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Probabilidade sem reposição: o erro de manter o mesmo total na segunda retirada

Em várias questões, o aluno calcula a primeira chance corretamente, mas não atualiza o total após a retirada. Veja como identificar esse erro, ensinar eventos dependentes e escolher questões para cada etapa da avaliação.

Probabilidade sem reposição: o erro de manter o mesmo total na segunda retirada

Eu vejo o mesmo tropeço aparecer quando proponho um sorteio simples: o aluno acerta que há 12 possibilidades e 8 casos favoráveis na primeira retirada, mas, para a segunda, escreve de novo 8/12. Quando pergunto o que aconteceu com o cartão que saiu, ele percebe que o objeto não voltou; ainda assim, não atualizou a conta. A dificuldade não é só fazer uma multiplicação. É acompanhar a situação depois da primeira etapa e compreender que a composição do conjunto mudou.

Também já vi o caminho oposto: o estudante percebe que a chance mudou, calcula a probabilidade da segunda retirada e entrega esse número como resposta, esquecendo a primeira. Em atividades com duas condições — primeiro azul e depois vermelho, por exemplo — alguns até somam ou subtraem as frações. Esses registros me ajudam a distinguir desatenção ao enunciado, confusão entre eventos dependentes e dificuldade com frações. É essa leitura pedagógica, não apenas o gabarito, que orienta o que eu retomo na aula seguinte.

O que é probabilidade sem reposição, explicado para o professor?

Probabilidade sem reposição descreve uma situação em que um elemento é retirado de um conjunto e não é devolvido antes da próxima retirada. Por isso, o total disponível muda; se o elemento retirado pertencia ao grupo favorável, esse grupo também diminui. Em duas etapas sucessivas, calculo a chance da primeira condição e multiplico pela chance da segunda, já considerando o que aconteceu na primeira. Por exemplo, com 3 cartões vermelhos em 5, a chance de retirar dois vermelhos é 3/5 × 2/4 = 3/10. O segundo denominador não continua sendo 5. O conceito aparece em Matemática no 7º, 8º e 9º anos, também em questões de nível médio e ENEM. As habilidades relacionadas incluem EF07MA34, EF08MA22, EF09MA20, EF03MA25 e EM13MAT312; é importante, porém, observar a tarefa concreta e não presumir que toda questão dessas habilidades envolva retirada sem reposição.

Uma distinção didática vale atenção: a questão 4 deste conjunto descreve explicitamente que o cartão é devolvido à sacola. Ela trata de comparação de chances com reposição, não é um exemplo de retirada sem reposição. Ainda assim, funciona como contraste diagnóstico: o aluno precisa identificar o que o texto diz antes de escolher o modelo de cálculo. Dizer isso em voz alta ajuda a turma a não associar automaticamente qualquer sorteio a uma única regra.

O que o aluno precisa saber antes de estudar esse conceito?

Nas fichas das questões, os pré-requisitos recorrentes são probabilidade simples ou básica, frações e proporções, multiplicação de frações e compreensão de eventos dependentes. Antes de propor uma situação com duas retiradas, verifico se a turma consegue identificar casos favoráveis e possíveis, escrever uma razão como fração e calcular um produto simples. Também peço que expliquem, sem fazer conta, o que muda quando um objeto é retirado e não retorna. Essa conversa revela se o obstáculo está na leitura da condição, na ideia de dependência ou na operação. As questões têm níveis de leitura baixo a médio; por isso, quando um estudante erra, não atribuo automaticamente a resposta à interpretação textual. Uma checagem curta com cartões, desenhos ou uma tabela permite observar o raciocínio em cada etapa e decidir se devo retomar frações, probabilidade simples ou a atualização do conjunto.

Eu faria uma sondagem de três itens antes da sequência: uma chance simples, um produto de frações fora de contexto e a pergunta “depois que um cartão sai e não volta, quantos ficam?”. Peço que o aluno registre como pensou, mesmo que não termine. Se ele calcula 3/5 corretamente, mas repete 3/5 na etapa seguinte, a prioridade é dependência. Se escreve 3/5 × 2/4, mas não simplifica ou interpreta o resultado, a retomada pode ser operacional. Se responde apenas 2/4, está considerando a segunda etapa isoladamente.

