Em sua análise sobre a banalidade do mal, Hannah Arendt afirma que ações extremamente violentas podem ser…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em sua análise sobre a banalidade do mal, Hannah Arendt afirma que ações extremamente violentas podem ser praticadas por pessoas comuns quando a obediência, a rotina e a incapacidade de julgar substituem a responsabilidade pessoal. Em regimes totalitários, essa lógica pode ser incorporada às instituições e contribuir para a execução sistemática de crimes contra grupos inteiros. Em regimes democráticos, práticas burocráticas semelhantes podem obscurecer responsabilidades e produzir danos, mas a existência de pluralidade política, imprensa livre e controle público cria possibilidades de contestação e interrupção dessas práticas. Com base no texto, qual alternativa compara corretamente as consequências da banalidade do mal em regimes totalitários e democráticos?
- A) Nos totalitarismos, ela apenas oculta responsabilidades; nas democracias, sustenta crimes sistemáticos sem possibilidade de contestação.
- B) Nos totalitarismos, ela desaparece diante da coerção estatal; nas democracias, produz danos porque a obediência é voluntária.
- C) Nos totalitarismos, ela pode sustentar crimes sistemáticos; nas democracias, pode ocultar danos, embora existam meios institucionais de contestação.
- D) Nos totalitarismos e nas democracias, ela produz exatamente os mesmos efeitos, pois a obediência elimina qualquer responsabilidade pessoal.
- E) Nos totalitarismos, ela depende de decisões individuais isoladas; nas democracias, resulta diretamente da pluralidade política existente.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leia o texto com atenção e identifique as duas situações que ele compara: regimes totalitários e regimes democráticos, ambos relacionados à banalidade do mal.
- No texto, em regimes totalitários a lógica da obediência, da rotina e da incapacidade de julgar pode ser incorporada às instituições e contribuir para a execução sistemática de crimes contra grupos inteiros. Ou seja, a banalidade do mal pode sustentar crimes sistemáticos.
- Em regimes democráticos, práticas burocráticas semelhantes podem obscurecer responsabilidades e produzir danos, mas existem pluralidade política, imprensa livre e controle público, que criam possibilidades de contestação e interrupção.
- A alternativa C reproduz exatamente essa comparação: nos totalitarismos pode sustentar crimes sistemáticos; nas democracias pode ocultar danos, embora existam meios institucionais de contestação. Ela é a única que mantém o sentido do texto nos dois casos.
- Por que as outras estão erradas: A inverte o papel dos dois regimes e afirma que a democracia sustenta crimes sem possibilidade de contestação, o que contradiz o texto. B diz que a obediência é voluntária nas democracias e que o mal desaparece nos totalitarismos, ideias que o texto não sustenta. D afirma que os efeitos são idênticos, mas o texto distingue explicitamente os dois regimes. E diz que o totalitarismo depende de decisões isoladas e que a democracia resulta da pluralidade, invertendo a relação causal do texto.
- Conclusão: o gabarito C está correto e coincide com a resolução feita a partir do texto.
💡 Dica: Analise as características de cada regime antes de comparar.
Alternativa por alternativa
O aluno inverte os papéis dos regimes, supondo que o totalitarismo apenas oculta responsabilidades e que a democracia sustenta crimes sem contestação.
Por que engana: Achar que a banalidade do mal ocorre apenas em regimes totalitários ou que democracias a evitam completamente.
O aluno acredita que a coerção estatal faz a banalidade do mal desaparecer e que a obediência nas democracias seria voluntária, ideia que o texto não apresenta.
O texto relaciona a banalidade do mal à obediência rotineira e à substituição do julgamento pela simples execução de tarefas. Nos regimes totalitários, essa lógica é incorporada às instituições e pode contribuir para crimes sistemáticos. Nas democracias, ela também pode produzir danos ao ocultar responsabilidades em práticas burocráticas, mas a pluralidade política, a imprensa livre e o controle público oferecem possibilidades de contestação. Portanto, as consequências não são idênticas, nem a banalidade do mal é exclusiva de um tipo de regime.
O aluno entende que a obediência elimina toda responsabilidade em qualquer regime, ignorando que o texto diferencia explicitamente os efeitos nos totalitarismos e nas democracias.
O aluno associa o totalitarismo a decisões individuais isoladas e a democracia à pluralidade como causa direta do mal, invertendo a relação entre os regimes e a banalidade do mal descrita no texto.
Raio-X da questão
Banalidade do Mal
avaliacao
conceito de banalidade do mal · caracteristicas de regimes politicos
Revisar os conceitos de regimes totalitários e democráticos.
Achar que a banalidade do mal ocorre apenas em regimes totalitários ou que democracias a evitam completamente.
cidadania_etica
pensamento_critico
abstrato
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