Durante grande parte da história do Brasil, os censos oficiais não identificaram especificamente a população…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar e analisar as demandas e os protagonismos políticos, sociais e culturais dos povos indígenas e das populações afrodescendentes (incluindo as quilombolas) no Brasil contemporâneo considerando a história das Américas e o contexto de exclusão e inclusão precária desses grupos na ordem social e econômica atual, promovendo ações para a redução das desigualdades étnico-raciais no país.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Durante grande parte da história do Brasil, os censos oficiais não identificaram especificamente a população quilombola. No Censo Demográfico de 2022, o IBGE passou a coletar essa informação por autodeclaração e registrou cerca de 1,3 milhão de quilombolas, aproximadamente 0,6% da população brasileira. Pesquisadores ressaltam que dificuldades de acesso aos serviços públicos, distância de algumas comunidades e o histórico de discriminação podem dificultar tanto o reconhecimento oficial quanto a participação dessas pessoas em levantamentos estatísticos. Assim, a porcentagem deve ser analisada em conjunto com a forma como os dados foram produzidos e com a trajetória histórica desse grupo. Com base no texto, qual interpretação relaciona corretamente o percentual de quilombolas à invisibilidade histórica desse grupo?
- A) O percentual comprova que os quilombolas sempre formaram uma parcela numericamente reduzida da população.
- B) O percentual confirma que a ausência de registros anteriores ocorreu apenas por falta de interesse das comunidades.
- C) O percentual resulta de um reconhecimento estatístico recente e deve ser analisado considerando exclusões históricas e obstáculos à identificação das comunidades.
- D) O percentual indica que a identificação por autodeclaração eliminou as dificuldades de acesso aos direitos públicos.
- E) O percentual demonstra que a maioria das comunidades quilombolas foi incorporada plenamente à sociedade brasileira.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leia o texto com atenção. Ele afirma que os censos oficiais não identificavam especificamente a população quilombola durante grande parte da história, que o IBGE passou a coletar essa informação apenas em 2022 por autodeclaração e que a porcentagem (0,6%) deve ser lida junto com o modo de produção dos dados e com a trajetória histórica do grupo.
- Resolva por conta própria. O número de 1,3 milhão e o percentual de 0,6% são apenas o resultado de uma medição recente. Eles não mostram, sozinhos, quantas pessoas existiam antes, pois o grupo não era contado de forma específica. Por isso, a interpretação correta precisa reconhecer que o dado é recente e que exclusões históricas e dificuldades de acesso podem ter escondido essas comunidades.
- A alternativa C faz exatamente essa relação: o percentual vem de um reconhecimento estatístico recente e deve ser lido considerando exclusões históricas e obstáculos à identificação.
- Por que as outras estão erradas. A alternativa A tira conclusão que o texto não permite, pois o baixo percentual não prova que o grupo sempre foi pequeno, já que ele não era medido. A alternativa B atribui a ausência de registros apenas à falta de interesse das comunidades, o que contraria o texto, que fala de discriminação e dificuldades de acesso. A alternativa D afirma que a autodeclaração eliminou as dificuldades, algo que o texto não diz e que contradiz a menção a obstáculos persistentes. A alternativa E afirma uma plena incorporação das comunidades, o que o texto não sustenta e que vai na direção oposta ao tema da invisibilidade.
💡 Dica: Reflita sobre a relação entre porcentagem e visibilidade social.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que o percentual atual reflete o tamanho histórico do grupo, ignorando que ele não era contado de forma específica antes de 2022.
O aluno entende que a falta de registros se deve apenas à vontade das comunidades, desconsiderando discriminação e obstáculos institucionais citados no texto.
O texto informa que os censos anteriores não identificavam especificamente os quilombolas e que o reconhecimento estatístico ocorreu apenas recentemente. Também apresenta obstáculos que podem dificultar a participação dessas comunidades nos levantamentos. Portanto, o percentual não deve ser interpretado isoladamente como medida de importância social ou como prova de que a população é necessariamente pequena; ele precisa ser relacionado ao processo histórico de invisibilização e às condições de produção dos dados.
O aluno supõe que a autodeclaração resolve sozinha os problemas de acesso e reconhecimento, quando o texto afirma que essas dificuldades continuam existindo.
Por que engana: Confundir a porcentagem com a ideia de que a população quilombola não tem relevância histórica, ignorando sua luta por direitos.
O aluno confunde a menor representatividade numérica com integração plena à sociedade, algo que o texto não afirma e que contraria a ideia de invisibilidade.
Raio-X da questão
população quilombola
diagnostico
invisibilidade histórica · população quilombola
Estudar a história e a contribuição dos quilombolas na sociedade brasileira.
Confundir a porcentagem com a ideia de que a população quilombola não tem relevância histórica, ignorando sua luta por direitos.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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