Quais são os erros mais comuns em probabilidade sem reposição?

Nas questões de retirada genuinamente sem reposição, um padrão importante é manter na segunda etapa a quantidade inicial de elementos favoráveis ou o denominador original. As fichas apontam esse erro, com variações, nas questões 1, 2, 3, 5, 6, 7 e 8: o aluno pode tratar as retiradas como independentes, esquecer de diminuir o total ou atualizar só uma parte da fração. Não afirmo que isso seja o distrator mais escolhido em todas; os distratores registrados variam entre B, A, B, D, D, E e A questão 4, que tem reposição, é uma situação diferente. Também aparecem respostas que consideram só uma etapa, confundem a operação ou focam no grupo errado. Cada erro indica uma intervenção diferente; olhar apenas se a resposta final está certa não basta para planejar a retomada.

Repetir a mesma fração na segunda retirada

É o erro mais diretamente ligado a tratar o sorteio como se houvesse reposição. Na questão dos cartões vermelhos, por exemplo, o distrator A multiplica 3/5 por 3/5. O aluno reconhece a regra do produto, mas não atualiza as quantidades. Eu peço que represente fisicamente a primeira retirada e conte o que sobrou. Depois, solicito que explique por que a fração seguinte é 2/4, e não 3/5. Essa intervenção mira a dependência, não a multiplicação.

Considerar só a primeira ou só a segunda condição

Alguns alunos respondem com a chance de uma etapa, embora o enunciado exija duas. Na situação de fichas azuis e vermelhas, escolher 4/9 ou 3/8 ignora uma das condições. Em outros casos, a pessoa calcula a chance condicional da segunda etapa e a entrega como probabilidade total. Eu marco cada exigência do enunciado — “primeiro”, “depois”, “ambos” — e peço que o estudante confira se a expressão representa todas elas. Assim, ele associa “e” sucessivo à combinação das etapas, em vez de selecionar um número familiar.

Somar ou subtrair probabilidades de eventos sucessivos

Na questão dos cartões com a palavra Matemática, há um distrator baseado em somar probabilidades; em outra, subtrai-se quando a pergunta exige que duas condições ocorram em sequência. Isso revela que o aluno pode conhecer operações com probabilidades de forma fragmentada e escolher a conta pela aparência, sem interpretar o evento. Eu pergunto: “A resposta precisa representar a primeira condição e a segunda, ou uma alternativa entre elas?”. Para uma sequência em que ambas devem ocorrer, construímos as etapas e usamos o produto, considerando a mudança no conjunto.

Atualizar o grupo favorável, mas não o total

Na questão dos 20 alunos, uma alternativa reduz de 12 para 11 os alunos que preferem futebol, mas mantém 20 no denominador. O raciocínio mostra que o estudante percebeu a saída de alguém do grupo favorável, porém não percebeu que também saiu do total disponível. Eu trabalho com duas colunas — “favoráveis” e “possíveis” — e atualizo ambas a cada retirada. Essa organização evita que o aluno mude apenas o numerador e reforça que o denominador representa os elementos que ainda podem ser escolhidos.

Ignorar a ordem ou trocar o grupo pedido

Quando o enunciado pede futebol primeiro e vôlei depois, usar futebol nas duas etapas altera o evento. Quando pede dois alunos que preferem chocolate, usar a quantidade de outro sabor muda o grupo favorável. Esses erros não são necessariamente falhas na regra de dependência; podem apontar leitura apressada ou dificuldade de traduzir palavras em condições matemáticas. Eu peço que o aluno sublinhe a ordem e identifique, antes de calcular, qual grupo conta em cada etapa. Para comparar com um evento sem ordem, discuto separadamente o que a pergunta solicita, sem misturar procedimentos.

Como ensinar probabilidade sem reposição passo a passo?

Começo com um experimento pequeno e visível, como cartões de duas cores, e faço uma previsão antes de calcular. Retiro um cartão sem devolvê-lo, mostro o conjunto restante e pergunto o que mudou: total, quantidade favorável ou ambos. Em seguida, registro a primeira probabilidade e a segunda probabilidade condicionada ao resultado anterior. Só depois escrevo o produto. As dicas de resolução das fichas convergem nessa direção: calcular cada etapa considerando a ausência de reposição, reduzir o total e multiplicar as chances sucessivas. Depois comparo com uma experiência com reposição, para que a diferença não fique escondida na fórmula. Finalizo com problemas em que a ordem importa e outros em que a condição é “ambos do mesmo grupo”, pedindo justificativa oral ou escrita, não apenas o resultado numérico.

