ENEM - 2010 **Capítulo III** Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
ENEM - 2010 **Capítulo III** Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se explica este par de figuras que esta aqui na sala: um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja – primor de argentaria, execução fina e acabada. O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava acostumado aos seus crioulos de Minas, e não queria línguas estrangeiras em casa, o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria pôr na sala, como um pedaço da província, nem pôde deixar na cozinha, onde reinava um francês, Jean; foi degradado a outros serviços. ASSIS, M. Quincas Borba. In: **Obra completa**. V.1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993 (fragmento). Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a peculiaridade do texto que garante a universalização de sua abordagem reside Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e da literatura brasileira. No fragmento apresentado, a peculiaridade do texto que garante a universalização de sua abordagem reside
- A) No conflito entre o passado pobre e o presente rico, que simboliza o triunfo da aparência sobre a essência.
- B) No sentimento de nostalgia do passado devido à substituição da mão de obra escrava pela dos imigrantes.
- C) Na referência a Fausto e Mefistófeles, que representam o desejo de eternização de Rubião.
- D) Na admiração dos metais por parte de Rubião, que metaforicamente representam a durabilidade dos bens produzidos pelo trabalho.
- E) Na resistência de Rubião aos criados estrangeiros, que reproduz o sentimento de xenofobia.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- No fragmento, Rubião, recém-enriquecido, valoriza a aparência de riqueza: prefere a bandeja de prata lavrada, admira os metais nobres e aceita criados brancos e estrangeiros para exibir status, abandonando o pajem da província. Passo 2: A universalidade da obra está na crítica ao triunfo da aparência sobre a essência, que ultrapassa o contexto brasileiro do século XIX e vale para qualquer sociedade em que o prestígio se mede pelo que se exibe. Passo 3: Por isso a alternativa A é a correta: há o conflito entre o passado simples (o pajem da província, os crioulos de Minas) e o presente de luxo, e a bandeja e o criado espanhol simbolizam a aparência valendo mais que a essência. Passo 4: B está errada porque o texto não trata de nostalgia da escravidão nem de imigração como substituta da mão de obra escrava; o criado espanhol é apenas um empregado escolhido por status. Passo 5: C está errada porque o par de figuras de Fausto e Mefistófeles aparece como objeto decorativo comprado por indicação de Palha, sem relação com desejo de eternização. Passo 6: D está errada porque Rubião admira os metais pelo valor e pelo brilho, e o texto não associa os metais à durabilidade do trabalho produtivo. Passo 7: E está errada porque a resistência de Rubião é motivada por preferência de status e cede por insistência de Palha, sem que o texto apresente xenofobia como tema central. Passo 8: Portanto, o gabarito oficial A está correto, pois a análise do fragmento confirma essa alternativa.
💡 Dica: Analise o contexto histórico e social do fragmento para compreender as relações de poder e preconceito.
Alternativa por alternativa
A alternativa está correta, pois o texto reflete o conflito entre a riqueza material e a essência do ser, simbolizando a superficialidade das aparências.
Acredita que o texto trata de saudade do tempo da escravidão e da substituição de escravos por imigrantes, lendo a menção a criados e a crioulos como um tema social da abolição.
Por que engana: Confundir a crítica social presente no texto com uma simples análise do enredo, ignorando as metáforas e simbolismos.
Supõe que as figuras de Fausto e Mefistófeles revelam um desejo pessoal de Rubião de viver para sempre, quando na verdade são apenas um objeto de sala comprado por indicação de Palha.
Entende que a admiração pelos metais representa o valor do trabalho e a durabilidade dos bens produzidos, quando o texto apenas mostra o gosto de Rubião pelo luxo e pelo brilho dos metais.
Pensa que a preferência por criados brancos e a resistência aos estrangeiros expressam xenofobia, usando a ideia do senso comum de preconceito contra estrangeiros sem considerar a lógica de status do texto.
Raio-X da questão
contexto histórico e social
avaliacao
análise de texto literário · interpretação de símbolos
Estude as relações sociais e raciais no Brasil do século XIX e início do XX.
Confundir a crítica social presente no texto com uma simples análise do enredo, ignorando as metáforas e simbolismos.
cidadania_etica
pensamento_critico
literario
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