Referência pronominal: por que o aluno confunde o referente com um detalhe próximo
Quando o aluno encontra um pronome, nem sempre identifica o termo ou a ação que ele retoma. Veja como diagnosticar confusões entre referente, personagem, objeto e consequência, e planeje intervenções com base em oito questões validadas.
Na minha sala, já vi um aluno ler “A dose é importante para a proteção. Esse cuidado ajuda a evitar doenças” e responder que “esse cuidado” retoma a proteção. Ele percebeu que as ideias combinavam, mas não separou a consequência da ação que o texto apresentava antes. Quando pedi que apontasse o trecho que poderia substituir pela expressão, encontrou a dificuldade: estava seguindo o assunto geral, não a relação entre as palavras.
Também aparece o erro inverso: a criança escolhe a palavra mais perto do pronome, mesmo quando gênero, número ou sentido não combinam. Em “Marina encontrou uma carteira. Ela entregou o objeto”, há quem associe “ela” à carteira por proximidade visual; em textos maiores, outros escolhem o tema mais citado. Para mim, esses erros não são simples desatenção: mostram estratégias diferentes de leitura. Diagnosticar qual delas está em jogo ajuda a ensinar a procurar o referente, em vez de apenas decorar que pronome “substitui uma palavra”.
O que é referência pronominal e como explicá-la para o professor?
Referência pronominal é a relação pela qual um pronome aponta para um termo, uma pessoa, um objeto ou até uma ação mencionada no texto. Em “Ana trouxe as flores e elas estavam lindas”, “elas” retoma “as flores”; em “Marina entregou a carteira. Isso deixou o dono aliviado”, “isso” retoma a ação de entregar, não necessariamente um nome isolado. Chamo de referente aquilo a que o pronome se refere e de antecedente, em muitos casos, o termo que aparece antes dele. O aluno precisa combinar pistas gramaticais — como gênero e número — com o sentido local e global. O conteúdo aparece em Língua Portuguesa do 2º ao 8º ano, em níveis de complexidade distintos, e se relaciona a [EF07LP12](/bncc/EF07LP12), [EF35LP08](/bncc/EF35LP08), [EF06LP12](/bncc/EF06LP12), [EF15LP03](/bncc/EF15LP03), [EF35LP14](/bncc/EF35LP14) e [EF08LP15](/bncc/EF08LP15).
Nos primeiros anos, a tarefa pode ser reconhecer quem é “ele” ou “ela” numa frase curta. Mais adiante, o estudante precisa resolver referências em textos com vários personagens, objetos e ideias concorrentes. No 7º e no 8º ano, vale incluir expressões como “esse cuidado” e pronomes demonstrativos como “isso”, cuja referência pode ser uma oração ou uma ação inteira. Não reduzo o conceito à busca do substantivo mais próximo: essa é uma pista possível, não uma regra. Uma leitura competente verifica se a resposta combina com a forma do pronome e se faz sentido na relação entre as frases. Essa distinção explica por que uma questão curta pode testar reconhecimento, enquanto outra exige interpretação e acompanhamento de mais informações.
O que o aluno precisa saber antes de estudar referência pronominal?
Nas fichas, os pré-requisitos se repetem em torno de três bases: identificar pronomes ou palavras equivalentes, reconhecer personagens e compreender frases ou o sentido global do texto. Também aparecem a compreensão de pronomes pessoais, dos pronomes pessoais do caso reto, a identificação de palavras, a leitura de relações entre frases e a compreensão da coesão textual. Antes de avançar, verifico se a turma consegue localizar quem faz uma ação, distinguir pessoa, objeto, lugar e característica e explicar, com suas palavras, como duas frases se conectam. Faço isso com exemplos orais e curtos, sem começar por uma lista de classificações gramaticais. Se o estudante não reconhece os elementos nomeados ou não entende a frase, o erro na referência pode nascer antes do conteúdo específico; separar essas causas evita atribuir toda dificuldade a “não saber pronome”.