Uma sequência realista pode ocupar dois ou três momentos curtos. Primeiro, diagnostico os pré-requisitos e construo a representação concreta. Segundo, resolvemos juntos um caso em que o primeiro resultado muda o número de casos favoráveis, como duas retiradas do mesmo grupo. Terceiro, proponho um caso de grupos distintos, como azul primeiro e vermelho depois. Em cada exemplo, a turma completa uma tabela: etapa, favoráveis restantes, total restante e probabilidade da etapa. Essa tabela torna visível que nem sempre o numerador muda: se a primeira retirada for azul e depois se pede vermelho, podem restar as mesmas três fichas vermelhas, mas o denominador cai.

Na prática, ensino a escrever primeiro a sequência em palavras: “chance do primeiro evento” vezes “chance do segundo, dado o primeiro”. Depois substituímos as expressões por frações. Incentivo a não simplificar cedo demais quando isso dificulta enxergar a origem dos números; ao final, simplificamos e, se útil, convertemos para decimal ou porcentagem. Também peço uma frase de interpretação, por exemplo: “a chance é 1/6 porque precisamos tirar azul e, em seguida, vermelho”. Isso separa erro de modelo de erro aritmético e fornece evidência para a próxima aula.

Como avaliar: que questão usar em cada momento?

Eu começo com uma questão curta de leitura baixa, como futebol entre 20 alunos, para verificar se o estudante atualiza o total e multiplica as etapas. Questões desse tipo têm cálculo e tempo médio nas fichas; as mais simples podem funcionar como diagnóstico ou progressão, mas os registros não as classificam como avaliação rápida. Para consolidar, uso situações com mais texto ou uma ordem específica, como azul primeiro e vermelho depois. O conjunto tem itens que servem para prova, atividade, lição de casa e diagnóstico; várias fichas também indicam uso em simulado, enquanto as questões 2, 3, 4, 5 e 8 não são marcadas como boas para avaliação rápida. O poder de discriminação registrado é alto em duas questões e médio em outras. Isso ajuda a compor a avaliação, mas não transforma uma questão isolada em medida definitiva da aprendizagem.

Para diagnóstico, aplico a questão sem ensinar a regra imediatamente e recolho os cálculos intermediários. Um resultado como 9/25 informa mais quando consigo ver que o aluno repetiu 3/5 nas duas etapas: há uma ideia de multiplicação, mas falta reconhecer a dependência. Para atividade ou lição, vale pedir que o estudante desenhe o conjunto antes e depois da retirada. Para consolidar em prova ou simulado, alterno contexto cotidiano e formulação mais direta, além de variar se as duas retiradas pedem o mesmo grupo ou grupos diferentes. Nas fichas, a maioria das questões é indicada para prova, atividade, lição e diagnóstico; seis também para simulado. A questão 4 pode compor um contraste sobre reposição, não ser usada como item de cálculo sem reposição.

Considere também o tempo e a leitura. As fichas costumam indicar tempo médio, e uma delas especifica 2 a 3 minutos; os níveis de leitura variam de baixo a médio. Uma questão longa pode avaliar também a atenção às condições do texto, enquanto uma versão objetiva reduz essa carga e evidencia melhor o procedimento. Como todos os exemplos de cálculo exigem operações, evito interpretar erro aritmético como incompreensão conceitual sem conferir o modelo montado. Os itens de maior discriminação podem ajudar a separar quem apenas decorou uma regra de quem atualiza corretamente as quantidades; combino-os com itens mais acessíveis, para observar a progressão e não penalizar toda a turma por uma única dificuldade.

O que ensinar antes de probabilidade sem reposição?

