, e o engenho não era um espaço urbano. A alternativa D está errada, pois a religião e a economia estavam fortemente integradas na vida da propriedade. A alternativa E está errada, já que as práticas coletivas ocorriam dentro de uma hierarquia desigual, não de igualdade entre os habitantes.
- Conclusão. A capela, no engenho, é um símbolo e um instrumento de poder: a religiosidade organizava o cotidiano, legitimava as hierarquias sociais e reforçava a autoridade do senhor sobre toda a comunidade da propriedade.
💡 Dica: Analise a relação entre religiosidade e hierarquia social no engenho colonial.
Alternativa por alternativa
O aluno imagina que a Igreja local tinha independência e se opunha ao senhor de engenho, como se o clero fosse um contrapoder na colônia.
Por que engana: Confundir a função da capela como símbolo de autonomia religiosa ou separação entre religião e economia.
O aluno associa a capela a uma economia de trabalho assalariado e vida urbana, transferindo para o engenho colonial a realidade das cidades ou de períodos posteriores.
A capela destacada no conjunto do engenho, citada no texto, sugere a articulação entre catolicismo, poder do senhor e controle social no cotidiano.
O aluno acredita que religião e produção econômica eram esferas separadas, e que a capela era apenas um espaço devocional sem relação com a administração da fazenda.
O aluno entende que a reunião religiosa de todos os moradores significava igualdade social, ignorando que a participação era marcada por hierarquias de senhores, familiares, agregados e escravizados.
Raio-X da questão
Religiosidade e hierarquia social
diagnostico
Sociedade colonial brasileira · Economia açucareira colonial
Estude a influência da religião na organização social colonial.
Confundir a função da capela como símbolo de autonomia religiosa ou separação entre religião e economia.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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