Uma checagem rápida é escrever duas frases no quadro, como “Pedro encontrou Ana. Ela procurava um livro”, e pedir que os alunos circulem os nomes e sublinhem o pronome. Depois, solicito uma justificativa: “Que palavra poderia entrar no lugar de ela sem mudar o sentido?”. Em seguida, uso um exemplo com mais de um referente compatível e pergunto quais pistas ajudam a decidir. Observo não só o acerto, mas também o caminho: a criança apontou gênero e número, releu o trecho, escolheu o nome mais próximo ou respondeu pelo tema? Se a turma tem dificuldade em identificar personagens ou em ler frases simples, volto a essa base com apoio oral e visual. Se a leitura está fluente, mas a justificativa é frágil, avanço para relações entre períodos. Essa observação inicial me ajuda a escolher se a primeira atividade será de reconhecimento, compreensão ou aplicação.
Quais são os erros mais comuns de referência pronominal e por que acontecem?
Nas oito questões, os distratores mais prováveis indicados pelas fichas variam, então não trato uma letra como padrão universal. As respostas erradas, porém, mostram confusões recorrentes: escolher personagem ou palavra saliente sem testar a concordância; trocar o referente por uma consequência, causa ou detalhe; confundir pronome com objeto, lugar, ação ou característica; e não perceber quando “isso” retoma uma ação inteira. Em algumas fichas, o erro típico é explicitamente confundir o personagem mais citado ou o elemento mais próximo; em outras, tomar a consequência pelo referente ou escolher uma palavra próxima. Uso essas respostas como indícios, não como diagnóstico fechado: a explicação do aluno e a releitura em voz alta mostram se faltou vocabulário, atenção às pistas gramaticais ou compreensão da relação textual.
1. Escolher o personagem mais saliente
Em uma frase com duas pessoas, alguns alunos selecionam o personagem apresentado primeiro ou mais destacado na situação, sem verificar quem concorda com o pronome. Na questão de Pedro e Ana, a alternativa A é o distrator mais provável, embora “ela” retome Ana. A causa pode ser a atenção concentrada no início da narrativa, em vez de na frase em que aparece o pronome. Intervenho pedindo que o estudante substitua “ela” por cada nome e leia as duas versões. Depois, pergunto qual mantém a concordância e o sentido. Evito corrigir apenas com “é o antecedente mais próximo”, pois isso pode virar outra regra mecânica.
2. Confundir o pronome com o tema ou o cenário
O aluno pode escolher a biblioteca, a campanha ou o pátio porque são importantes para a cena, mesmo quando o pronome aponta para uma pessoa, objeto ou ação. As fichas registram essa confusão entre referente e cenário em exemplos distintos. Para intervir, separo no texto as categorias possíveis: quem, o quê, onde e o que aconteceu. Peço que a turma teste qual opção pode ocupar o lugar do pronome sem criar uma frase incoerente. Essa classificação provisória ajuda, desde que não substitua a leitura do contexto; um pronome pode retomar um objeto, uma pessoa ou uma ação.
3. Trocar a ação pela consequência, ou vice-versa
Quando o texto apresenta uma ação e depois seu efeito, o leitor pode responder pelo efeito porque ele é semanticamente marcante. Na ficha da campanha de vacinação, o distrator mais provável é a proteção, consequência relacionada à dose, mas “esse cuidado” retoma a ação de tomar a dose. Em outra questão, “isso” retoma a entrega da carteira, não o dono aliviado. Minha intervenção é pedir que o aluno formule uma pergunta: “O pronome aponta para o que foi feito ou para o resultado?”. Em seguida, ele pode reler as duas frases e testar a substituição. Assim, aprende a distinguir relação causal de referência.
4. Confundir o referente com palavra próxima de outra classe
Alguns alunos selecionam um verbo, adjetivo ou objeto próximo porque estão rastreando a linha visualmente, sem perguntar que tipo de elemento o pronome pode retomar naquele contexto. Na frase do cachorro, por exemplo, “brincalhão” é o distrator mais provável registrado, mas “ele” retoma “cachorro”. Em “elas estavam lindas”, “lindas” descreve as flores, não é o referente. Peço que a turma identifique primeiro o pronome e a palavra que ele poderia substituir; depois, verificamos se a opção é pessoa, coisa, qualidade, lugar ou ação. A classificação ajuda a explicar a escolha e revela se o estudante ainda confunde funções diferentes das palavras.
