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Questão de Filosofia do Enem 2019: análise e resposta

Entenda a questão de Filosofia do Enem 2019 sobre Descartes e a razão humana. Veja a resposta correta e como interpretar os textos para chegar a ela.

Questão de Filosofia do Enem 2019: análise e resposta

Na questão de Filosofia do Enem 2019, os textos de Descartes e James Rachels abordam a busca racional por explicações sobre o mundo e Deus. A resposta correta é o modelo centrado na razão humana: em vez de se limitar à fé ou a explicações míticas, a filosofia moderna valoriza a investigação e a reflexão racional.

Quando trabalho questões de Filosofia do Enem com uma turma, costumo pedir que os estudantes leiam os textos antes de olhar as alternativas. Na questão de 2019, esse cuidado ajuda bastante: Descartes e Rachels discutem a possibilidade de compreender o mundo e a divindade, e a resposta depende de reconhecer o papel atribuído à razão humana.

Eu também aproveito a questão para mostrar que filosofia não é decorar nomes. É comparar argumentos, identificar o problema em debate e justificar uma escolha. A seguir, explico como conduzir essa leitura e reuni seis questões da base do GeraProva, com alternativas comentadas, dica de resolução, conceito central e habilidades associadas.

O que a questão de Filosofia do Enem 2019 está perguntando?

A questão de Filosofia do Enem 2019 pergunta qual modelo de pensamento moderno aparece no diálogo entre os dois textos. No primeiro, Descartes contempla Deus e seus atributos; no segundo, Rachels pergunta se há razões para acreditar que o mundo foi criado por uma divindade. O ponto comum não é simplesmente a religião: é a possibilidade de examinar racionalmente ideias sobre Deus e sobre a realidade. Por isso, a alternativa correta é a que aponta um modelo centrado na razão humana. Para chegar a ela, eu recomendo sublinhar o problema compartilhado pelos textos e só depois comparar as opções. A questão mobiliza análise de fontes, habilidade relacionada à BNCC EM13CHS101, e exige mais do que reconhecer o nome de um filósofo: o estudante precisa interpretar perspectivas e relacioná-las à modernidade.

Uma leitura apressada pode levar a escolher uma alternativa por causa da palavra “Deus”. Mas a presença de um tema religioso não transforma automaticamente o texto em explicação mitológica. O trecho de Rachels, inclusive, pergunta por razões para sustentar uma crença. O foco está no exame racional, não em aceitar uma narrativa sem discussão.

Como resolver a questão sem se perder nas alternativas?

Para resolver a questão, eu seguiria três passos: identificar o tema comum, formular a ideia central com palavras próprias e eliminar alternativas que não correspondem ao texto. Aqui, o tema comum é a investigação sobre Deus e o mundo; a ideia central é que essas questões podem ser examinadas pela razão. Em seguida, vale conferir se as opções tratam de mito, contratualismo, etnocentrismo ou imanência: nenhuma dessas noções explica diretamente os dois excertos. A opção “centrado na razão humana” reúne melhor a atitude de análise presente no enunciado. Esse método também serve para outras questões de interpretação do Enem, porque evita que a turma escolha uma resposta apenas por associação de palavras. Eu peço aos estudantes que justifiquem a alternativa correta citando uma evidência do texto e expliquem por que ao menos um distrator não se aplica.

Na prática, uma rotina de cinco minutos funciona bem: leitura individual, marcação de palavras-chave, conversa em dupla e justificativa escrita. Se eu quiser ampliar a atividade, peço que os estudantes comparem racionalismo, mito e fé sem tratar essas categorias como sinônimos. O objetivo é argumentar com base no trecho.

Como transformar essa questão em uma atividade para a turma?

Eu transformaria essa questão em uma atividade curta de leitura comparativa. Primeiro, entregaria os textos sem as alternativas e pediria uma frase que resumisse a pergunta filosófica comum. Depois, organizaria grupos para defender interpretações diferentes, sempre exigindo evidências dos excertos. Por fim, apresentaria as alternativas e pediria que cada estudante justificasse a escolha e descartasse um distrator. A sequência trabalha interpretação, argumentação e revisão conceitual sem reduzir a aula a uma correção de gabarito. Para preparar novas versões por tema, dificuldade ou habilidade, o GeraProva pode ajudar a economizar tempo na montagem dos materiais; eu ainda reviso cada questão para adequá-la à minha turma. O professor pode fazer o cadastro grátis e testar a plataforma com seus próprios objetivos pedagógicos.