O acervo aponta conteúdos que vale verificar antes de avançar: probabilidade simples, multiplicação de frações, probabilidade de eventos, razão e proporção, frações e operações básicas e multiplicação de números decimais. Eu não retomaria todos automaticamente com a mesma intensidade. Primeiro identifico se o aluno consegue calcular casos favoráveis sobre casos possíveis; depois observo se entende que duas etapas podem ser combinadas e se sabe multiplicar as frações envolvidas. Quando a dificuldade aparece em equivalência, simplificação ou operações, revisito frações e operações básicas. Para a regra do produto e o erro de usar apenas uma parte do total, proponho também a retomada de multiplicação de frações. A revisão precisa responder ao diagnóstico da turma, não virar uma lista extensa de conteúdos prévios.

Em termos de ordem, eu costumo fazer uma escada: razão entre casos favoráveis e possíveis; probabilidade de um evento; multiplicação de frações; combinação de eventos simples; e, então, atualização das possibilidades sem reposição. A probabilidade condicional aparece naturalmente quando pergunto “qual é a chance da segunda retirada depois que a primeira foi vermelha?”. Se a turma compreende essa pergunta em linguagem cotidiana, mas trava na notação, faço a tradução aos poucos. Multiplicação de números decimais pode ser útil quando a resposta é expressa em decimal ou porcentagem, mas não deve desviar o foco inicial: o ponto conceitual é identificar o conjunto restante e representar corretamente cada etapa.

Que ligações existem com outros temas e competências?

Os contextos das questões aproximam a probabilidade de escolhas de rotina: cartões, preferências por sabores, esportes, fichas de validação e distribuição de vagas em um projeto. Uma questão associa o tema transversal à saúde, por meio de práticas esportivas; outras mobilizam atenção aos detalhes, pensamento crítico ou tomada de decisão. Eu uso essas situações para discutir como uma estimativa pode apoiar uma escolha, sem sugerir que um sorteio determine mérito ou preferência pessoal. Também comparo urnas com e sem reposição para falar de regras transparentes: se o primeiro cartão não volta, as chances seguintes mudam. Essa conexão dá sentido à modelagem, mas mantenho explícita a matemática e não atribuo às fichas temas transversais ou competências socioemocionais que elas não registram.

As situações de seleção de voluntários ou de participantes também oferecem oportunidade para conversar sobre critérios, imparcialidade e comunicação de resultados. A habilidade socioemocional registrada nas fichas inclui atenção aos detalhes, tomada de decisão e pensamento crítico. Posso pedir que a turma identifique quais informações são necessárias para calcular, explique como uma retirada altera a próxima chance e confira se a conclusão corresponde à pergunta. São atitudes observáveis dentro da atividade, não rótulos sobre o estudante. Para criar versões com contextos adequados ao perfil da turma, o gerador de provas do GeraProva permite organizar questões para diferentes momentos; o objetivo continua sendo usar a resposta para orientar o ensino.

Quais questões ajudam a diagnosticar probabilidade sem reposição?

As oito questões a seguir permitem observar desde a atualização das quantidades até a leitura de condições em sequência. Em cada item, recomendo pedir que o aluno registre a primeira e a segunda probabilidade, pois o distrator escolhido costuma revelar mais do que o resultado final. Há sete situações com retirada sem reposição e uma questão de contraste em que os cartões retornam à sacola. Essa diferença precisa ser preservada na correção: a questão de reposição avalia comparação de chances e leitura da regra do experimento, não o cálculo de dois eventos dependentes sem reposição. As alternativas incorretas abaixo explicam o raciocínio que pode ter produzido cada resposta. Use-as como pistas para conversar com o estudante, evitando concluir que um erro isolado define o que ele sabe.

1. Cartões com a palavra Matemática

Em uma caixa há 12 cartões numerados de 1 a 12. Quatro cartões trazem a palavra Matemática. Dois cartões são retirados ao acaso, sem reposição. Qual é a probabilidade de os dois cartões retirados trazerem a palavra Matemática?