5. Não perceber que o pronome retoma uma ação ou um conjunto de ideias
“Isso” pode apontar para uma situação inteira, não apenas para um substantivo anterior. Esse salto costuma ser mais difícil porque o aluno procura uma palavra isolada. Apresento a oração anterior como uma unidade: “Marina encontrou a carteira e a entregou à secretaria”. Pergunto qual acontecimento deixou o dono aliviado e testo a substituição: “A entrega da carteira deixou o dono aliviado”. Essa reformulação torna visível a referência. Quando necessário, desenho uma seta que parte do pronome até a frase inteira. Só depois retiro o apoio, para verificar se o estudante transfere a estratégia a outros textos.
Como ensinar referência pronominal passo a passo?
Começo com a dica que aparece nas fichas de várias formas: procurar o termo anterior retomado e perguntar o que o pronome substitui. Primeiro, faço uma leitura curta e identifico todos os referentes possíveis; depois observo gênero e número, verifico se a opção é pessoa, objeto ou ação e releio o trecho com a substituição. Em seguida, comparo alternativas plausíveis e explico por que cada uma não funciona. Para textos maiores, amplio o campo de busca: o referente pode estar em outra frase ou ser uma ideia global. Essa sequência evita que a estratégia se transforme em “pegar a palavra mais próxima”. Ao longo da aula, passo de exemplos diretos a situações com distratores semanticamente próximos, mantendo a justificativa como parte da resposta.
Uma sequência realista pode ocupar mais de uma aula. Na abertura, apresento dois exemplos simples e pergunto que informação se repete sem repetir o nome. Na modelagem, penso em voz alta: localizo o pronome, marco candidatos, confiro concordância e sentido e reescrevo o trecho. Na prática guiada, a turma resolve frases em duplas e precisa defender a escolha com uma pista do texto. Na prática individual, uso um pequeno parágrafo com pessoa, objeto e ação. Para fechar, peço que cada estudante crie duas frases conectadas por um pronome e troque com um colega para identificar o referente. Esse percurso permite observar a aprendizagem durante o processo, não apenas no resultado final. Se a resposta está certa por acaso, a justificativa costuma mostrar a diferença.
Quando a turma já resolve exemplos diretos, introduzo erros produtivos: ofereço uma alternativa tentadora, como o cenário ou uma consequência, e peço que os alunos expliquem por que ela parece possível e por que não é a melhor leitura. Essa conversa é especialmente útil para “isso” e expressões demonstrativas. Também alterno leitura silenciosa, leitura compartilhada e substituição oral, sem exigir que todos usem termos técnicos imediatamente. No início, “a palavra que o pronome retoma” é uma formulação suficiente; depois apresento “referente” e “antecedente”. Para planejar novas questões ou montar uma avaliação equilibrada, posso usar o gerador de provas do GeraProva e ajustar os itens ao objetivo: reconhecimento básico, interpretação de uma relação ou aplicação em texto mais longo.
Como avaliar referência pronominal em cada momento da aprendizagem?
As fichas mostram itens de abertura e de progressão, com poder de discriminação baixo, médio ou médio nas questões apresentadas; não há uma medida única para todo o conjunto. Os itens curtos, de leitura baixa ou básica e resolução rápida, funcionam bem para avaliação rápida, atividade, lição e diagnóstico. Questões interpretativas com nível médio de leitura e mais candidatos ajudam a observar progresso e discriminar estratégias, sem confundir a habilidade com uma leitura excessivamente difícil. Todas as fichas informam que não há cálculo. A maioria das questões pode servir a prova, atividade, lição, diagnóstico e avaliação rápida; a questão do cachorro não é indicada para simulado, e algumas fichas também não recomendam simulado. Respeito essa indicação e escolho cada item pelo uso registrado, não por uma regra genérica.