Uma boa extensão é pedir que a turma crie uma alternativa incorreta plausível e explique o erro. Essa tarefa obriga o estudante a compreender o conceito, não apenas memorizar a letra certa. Também permite observar dificuldades recorrentes antes de uma avaliação maior.

Questões prontas com gabarito comentado

As seis questões a seguir permitem trabalhar temas variados da Filosofia e habilidades de leitura cobradas no Enem. Em cada uma, apresento o gabarito, explico por que os distratores não se sustentam e registro a dica de resolução, o conceito central, a revisão sugerida, o código BNCC e o nível de Bloom informado na base do GeraProva. Recomendo usar primeiro os enunciados sem consultar as respostas: cada estudante pode anotar sua hipótese e uma evidência textual. Depois, a correção comentada ajuda a transformar o erro em oportunidade de aprendizagem. As questões percorrem racionalismo, unidade do conhecimento, Revolução Científica, solipsismo, pensamento grego e atividade filosófica. Essa variedade é útil para uma revisão temática ou para selecionar itens conforme o conteúdo já estudado. A classificação pedagógica não substitui o planejamento docente, mas oferece pistas para organizar a discussão e adaptar o nível de apoio à turma.

Questão 1 — ENEM 2019: modernidade e razão humana

Enunciado: Texto I: “Considero apropriado deter-me algum tempo na contemplação deste Deus todo perfeito, ponderar totalmente à vontade seus maravilhosos atributos, considerar, admirar e adorar a incomparável beleza dessa imensa luz.” DESCARTES, R. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
Texto II: “Qual será a forma mais razoável de entender como é o mundo? Existirá alguma boa razão para acreditar que o mundo foi criado por uma divindade todo-poderosa? Não podemos dizer que a crença em Deus é ‘apenas’ uma questão de fé.” RACHELS, J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009. Os textos abordam um questionamento da construção da modernidade que defende um modelo:

  • ✅ A) Centrado na razão humana. Correta: os textos permitem examinar racionalmente a ideia de Deus e a compreensão do mundo.
  • ❌ B) Baseado na explicação mitológica. Incorreta: os excertos não apresentam uma narrativa mítica como explicação; tratam de reflexão filosófica.
  • ❌ C) Fundamentado na ordenação imanentista. Incorreta: a imanência não é o foco comum dos textos, que discutem razão, mundo e divindade.
  • ❌ D) Focado na legitimação contratualista. Incorreta: não há discussão sobre contrato social ou fundamento da autoridade política.
  • ❌ E) Configurado na percepção etnocêntrica. Incorreta: os textos não comparam culturas nem defendem a superioridade de um grupo.

Dica de resolução: Compare as ideias dos textos para identificar o modelo defendido.
Conceito central: modernidade e razão humana.
Conceito para revisão: modernidade e racionalismo filosófico.
BNCC: EM13CHS101. Bloom: Analisar. Dificuldade: média.

Questão 2 — ENEM 2021: a árvore do conhecimento

Enunciado: “A filosofia é como uma árvore, cujas raízes são a metafísica; o tronco, a física, e os ramos que saem do tronco são todas as outras ciências, que se reduzem a três principais: a medicina, a mecânica e a moral, entendendo por moral a mais elevada e a mais perfeita porque pressupõe um saber integral das outras ciências, e é o último grau da sabedoria.” DESCARTES, R. Princípios da filosofia. Lisboa: Edições 70, 1997 (adaptado). Essa construção alegórica de Descartes, acerca da condição epistemológica da filosofia, tem como objetivo:

  • ✅ A) Sustentar a unidade essencial do conhecimento. Correta: a metáfora apresenta os saberes conectados em uma estrutura integrada, da raiz aos ramos.
  • ❌ B) Refutar o elemento fundamental das crenças. Incorreta: Descartes organiza as áreas do saber; não está refutando crenças nessa alegoria.
  • ❌ C) Impulsionar o pensamento especulativo. Incorreta: a imagem explica a relação e a organização dos conhecimentos, não incentiva especulação como objetivo principal.
  • ❌ D) Recepcionar o método experimental. Incorreta: a passagem não apresenta a adoção de um método experimental; descreve a estrutura do saber.
  • ❌ E) Incentivar a suspensão dos juízos. Incorreta: a alegoria não propõe suspender juízos, mas relacionar os campos do conhecimento.