  • ❌ A) 1/3, pois há 4 cartões com a palavra entre os 12. Considera apenas a chance da primeira retirada; revela que o aluno não incorporou a exigência de dois cartões.
  • ❌ B) 1/12, pois a chance seria a mesma em cada retirada. Trata as etapas como se as probabilidades não mudassem; revela dificuldade em interpretar “sem reposição”.
  • ❌ C) 7/11, somando as probabilidades. Usa uma soma inadequada para duas ocorrências sucessivas; revela confusão entre juntar eventos e exigir que ambos aconteçam.
  • ❌ D) 4/144, multiplicando 4 por 4 e 12 por 12. Mantém a mesma composição nas duas etapas; revela modelo de retirada com reposição.
  • ✅ E) 1/11. Calculamos 4/12 × 3/11 = 1/11: depois de sair um cartão favorável, ficam 3 favoráveis entre 11.

O distrator mais provável registrado é B. A dica é multiplicar as chances sucessivas lembrando que o total diminui. Use o item para observar se o aluno acompanha tanto o grupo favorável quanto o total disponível.

2. Dois cartões vermelhos

Em uma caixa há 3 cartões vermelhos e 2 cartões verdes. Dois cartões serão retirados, um após o outro, sem reposição. Qual é a probabilidade de os dois cartões retirados serem vermelhos?

  • ❌ A) 9/25. Repete 3/5 na segunda etapa, como se houvesse reposição; revela que o aluno sabe multiplicar, mas não atualiza o conjunto.
  • ❌ B) 3/5. Usa apenas a chance do primeiro cartão; revela que não incluiu a segunda retirada.
  • ❌ C) 1/2. Considera somente a chance de vermelho na segunda etapa, dado que o primeiro foi vermelho; revela confusão entre chance condicional e chance total do percurso.
  • ❌ D) 2/5. Usa a quantidade de verdes como se respondesse à pergunta; revela leitura superficial do grupo favorável.
  • ✅ E) 3/10. Calculamos 3/5 × 2/4 = 6/20 = 3/10, reduzindo os vermelhos e o total após a primeira retirada.

A ficha indica A como distrator mais provável. Peça que o estudante explique por que o segundo denominador é 4 e por que há 2 cartões vermelhos restantes; essa justificativa evidencia a compreensão da dependência.

3. Preferência por chocolate

Uma pesquisa com 30 alunos apontou preferências por sabores: chocolate 15, baunilha 10, morango 5. Se dois alunos são escolhidos ao acaso, sem reposição, qual a probabilidade de ambos preferirem chocolate?

  • ✅ A) 15/30 × 14/29 = 7/29, aproximadamente 0,241. Reduz uma pessoa favorável e o total disponível após a primeira escolha.
  • ❌ B) 15/30 × 15/29 = 1/2. Mantém 15 alunos favoráveis na segunda retirada; revela que a primeira escolha foi tratada como reposição.
  • ❌ C) Zero. Desconsidera que há 15 alunos que preferem chocolate; revela uma conclusão sem conferir os dados.
  • ❌ D) 15/30. Calcula a chance de apenas uma pessoa preferir chocolate; revela que a condição “ambos” foi ignorada.
  • ❌ E) 10/30 × 10/29 = 1/3. Usa a quantidade de baunilha no lugar da de chocolate; revela troca do grupo favorável.

O distrator mais provável é B. O item tem leitura baixa e contexto cotidiano. Peça ao aluno que escreva o número de alunos favoráveis e o total depois da primeira seleção antes de efetuar a multiplicação.

4. Sorteio de cartões com desenhos: um contraste com reposição

Para decidir quem escolhe a música do intervalo, uma monitora coloca em uma sacola três cartões com sol, três com lua, um com nuvem e um com estrela. Cada participante retira um cartão sem olhar e o devolve à sacola antes do próximo sorteio. Qual afirmação compara corretamente as chances?

  • ❌ A) Sol tem chance menor que lua e maior que estrela. Sol e lua aparecem três vezes cada; revela que as quantidades foram comparadas incorretamente.
  • ❌ B) Sol tem chance igual à nuvem e maior que lua. Confunde grupos com quantidades distintas; revela dificuldade em relacionar frequência e chance.
  • ❌ C) Sol tem chance igual à lua e menor que nuvem. Inverte a comparação: há mais cartões de sol do que de nuvem.
  • ❌ D) Sol tem chance maior que lua e igual à nuvem. Ignora as quantidades indicadas no enunciado; revela leitura imprecisa dos dados.
  • ✅ E) Sol tem chance igual à lua e maior que nuvem. Há três cartões de cada um dos dois primeiros desenhos e apenas um de nuvem.