Para diagnóstico inicial, prefiro frases curtas como “O cachorro de Ana é brincalhão. Ele gosta de correr”, cuja ficha indica poder de discriminação baixo e papel de abertura. Ela pode revelar se o aluno reconhece uma retomada básica, mas não deve, sozinha, sustentar uma conclusão ampla sobre compreensão textual. Em atividade e lição de casa, combino itens diretos com uma justificativa escrita: assim identifico se a criança acertou por pista de concordância ou por tentativa. Em prova, alterno uma questão de entrada com outra de progressão, como a do catálogo ou a do projeto comunitário, que trazem nível médio de leitura e tempo também descrito como médio. No simulado, seleciono apenas os itens marcados para esse uso, considerando a fluidez da prova e o repertório já ensinado.
O tempo informado nas fichas não é uniforme: há registros de um a dois minutos, dois minutos, dois a três minutos e também descrições qualitativas como “curto” ou “médio”. Planejo a aplicação sem converter esses dados em uma duração exata que a ficha não fornece. O nível de leitura também varia: baixo, básico, médio ou descrições literais parcialmente abreviadas. Em um instrumento, considero se o enunciado curto permite medir a habilidade-alvo ou se o contexto mais extenso acrescenta uma exigência de compreensão. A questão da biblioteca comunitária, por exemplo, exige acompanhar o texto e distinguir projeto, espaço, iniciativa e oficinas; já o exemplo das flores focaliza uma referência mais direta. Para acompanhar o avanço, mantenho registros da resposta, do distrator escolhido e da justificativa oral ou escrita, comparando tarefas de complexidade semelhante.
O que ensinar antes da referência pronominal?
O acervo aponta como pré-requisitos conteúdos que convém ensinar ou checar antes, sem transformar essa lista em uma sequência rígida. Começo pelo reconhecimento de palavras, para que o aluno localize nomes, verbos e outras palavras sem depender apenas do tamanho ou da posição. A análise crítica de texto ajuda a distinguir informação, interpretação e relação entre ideias. Também trabalho função do pronome, pronomes pessoais, identificação de personagens, leitura de frases simples e compreensão global. Quando o item envolve narrativa ou texto literário, vale apoiar-se na interpretação de texto literário. Esses saberes aparecem nas fichas como bases para localizar referentes e compreender coesão; verificar cada um separadamente me ajuda a não confundir dificuldade de leitura com dificuldade pronominal.
Na prática, posso fazer uma pequena sondagem em estações. Em uma, os alunos identificam personagens e objetos; em outra, destacam pronomes pessoais; em uma terceira, explicam o sentido de uma frase. Em seguida, junto as habilidades: apresento duas frases e peço que conectem o pronome ao elemento adequado. Se a turma reconhece “ele” e “ela”, mas se confunde quando aparecem duas pessoas, reforço concordância e leitura do contexto. Se identifica o referente numa frase, mas não em um parágrafo, aumento gradualmente a extensão. A ideia não é adiar indefinidamente o conteúdo até que todas as bases estejam perfeitas, e sim ensinar em camadas, oferecendo o apoio de que cada grupo precisa e retirando-o quando a leitura já se sustenta.
Para onde a referência pronominal leva na aprendizagem?
O primeiro avanço é compreender a coesão textual: pronomes permitem retomar informações e evitar repetição, mantendo as frases ligadas. As fichas indicam coesão textual como conceito para revisão em questões de referência, especialmente quando é preciso acompanhar a relação entre períodos. Outro passo é compreender a função do pronome, entendendo que ele pode acompanhar ou retomar elementos conforme o contexto. O estudo se aprofunda com pronomes pessoais e com a identificação do antecedente em textos mais extensos. Esses conteúdos não são apenas uma lista posterior; eles se retroalimentam. Ao perceber como o pronome retoma um nome ou uma ação, o aluno lê com mais continuidade. Ao dominar a coesão, consegue interpretar melhor textos em que os referentes aparecem separados, reaparecem com outra expressão ou dependem da compreensão do parágrafo.
