Em um trabalho de campo, uma turma visita o Cemitério do Catumbi, no Rio de Janeiro. Diante de mausoléus como…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em um trabalho de campo, uma turma visita o Cemitério do Catumbi, no Rio de Janeiro. Diante de mausoléus como o da imagem — com fachada em arco, inscrição e símbolos cristãos — o guia explica que a necrópole foi inaugurada em meados do século XIX, quando a Corte buscava “modernizar” serviços urbanos. Até então, era comum sepultar pessoas em igrejas e em seus adros, prática criticada durante surtos epidêmicos e debates sobre higiene. Administrado por uma irmandade religiosa, o Catumbi passou a receber principalmente pessoas livres com recursos, enquanto pobres e escravizados eram encaminhados a outros locais. O grupo discute como esse tipo de espaço pode ser lido como vestígio material de mudanças na cidade e nas relações sociais. Analise o texto-base e o mausoléu da imagem e identifique que transformação das práticas funerárias no Rio de Janeiro oitocentista eles evidenciam.
- A) A criação de necrópoles públicas iguais, garantindo sepultamento sem distinção de renda, cor ou condição.
- B) A mudança dos enterros das igrejas para cemitérios externos, associada ao higienismo urbano do século XIX.
- C) A construção de cemitérios militares, voltados a celebrar vitórias externas e organizar a memória de batalha.
- D) A oficialização de enterramentos indígenas, substituindo túmulos cristãos por práticas nativas no Rio imperial.
- E) A permanência dos sepultamentos em igrejas centrais, mantendo a morte sob controle exclusivo das paróquias.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia o texto-base com atenção. Ele descreve uma transição: antes, era comum sepultar pessoas dentro das igrejas e em seus adros; a partir de meados do século XIX, surgiu o Cemitério do Catumbi, um espaço externo, inaugurado em um contexto de modernização dos serviços urbanos e de críticas à prática de enterrar nas igrejas durante epidemias e debates sobre higiene.
- Identifique o conceito central. A mudança dos enterros das igrejas para cemitérios externos, motivada pelo higienismo, é uma transformação das práticas funerárias no Rio oitocentista. O mausoléu da imagem, com fachada em arco, inscrição e símbolos cristãos, é um vestígio material dessa mudança: mostra que os mortos passaram a ser sepultados em um espaço urbano separado, mas ainda ligado à religião.
- Verifique as nuances sociais. O texto também indica que o cemitério passou a receber principalmente pessoas livres com recursos, enquanto pobres e escravizados eram encaminhados a outros locais. Isso reforça que a transformação não foi igualitária, mas a alternativa correta trata da transformação das práticas, o que a torna adequada.
- Analise as alternativas erradas. A: necrópoles públicas iguais sem distinção de renda contradizem o texto, que mostra diferenciação social no acesso ao Catumbi. C: cemitérios militares não aparecem no texto, que trata de uma irmandade religiosa e de sepultamentos civis. D: enterramentos indígenas não são mencionados e não correspondem ao contexto de modernização do Rio imperial. E: manter os sepultamentos em igrejas centrais é o oposto do que o texto descreve, pois a prática era criticada e substituída.
💡 Dica: Analise o texto e relacione as mudanças funerárias ao contexto histórico do século XIX.
Alternativa por alternativa
O aluno imagina que a criação do cemitério significou universalização do sepultamento, sem diferença de renda ou condição. Ele ignora que o texto afirma que pobres e escravizados eram encaminhados a outros locais.
Por que engana: Confundir a mudança para cemitérios externos com igualdade social no sepultamento.
Texto e imagem indicam um campo santo organizado fora do templo, típico das reformas sanitárias oitocentistas e da reorganização dos enterros na cidade.
O aluno associa a palavra necrópole a espaços militares ou a memória de guerra e não percebe que o texto trata de sepultamentos civis e de uma irmandade religiosa.
O aluno supõe que a mudança funerária envolveu a adoção de práticas indígenas, o que não aparece no texto, que trata de símbolos cristãos e de higienismo urbano.
O aluno entende que a Igreja manteve o controle absoluto da morte e não percebe que o texto descreve críticas aos enterros em igrejas e sua substituição por cemitérios externos.
Raio-X da questão
transformação práticas funerárias século XIX
diagnostico
história do Rio de Janeiro · práticas funerárias históricas
estude as mudanças urbanas e sociais no Rio de Janeiro oitocentista
Confundir a mudança para cemitérios externos com igualdade social no sepultamento.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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