Dica de resolução: Analise a metáfora para entender a relação entre as ciências e a filosofia.
Conceito central: condição epistemológica da filosofia.
Conceito para revisão: unidade do conhecimento e metafísica em filosofia.
BNCC: EM13CHS501. Bloom: Analisar. Dificuldade: média.

Questão 3 — ENEM 2014: Galileu e a matemática

Enunciado: “A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em língua matemática, os caracteres são triângulos, circunferências e outras figuras geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles, vagamos perdidos dentro de um obscuro labirinto.” GALILEI, G. O ensaiador. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978. No contexto da Revolução Científica do século XVII, assumir a posição de Galileu significava defender a:

  • ❌ A) Continuidade do vínculo entre ciência e fé dominante na Idade Média. Incorreta: o trecho destaca uma nova forma matemática de investigar a natureza, não a continuidade do quadro medieval.
  • ❌ B) Necessidade de o estudo linguístico ser acompanhado do exame matemático. Incorreta: a “língua” é uma metáfora para a linguagem matemática da natureza, não uma defesa de estudo linguístico.
  • ✅ C) Oposição da nova física quantitativa aos pressupostos da filosofia escolástica. Correta: Galileu valoriza a matematização e a investigação quantitativa da natureza, em contraste com explicações tradicionais.
  • ❌ D) Importância da independência da investigação científica pretendida pela Igreja. Incorreta: o texto não afirma que a Igreja pretendia essa independência; o foco é o método de compreender o universo.
  • ❌ E) Inadequação da matemática para elaborar uma explicação racional da natureza. Incorreta: Galileu afirma justamente que a matemática é indispensável para ler o “livro” do universo.

Dica de resolução: Considere as ideias de Galileu sobre ciência e método científico.
Conceito central: Revolução Científica.
Conceito para revisão: contribuições de Galileu para a ciência moderna.
BNCC: EM13CHS101. Bloom: Compreender. Dificuldade: média.

Questão 4 — ENEM 2020: dúvida sobre a realidade externa

Enunciado: “Será que as coisas pareceriam diferentes se, de fato, todas elas existissem apenas na sua mente — se tudo o que você julgasse ser o mundo externo real fosse apenas um sonho ou alucinação gigante, de que você jamais fosse despertar? Se assim fosse, então é claro que você nunca poderia despertar, como faz quando sonha, pois significaria que não há mundo ‘real’ no qual despertar. Logo, não seria exatamente igual a um sonho ou alucinação normal.” NAGEL, T. Uma breve introdução à filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2011. O texto confere visibilidade a uma doutrina filosófica contemporânea conhecida como:

  • ❌ A) Personalismo, que vincula a realidade circundante aos domínios do pessoal. Incorreta: o personalismo se volta à pessoa e à sua dignidade, não especificamente à dúvida sobre o mundo externo.
  • ❌ B) Falsificacionismo, que estabelece ciclos de problemas para refutar a conjectura. Incorreta: o falsificacionismo discute o teste de teorias científicas, não a hipótese de uma realidade dependente da mente.
  • ❌ C) Falibilismo, que rejeita mecanismos mentais para sustentar uma crença inequívoca. Incorreta: o falibilismo trata da possibilidade de erro no conhecimento, mas não nomeia diretamente a tese apresentada.
  • ❌ D) Idealismo, que nega a existência de objetos independentemente do trabalho cognoscente. Incorreta: embora se aproxime da discussão sobre a realidade, a passagem destaca a hipótese de que só a própria mente seja certa.
  • ✅ E) Solipsismo, que reconhece limitações cognitivas para compreender uma experiência compartilhada. Correta: o texto põe em questão a existência de um mundo externo independente da experiência mental individual.

Dica de resolução: Relacione a hipótese de que só a própria mente é certa ao conceito filosófico correspondente.
Conceito central: solipsismo.
Conceito para revisão: doutrinas filosóficas contemporâneas e suas características.
BNCC: EM13CHS101. Bloom: Analisar. Dificuldade: média.