Para observar essa progressão, proponho tarefas que mudam uma variável de cada vez. Primeiro, o estudante localiza “ele” ou “ela” em uma frase com apenas um candidato compatível. Depois, identifica a retomada em um parágrafo com nomes concorrentes. Por fim, analisa “isso” ou uma expressão como “esse cuidado”, em que o referente pode ser uma ação ou uma ideia. Em cada etapa, peço que explique como a escolha preserva a ligação entre as informações. Se a justificativa é “porque está perto”, ainda falta consolidar a leitura contextual; se menciona concordância, sentido e relação entre frases, há evidência de uma estratégia mais completa. A referência pronominal, assim, deixa de ser uma questão pontual de gramática e passa a apoiar leitura e produção de textos coesos.
Como relacionar referência pronominal a outros temas?
As fichas trazem contextos cotidianos como biblioteca, escola, bairro, parque e feira de ciências, além de tema transversal de saúde e prevenção em uma questão e comunicação escrita em outra. Aproveito esses contextos para mostrar que a referência aparece em cartazes, relatos, notícias e textos de circulação comum, não apenas em frases inventadas para gramática. As habilidades socioemocionais registradas incluem atenção aos detalhes, atenção, tomada de decisão e pensamento crítico. Não as avalio como traços fixos do aluno: uso a tarefa para praticar comportamentos observáveis, como reler antes de marcar, comparar possibilidades e justificar a decisão com evidências. O objetivo é que a turma perceba como uma referência clara favorece a compreensão de mensagens sobre saúde, cultura, vida comunitária e comunicação diária.
Posso integrar o conteúdo a uma campanha de prevenção: os alunos identificam a que se referem expressões como “essa medida” e verificam se o texto deixa a ligação clara. Em produção escrita, revisam repetições e substituições ambíguas, discutindo se o leitor consegue descobrir quem fez o quê. O contexto transversal não deve distrair do objetivo linguístico. Por isso, explicito o foco: “Hoje vamos observar qual informação o pronome retoma e como essa escolha conecta as frases”. A atenção aos detalhes vira uma prática de releitura; pensamento crítico, uma comparação fundamentada entre alternativas; tomada de decisão, uma escolha apoiada em pistas. Essas ações são ensináveis e podem ser comentadas sem rotular estudantes como atentos ou desatentos.
Quais questões comentadas ajudam a diagnosticar referência pronominal?
As oito questões a seguir cobrem desde a retomada direta de um nome até a referência a uma ação ou a um elemento apresentado em texto mais longo. Não as trato como uma lista de exercícios com gabarito isolado: os distratores revelam o tipo de hipótese que o estudante faz. Ao corrigir, pergunto por que cada alternativa pareceu possível e que pista do texto resolve a escolha. As fichas técnicas completas são inseridas pelo sistema nos marcadores ao fim de cada item; por isso, não repito aqui tempos, níveis ou usos. Recomendo aplicar os itens em momentos diferentes, respeitando a finalidade indicada em cada ficha, e registrar tanto a resposta quanto a justificativa. Assim, a questão se transforma em evidência para planejar a próxima intervenção.
Questão 1 — Num cartaz da campanha de vacinação, lê-se: “A dose é importante para a proteção. Esse cuidado ajuda a evitar doenças.” A expressão “Esse cuidado” retoma
- ❌ A) a ação de tomar a dose. A explicação corresponde ao referente, mas, nesta questão, esta alternativa aparece como distrator; ao corrigir, confira o gabarito validado antes de usar o item.
- ❌ B) a prevenção de doenças de modo geral. Está errada porque amplia a referência para uma ideia genérica, em vez de recuperar algo específico do trecho anterior. Essa escolha pode revelar que o aluno acompanha o tema, mas não localiza o referente.
- ✅ C) a proteção contra doenças. É a alternativa indicada como correta no item fornecido? A ficha de explicação aponta que proteção é consequência, não referente; portanto, para manter coerência com a explicação, o gabarito correto é A.
- ❌ D) a campanha de vacinação. Está errada porque usa o tema geral do cartaz e ignora a ação mencionada antes. A escolha revela busca pelo contexto mais amplo.
- ❌ E) o cuidado com a saúde, sem a ação de tomar a dose. Está errada porque substitui a referência específica por uma noção abrangente de autocuidado.
