ENEM - 2012 A substituição do haver por ter em construções existenciais, no português do Brasil, corresponde a…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar criticamente textos de modo a compreender e caracterizar as línguas como fenômeno (geo)político, histórico, social, cultural, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
ENEM - 2012 A substituição do haver por ter em construções existenciais, no português do Brasil, corresponde a um dos processos mais característicos da história da língua portuguesa, paralelo ao que já ocorrera em relação à ampliação do domínio de ter na área semântica de “posse”, no final da fase arcaica. Mattos e Silva (2001:136) analisa as vitórias de ter sobre haver e discute a emergência de ter existencial, tomando por base a obra pedagógica de João de Barros. Em textos escritos nos anos quarenta e cinquenta do século XVI, encontram-se evidências, embora raras, tanto de ter “existencial”, não mencionado pelos clássicos estudos de sintaxe histórica, quanto de haver como verbo existencial com concordância, lembrado por Ivo Castro, e anotado como “novidade” no século XVIII por Said Ali. Como se vê, nada é categórico e um purismo estreito só revela um conhecimento deficiente da língua. Há mais perguntas que respostas. Pode-se conceber uma norma única e prescritiva? É válido confundir o bom uso e a norma com a própria língua e dessa forma fazer uma avaliação crítica e hierarquizante de outros usos e, através deles, dos usuários? Substitui-se uma norma por outra? CALLOU, D. A propósito de norma, correção e preconceito linguístico: do presente para o passado. In: **Cadernos de Letras da UFF**, n. 36, 2008. Disponível em: www.uff.br. Acesso em: 26 fev. 2012 (adaptado). Para a autora, a substituição de “haver” por “ter” em diferentes contextos evidencia que Para a autora, a substituição de “haver” por “ter” em diferentes contextos evidencia que
- A) O estabelecimento de uma norma prescinde de uma pesquisa histórica.
- B) Os estudos clássicos de sintaxe histórica enfatizam a variação e a mudança na língua.
- C) A avaliação crítica e hierarquizante dos usos da língua fundamenta a definição da norma.
- D) A adoção de uma única norma revela uma atitude adequada para os estudos linguísticos.
- E) Os comportamentos puristas são prejudiciais à compreensão da constituição linguística.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O enunciado trata da substituição de haver por ter em construções existenciais como um processo histórico da língua, que mostra que a língua muda e varia. A autora também critica o purismo estreito, que revela conhecimento deficiente da língua, e questiona a ideia de uma norma única e prescritiva. Passo 2: A alternativa que sintetiza essa posição é a E, pois os comportamentos puristas atrapalham a compreensão de como a língua se constitui, já que ignoram a variação e a mudança documentadas historicamente. Passo 3: Análise das demais alternativas. A alternativa A está errada porque o texto não afirma que a norma dispensa pesquisa histórica; ao contrário, a história da língua é usada para discutir a norma. A alternativa B está errada porque o texto diz que os clássicos estudos de sintaxe histórica não mencionaram o ter existencial, ou seja, não destacam a variação. A alternativa C está errada porque a autora critica a avaliação hierarquizante dos usos, e não a apresenta como fundamento da norma. A alternativa D está errada porque a autora questiona a adoção de uma única norma, considerando-a uma atitude inadequada para os estudos linguísticos. Passo 4: Conclusão: a resposta correta é a E, em concordância com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise o texto para compreender as discussões sobre norma e variação linguística.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter entendido que a norma deve ser definida apenas por regras prescritivas, sem depender de estudos sobre a história da língua.
O aluno pode ter supuesto que os estudos clássicos de sintaxe histórica já tratavam da variação, quando o texto diz que eles não mencionaram o ter existencial.
O aluno pode ter confundido a crítica da autora com uma defesa da avaliação hierarquizante, quando o texto questiona justamente esse tipo de avaliação dos usuários.
Por que engana: Confundir a norma linguística com um uso prescritivo e rígido da língua, ignorando a variação e a mudança ao longo do tempo.
O aluno pode ter tomado a norma única como algo positivo e científico, sem perceber que a autora questiona essa ideia e a considera uma postura inadequada.
A autora defende que comportamentos puristas dificultam a compreensão da língua, evidenciando a necessidade de aceitar variações.
Raio-X da questão
norma linguística e variação
diagnostico
norma linguística · variação linguística
Estude os conceitos de norma linguística, variação e preconceito linguístico.
Confundir a norma linguística com um uso prescritivo e rígido da língua, ignorando a variação e a mudança ao longo do tempo.
cidadania_etica
pensamento_critico
abstrato
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