Questão 5 — ENEM 2022: pólis e pensamento racional

Enunciado: “Advento da Polis, nascimento da filosofia: entre as duas ordens de fenômenos, os vínculos são demasiado estreitos para que o pensamento racional não apareça, em suas origens, solidário das estruturas sociais e mentais próprias da cidade grega. Assim recolocada na história, a filosofia despoja-se desse caráter de revelação absoluta que às vezes lhe foi atribuído, saudando, na jovem ciência dos jônios, a razão intemporal que veio encarnar-se no Tempo. A escola de Mileto não viu nascer a Razão; ela construiu uma Razão, uma primeira forma de racionalidade. Essa razão grega não é a razão experimental da ciência contemporânea.” VERNANT, J. P. Origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Difel, 2002. Os vínculos entre os fenômenos indicados no trecho foram fortalecidos pelo surgimento de uma categoria de pensadores, a saber:

  • ❌ A) Os epicuristas, envolvidos com o ideal de vida feliz. Incorreta: o epicurismo se relaciona à busca de uma vida feliz, não à categoria indicada pelo contexto da formação da pólis.
  • ❌ B) Os estoicos, dedicados à superação dos infortúnios. Incorreta: o estoicismo trata da conduta diante das adversidades, mas não corresponde aos pensadores apontados aqui.
  • ✅ C) Os sofistas, comprometidos com o ensino da retórica. Correta: os sofistas atuaram na vida pública da pólis e ensinavam retórica, conectando pensamento e participação cívica.
  • ❌ D) Os peripatéticos, empenhados na dinâmica do ensino. Incorreta: os peripatéticos são ligados à escola de Aristóteles e não à categoria destacada na questão.
  • ❌ E) Os poetas rapsodos, responsáveis pela narrativa do mito. Incorreta: os rapsodos transmitiam narrativas poéticas e míticas, não são os pensadores relacionados à retórica pública.

Dica de resolução: Identifique a categoria de pensadores ligada à retórica na Grécia Antiga.
Conceito central: filosofia grega e sofistas.
Conceito para revisão: escolas filosóficas da Grécia Antiga e suas características.
BNCC: EM13CHS101. Bloom: Compreender. Dificuldade: média.

Questão 6 — ENEM 2018: saber, dúvida e atividade filosófica

Enunciado: “O filósofo reconhece-se pela posse inseparável do gosto da evidência e do sentido da ambiguidade. Quando se limita a suportar a ambiguidade, esta se chama equívoco. Sempre aconteceu que, mesmo aqueles que pretenderam construir uma filosofia absolutamente positiva, só conseguiram ser filósofos na medida em que, simultaneamente, se recusaram o direito de se instalar no saber absoluto. O que caracteriza o filósofo é o movimento que leva incessantemente do saber à ignorância, da ignorância ao saber, e um certo repouso neste movimento.” MERLEAU-PONTY, M. Elogio da filosofia. Lisboa: Guimarães, 1998 (adaptado). O texto apresenta um entendimento acerca dos elementos constitutivos da atividade do filósofo, que se caracteriza por:

  • ❌ A) Reunir os antagonismos das opiniões ao método dialético. Incorreta: a passagem não define a atividade filosófica pela reunião de opiniões em um método dialético.
  • ❌ B) Ajustar a clareza do conhecimento ao inatismo das ideias. Incorreta: o inatismo não é discutido; o texto aborda o movimento entre saber e ignorância.
  • ❌ C) Associar a certeza do intelecto à imutabilidade da verdade. Incorreta: o autor rejeita a instalação em um saber absoluto, em vez de propor uma verdade imutável como característica central.
  • ✅ D) Conciliar o rigor da investigação à inquietude do questionamento. Correta: a busca por evidências convive com a ambiguidade e com a disposição constante de questionar.
  • ❌ E) Compatibilizar as estruturas do pensamento aos princípios fundamentais. Incorreta: essa formulação não corresponde ao movimento entre conhecimento e ignorância descrito no trecho.

Dica de resolução: Observe a convivência entre gosto da evidência, ambiguidade e movimento do saber.
Conceito central: atividade do filósofo.
Conceito para revisão: elementos constitutivos da atividade filosófica.
BNCC: EM13CHS101. Bloom: Compreender. Dificuldade: média.

As questões e os comentários servem como apoio ao planejamento, não substituem sua análise do currículo nem a conferência dos materiais antes de usar em aula. Se quiser ganhar tempo na preparação de outras atividades, teste o GeraProva e adapte os resultados ao perfil da sua turma.

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