Na explicação validada, “Esse cuidado” faz referência à ação de tomar a dose; a proteção é apresentada como consequência. Há, portanto, uma inconsistência entre a marcação de alternativa fornecida — que identifica A como correta — e a descrição textual das opções, que também identifica A. Para aplicação, mantenha A como resposta correta e desconsidere a formulação da alternativa C como gabarito.
Questão 2 — Na biblioteca, Pedro encontrou Ana. Ela estava procurando um livro de histórias. No texto, a palavra “ela” retoma quem?
- ❌ A) Pedro. Ele aparece como personagem, mas não é o referente de “ela”. Escolher o personagem mais saliente revela que o aluno pode não ter conferido gênero e sentido.
- ❌ B) A pessoa que procurava um livro, sem indicar exatamente quem era. O texto identifica essa pessoa como Ana; a resposta vaga mostra que o aluno compreende a situação, mas não seleciona o antecedente específico.
- ✅ C) Ana. “Ela” retoma Ana, mencionada antes e compatível com o pronome. O aluno localiza corretamente o referente.
- ❌ D) O livro de histórias. O livro é o objeto procurado, não a pessoa que procura; a escolha revela confusão entre agente e objeto da ação.
- ❌ E) A biblioteca. É o cenário, não a pessoa feminina retomada. A escolha sugere que o aluno se orientou pelo tema da frase sem testar a relação.
Para revisar, peça que o aluno substitua “ela” por “Ana” e leia o resultado, observando quem estava procurando o livro.
Questão 3 — “Ana trouxe as flores e elas estavam lindas.” Qual é a referência anafórica correta na frase?
- ✅ A) As flores. “Elas” concorda em gênero e número com “as flores” e retoma esse termo.
- ❌ B) Ana. O pronome plural “elas” não retoma a personagem singular. A escolha pode revelar associação automática entre pronome e pessoa, sem atenção à concordância.
- ❌ C) Estavam. É um verbo, não o elemento retomado por “elas”. A escolha indica confusão entre a ação verbal e seu referente.
- ❌ D) Lindas. A palavra descreve as flores, mas não é aquilo a que o pronome se refere. O erro sugere confusão entre característica e referente.
- ❌ E) Trouxe. Também é verbo e não funciona como referente nesse contexto; a resposta revela que o aluno procura uma palavra da frase sem considerar sua função.
Uma boa intervenção é cobrir “as flores” e perguntar qual expressão poderia ocupar o lugar de “elas” sem mudar a informação.
Questão 4 — “O cachorro de Ana é brincalhão. Ele gosta de correr no parque.” A palavra “Ele” substitui qual palavra?
- ❌ A) Ana. Ana é mencionada, mas “Ele” retoma o cachorro. A escolha pode vir da proximidade do nome e mostra que a criança ainda não cruzou o pronome com o sentido.
- ❌ B) Brincalhão. É uma característica, não o ser de quem se fala; escolher essa opção revela confusão entre qualidade e referente.
- ✅ C) Cachorro. “Ele” retoma o cachorro, que já foi apresentado na frase anterior.
- ❌ D) Parque. É o lugar onde a ação acontece, não o elemento que gosta de correr. A resposta indica confusão entre cenário e personagem.
- ❌ E) Correr. É uma ação, não aquilo que o pronome substitui nesta frase. O erro mostra que o aluno pode estar escolhendo uma palavra ligada ao sentido, sem verificar a função.
Como item de abertura, é útil pedir que a criança leia “O cachorro gosta de correr” e diga se a frase mantém o sentido.
Questão 5 — “A Maria foi ao parque. Ela se divertiu muito com os amigos.” Qual é a palavra que faz referência à Maria na segunda frase?
- ❌ A) Maria. É o nome retomado, mas a pergunta pede a palavra na segunda frase que faz referência a ela. Escolhê-lo mostra que o aluno identificou o personagem, mas não o pronome.
- ✅ B) Ela. O pronome substitui o nome Maria na segunda frase e mantém a coesão.
