Um estudante propõe o seguinte argumento: “Para que uma decisão política seja legítima, basta que todos tenham…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Um estudante propõe o seguinte argumento: “Para que uma decisão política seja legítima, basta que todos tenham consentido uma vez, no momento de criação do Estado, e a partir daí qualquer decisão do governante é válida”. Considerando Hobbes, Locke e Rousseau, qual crítica é mais consistente com a análise comparativa do contratualismo?
- A) A tese é frágil porque, em Locke, o consentimento não legitima qualquer decisão: o governo é limitado pelos direitos naturais e por seu fim (proteger tais direitos), podendo perder legitimidade; e, em Rousseau, a legitimidade depende de as leis exprimirem a vontade geral, não da mera autorização inicial a um governante.
- B) A tese é correta para os três autores, pois o contrato social sempre cria um poder ilimitado e irreversível, independentemente de direitos ou da vontade do povo.
- C) A tese é frágil apenas para Hobbes, porque ele exige eleições frequentes como condição de legitimidade, enquanto Locke e Rousseau aceitam poder irrestrito se houve consentimento inicial.
- D) A tese é frágil porque, em Hobbes, a legitimidade depende da igualdade econômica prévia; sem ela, não pode haver contrato válido.
- E) A tese é frágil porque, em Rousseau, a legitimidade se reduz ao respeito à propriedade privada, e qualquer lei que a limite é ilegítima mesmo se aprovada coletivamente.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Analise a tese do estudante. Ela afirma que um consentimento inicial basta para legitimar qualquer decisão futura do governante. Passo 2: Verifique Hobbes. Para ele, o pacto transfere poder absoluto ao soberano e a autorização é irrevogável, logo a tese é coerente com o pensamento hobbesiano e não é frágil nesse ponto. Passo 3: Verifique Locke. O governo existe para proteger vida, liberdade e propriedade, age em nome desse fim e pode ser destituído se violar os direitos naturais, de modo que o consentimento inicial não legitima tudo. Passo 4: Verifique Rousseau. A soberania pertence ao povo e não pode ser alienada; as leis são legítimas quando exprimem a vontade geral, e o governo é apenas executor, de modo que a autorização inicial a um governante não basta. Passo 5: Conclua. A crítica mais consistente é a da alternativa A, pois aponta corretamente a limitação em Locke e a dependência da vontade geral em Rousseau, sem afirmar falha em Hobbes. Passo 6: Por que as outras estão erradas. B atribui poder ilimitado e irreversível aos três autores, o que não vale para Locke nem para Rousseau. C inventa a exigência de eleições frequentes em Hobbes, que ele não defende. D atribui a Hobbes a condição de igualdade econômica prévia, que não faz parte de sua teoria. E atribui a Rousseau a defesa da propriedade privada, quando ele a critica como origem da desigualdade. Passo 7: Conclusão final. O gabarito A está correto e a análise comparativa confirma essa escolha.
💡 Dica: Compare as posições de Hobbes, Locke e Rousseau sobre o consentimento e legitimidade política.
Alternativa por alternativa
A crítica compara adequadamente: Locke rejeita a validade irrestrita do governante; Rousseau vincula legitimidade ao conteúdo e à forma da lei como vontade geral, não a um cheque em branco inicial.
Acredita que o contrato social sempre cria um poder ilimitado e irreversível para todos os autores, ignorando que Locke e Rousseau limitam o poder pelo fim do governo e pela vontade geral.
Imagina que Hobbes exige eleições frequentes como condição de legitimidade, quando ele defende um soberano absoluto cuja autoridade não depende de eleições periódicas.
Por que engana: O aluno pode confundir a ideia de consentimento inicial com a legitimidade contínua das decisões políticas, desconsiderando as limitações impostas por Locke e Rousseau.
Associa a legitimidade hobbesiana à igualdade econômica prévia, confundindo Hobbes com discussões sobre desigualdade social que pertencem a outros autores, sobretudo Rousseau.
Entende que Rousseau reduz a legitimidade ao respeito à propriedade privada, quando ele critica a propriedade como origem da desigualdade e valoriza a vontade geral acima de interesses particulares.
Raio-X da questão
contratualismo, legitimidade política
avaliacao
contratualismo · legitimidade política
Revisar as teorias do contratualismo de Hobbes, Locke e Rousseau.
O aluno pode confundir a ideia de consentimento inicial com a legitimidade contínua das decisões políticas, desconsiderando as limitações impostas por Locke e Rousseau.
cidadania_etica
pensamento_critico
abstrato
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