ENEM - 2020 Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e verbais), compreendendo criticamente o modo como circulam, constituem-se e (re)produzem significação e ideologias.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
ENEM - 2020 Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se veem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; sabendo, além, que, dentro do nosso país, os autores e os escritores, com especialidade os gramáticos, não se entendem no tocante à correção gramatical, vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os mais profundos estudiosos do nosso idioma — usando do direito que lhe confere a Constituição, vem pedir que o Congresso Nacional decrete o tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro. BARRETO. L. **Triste fim de Policarpo Quaresma**. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 26 jun. 2012 Nessa petição da pitoresca personagem do romance de Lima Barreto, o uso da norma-padrão justifica-se pela Nessa petição da pitoresca personagem do romance de Lima Barreto, o uso da norma-padrão justifica-se pela
- A) Situação social de enunciação representada.
- B) Divergência teórica entre gramáticos e literatos.
- C) Pouca representatividade das línguas indígenas.
- D) Atitude irônica diante da língua dos colonizadores.
- E) Tentativa de solicitação do documento demandado.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O enunciado apresenta a petição de Policarpo Quaresma, um funcionário público que se dirige ao Congresso Nacional para pedir que o tupi-guarani seja declarado língua oficial. Trata-se de um documento formal, escrito em registro de prestígio, endereçado a uma instância oficial do Estado.
- A norma-padrão é uma variedade linguística socialmente valorizada, empregada em situações formais, públicas e institucionais. Seu uso não depende de preferência estética ou de crença pessoal, mas da situação em que o texto circula e de quem é o seu destinatário.
- A situação social de enunciação representada no texto é exatamente essa: um cidadão em posição de funcionário público, dirigindo-se por escrito a um órgão legislativo, no exercício de um direito previsto na Constituição. Esse contexto exige a norma-padrão, por isso a alternativa A é a correta.
- A alternativa B está errada porque a divergência entre gramáticos e literatos é mencionada apenas como pano de fundo, e não é o motivo que justifica o uso da norma-padrão na petição. A alternativa C está errada porque a pouca representatividade das línguas indígenas é o problema que Policarpo quer resolver, e não a razão para usar a norma-padrão. A alternativa D está errada porque não há ironia na petição, que é apresentada com seriedade. A alternativa E está errada porque o pedido é de decretar o tupi-guarani como língua oficial, e não a solicitação de um documento.
- Conclusão: a norma-padrão se justifica pela situação formal de comunicação, que é o pedido feito por escrito a uma instância oficial do Estado.
💡 Dica: Analise o contexto social e linguístico para justificar o uso da norma-padrão.
Alternativa por alternativa
Certa, pois a norma-padrão é utilizada para reforçar a posição social e a reivindicação do personagem.
O aluno pode ter entendido que a polêmica entre gramáticos e escritores é o motivo central da escolha da norma-padrão, quando ela aparece apenas como contexto do texto.
O aluno pode ter associado a crítica à pouca representatividade do tupi-guarani à justificativa da norma-padrão, confundindo a motivação do pedido com a razão do registro formal.
O aluno pode ter supervalorizado a expressão irônica do trecho sobre a 'humilhante contingência' e concluído que toda a petição é ironia, quando o tom do documento é sério.
Por que engana: Confundir o motivo do uso da norma-padrão com aspectos teóricos ou irônicos do texto.
O aluno pode ter confundido o gênero do texto, tomando a petição como um requerimento de documento em vez de um pedido de decreto legislativo sobre a língua.
Raio-X da questão
uso da norma-padrão
avaliacao
norma-padrão da língua portuguesa · variações linguísticas e sociais
estudo sobre norma-padrão e variações linguísticas
Confundir o motivo do uso da norma-padrão com aspectos teóricos ou irônicos do texto.
pensamento_critico
literario
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