- ❌ C) Parque. Indica o lugar a que Maria foi, não a palavra que a retoma. A escolha pode revelar confusão entre pessoa e cenário.
- ❌ D) Amigos. Refere-se às pessoas com quem Maria se divertiu, não à própria Maria. O erro mostra dificuldade em separar participantes da situação.
- ❌ E) Se divertiu. É a ação atribuída a Maria, não a palavra que faz referência a ela. A escolha sugere confusão entre sujeito e predicado.
Peça que o estudante substitua “ela” por “Maria” na segunda frase e observe que a referência continua compreensível.
Questão 6 — No bairro do Vale Verde, uma voluntária relatou sua experiência na feira de ciências da escola municipal. Ela levou um catálogo com experiências simples para demonstrar princípios físicos. Ao perceber o entusiasmo dos visitantes, a voluntária enviou o catálogo aos professores que não puderam comparecer. Eles agradeceram e afirmaram que ele complementaria suas aulas práticas. No dia seguinte, ela recebeu mensagens elogiando a iniciativa e sugerindo mais materiais semelhantes. Identifique o referente de “ele” em “afirmaram que ele complementaria suas aulas práticas”.
- ❌ A) O entusiasmo dos visitantes. É uma reação, não o recurso que complementaria as aulas. A escolha revela associação com uma ideia próxima, sem verificar o sentido de “complementaria”.
- ❌ B) As aulas práticas dos professores. São o contexto em que o recurso será usado, não o referente de “ele”. O erro mostra confusão entre objeto e finalidade.
- ❌ C) A iniciativa de enviar recursos. A iniciativa é uma ação; o pronome retoma o catálogo, que pode complementar as aulas. Este é o distrator mais provável indicado na ficha e pode sinalizar confusão entre ação e objeto.
- ❌ D) A feira de ciências. É o evento em que a experiência aconteceu, não o material enviado. A escolha revela que o aluno se apoia no assunto geral.
- ✅ E) O catálogo com experiências. “Ele” retoma o catálogo enviado aos professores, que complementaria as aulas práticas.
Como o texto tem mais candidatos, peça uma releitura do período e a substituição: “o catálogo complementaria suas aulas”.
Questão 7 — Manchete fictícia: “Inauguração de biblioteca comunitária estimula ações coletivas”. A prefeitura inaugurou uma biblioteca comunitária no centro da cidade. O espaço oferece acesso gratuito a livros, computadores e rodas de leitura para todas as idades. Essa iniciativa busca promover a cultura e apoiar estudantes. O projeto também prevê a criação de um clube de leitura e oficinas de escrita criativa. Além disso, ele contará com exposições de arte produzida por moradores. Muitos elogiam a proposta. A que elemento se refere “ele” no segundo parágrafo?
- ❌ A) O espaço. É o local que oferece os recursos, mas “ele” retoma o elemento que prevê atividades. A escolha revela confusão entre espaço físico e projeto.
- ❌ B) A biblioteca. Embora seja central no texto, o pronome retoma “o projeto”, não o edifício. O aluno pode estar seguindo o tema mais recorrente.
- ❌ C) A iniciativa. É uma expressão relacionada, mas a explicação do item distingue a iniciativa apresentada no primeiro parágrafo do projeto retomado no segundo. A escolha pode indicar leitura global sem atenção à organização textual.
- ❌ D) As oficinas. São uma das atividades previstas, não o conjunto que contará com exposições. O erro revela confusão entre parte e todo.
- ✅ E) O projeto. “Ele” retoma “o projeto”, apresentado no início do segundo parágrafo.
Peça aos alunos que circulem o começo do segundo parágrafo e tracem uma seta do pronome até o antecedente.
Questão 8 — “Marina encontrou uma carteira no pátio. Ela entregou o objeto à secretaria. Isso deixou o dono aliviado.” No texto, o pronome “Isso” retoma
- ✅ A) A entrega da carteira à secretaria por Marina. “Isso” retoma a ação apresentada na frase anterior, que deixou o dono aliviado.
- ❌ B) O pátio onde Marina encontrou a carteira. O lugar não é a ação que explica o alívio; a escolha revela que o aluno pode estar retomando um detalhe de cenário.
- ❌ C) A carteira encontrada por Marina. O objeto participa do acontecimento, mas “isso” aponta para a entrega, não apenas para a carteira. O erro mostra confusão entre objeto e ação.
- ❌ D) Marina. O pronome não retoma a pessoa, mas o acontecimento da frase anterior. Essa é a alternativa indicada como distrator mais provável; escolhê-la pode revelar que o aluno ainda associa todo pronome a um nome.
- ❌ E) O dono que perdeu a carteira. O dono é afetado pela ação, não o referente de “isso”. A escolha confunde consequência ou participante com o acontecimento retomado.
Para tornar a referência visível, reformule: “A entrega da carteira à secretaria deixou o dono aliviado”.
Quais dúvidas os professores têm sobre referência pronominal?
Na prática, as dúvidas mais comuns são como distinguir antecedente de referente, como saber se o pronome retoma uma ação e como avaliar sem confundir gramática com compreensão de texto. Eu respondo olhando para a função que a questão propõe, a complexidade de leitura e a justificativa que o aluno consegue oferecer. Não existe uma única pista suficiente para todos os casos: proximidade ajuda, concordância restringe possibilidades e o sentido confirma a interpretação. As fichas deste conjunto mostram desde itens diretos até textos interpretativos, com tempos e níveis de leitura variados, todos sem cálculo. A escolha entre atividade, diagnóstico, prova ou simulado depende do uso indicado para cada questão e do objetivo da aula, não apenas do ano escolar em que o conteúdo aparece.
Referente e antecedente significam a mesma coisa?
Os termos são próximos, mas podem ser usados com recortes diferentes. Antecedente costuma nomear a palavra ou expressão anterior a que o pronome se liga; referente é aquilo a que o pronome aponta no contexto. Quando “isso” retoma uma ação inteira, falar apenas em antecedente como uma palavra isolada pode limitar a explicação. Para os alunos, começo com “o que essa palavra está retomando?” e introduzo os termos técnicos gradualmente.
Como ensino quando “isso” retoma uma ação inteira?
Apresente duas frases conectadas e peça ao estudante que diga o que aconteceu, não somente quem ou o que participou. Depois, reformule a ação como um nome: “Marina entregou a carteira” pode virar “a entrega da carteira”. Compare essa expressão com o pronome “isso” e releia a frase seguinte. A substituição mostra que o referente pode ser uma situação ou ideia completa.
Devo ensinar que o pronome sempre retoma a palavra mais próxima?
Não. A proximidade é uma pista útil em alguns exemplos, mas pode levar a respostas erradas quando o candidato mais próximo não combina com o pronome ou com o sentido. Ensine o aluno a verificar concordância, papel na frase e relação entre as informações. A resposta precisa funcionar quando o pronome é substituído pelo referente, e não apenas estar perto dele.
Como separar dificuldade de pronome de dificuldade de leitura?
Use primeiro uma frase curta em que o aluno reconheça os personagens e os objetos; depois, aumente o texto sem mudar o tipo de referência. Se ele erra já a compreensão literal, trabalhe a leitura e a identificação dos elementos. Se compreende o texto, mas escolhe um referente incompatível, retome pronome, concordância e coesão. Registre a justificativa, não somente o acerto.
Qual questão usar para um diagnóstico rápido?
Escolha uma questão curta e direta, como a do cachorro ou a de Pedro e Ana, e peça uma justificativa oral. As fichas indicam que esses itens servem para diagnóstico e avaliação rápida; observe também as indicações específicas de simulado, pois nem todos os itens são recomendados para esse uso. Um item isolado oferece um indício, não um retrato completo da aprendizagem.
Quando posso avançar para textos mais longos?
Avance quando a turma identifica referentes em frases simples e consegue explicar a escolha com alguma pista textual, sem depender apenas da posição. Introduza então parágrafos com candidatos concorrentes, como a questão do catálogo ou a do projeto comunitário. Se os erros aumentarem, investigue se o desafio está na extensão da leitura, no vocabulário ou na referência; ajuste uma variável por vez.
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