Importante: o cartão é devolvido, então este item não é um cálculo de probabilidade sem reposição. Ele diagnostica leitura da regra e comparação de chances com reposição. A ficha aponta como erro típico confundir os dois modelos; use-o para contrastar explicitamente as situações.

5. Fichas azuis e vermelhas em um teste

Uma caixa tem 9 fichas: 4 azuis, 3 vermelhas e 2 verdes. Duas fichas são retiradas sucessivamente, sem reposição. O teste é aprovado quando a primeira ficha é azul e a segunda é vermelha. Qual é a probabilidade de aprovação?

  • ❌ A) 3/8. Considera apenas a chance de a segunda ficha ser vermelha; revela que a primeira condição foi esquecida.
  • ❌ B) 4/9. Considera apenas a primeira ficha azul; revela que a condição da segunda etapa não foi incluída.
  • ✅ C) 1/6. Calculamos 4/9 × 3/8 = 12/72 = 1/6. Como a primeira ficha é azul, restam 8 fichas e ainda 3 vermelhas.
  • ❌ D) 1/9. Subtrai probabilidades em vez de combinar duas condições sucessivas; revela escolha de operação sem interpretar o evento.
  • ❌ E) 1/3. Usa 3/9 para a ficha vermelha e ignora a exigência da primeira ficha azul e a mudança no total.

O distrator registrado como mais provável é D. A situação pede atenção à ordem e à composição restante. Faça o aluno dizer em voz alta qual fração representa cada etapa antes de multiplicar.

6. Dois alunos que preferem futebol

Numa turma de 20 alunos, 12 preferem futebol e 8 preferem vôlei. Dois alunos são escolhidos aleatoriamente sem reposição. Qual é a probabilidade de ambos preferirem futebol?

  • ❌ A) 11/20. Reduz o número de alunos favoráveis, mas mantém o total original; revela atualização parcial.
  • ✅ B) 33/95. Calculamos 12/20 × 11/19 = 132/380 = 33/95.
  • ❌ C) 12/20. Considera apenas a primeira pessoa; revela que a segunda seleção foi ignorada.
  • ❌ D) 33/100. Reduz os favoráveis para 11, mas conserva 20 como total na segunda etapa.
  • ❌ E) 9/25. Repete 12/20 nas duas escolhas, como se houvesse reposição; revela confusão entre eventos independentes e dependentes.

A ficha registra D como distrator mais provável, embora E também represente um erro de reposição. A dica é reduzir o total após a primeira escolha. Observe se o aluno atualiza numerador e denominador, não apenas se chega à fração simplificada.

7. Futebol primeiro e vôlei depois

Num clube escolar com 30 alunos, 14 praticam futebol, 8 vôlei e 8 natação. Se dois alunos são escolhidos aleatoriamente sem reposição, qual a probabilidade de o primeiro gostar de futebol e o segundo gostar de vôlei?

  • ❌ A) (14/30) × (14/29). Usa futebol também na segunda etapa, embora o enunciado peça vôlei; revela troca da condição.
  • ✅ B) (14/30) × (8/29) = 56/870 = 28/435, aproximadamente 0,0644. A primeira escolha é de futebol e, depois dela, há 8 alunos que preferem vôlei entre 29 restantes.
  • ❌ C) (14/20) × (8/29). Usa 20 em vez de 30 como total inicial; revela erro de leitura ou de transcrição.
  • ❌ D) (10/30) × (8/29). Usa 10 em vez de 14 para futebol; revela contagem incorreta do grupo favorável inicial.
  • ❌ E) (14/30) × (8/30). Mantém o denominador inicial na segunda escolha; revela que a retirada sem reposição não foi considerada.

A ficha aponta E como distrator mais provável e registra tema transversal saúde e habilidade de tomada de decisão. O cálculo pode ser feito em etapas, com atenção à ordem: neste caso, a retirada de futebol não reduz a quantidade de alunos que prefere vôlei, mas reduz o total para 29.

8. Duas vagas para pessoas com experiência

Uma urna tem 12 cartões: 5 identificam pessoas com experiência em digitalização e 7 identificam pessoas para outras atividades. Dois cartões são retirados um de cada vez, sem reposição. Qual é a classificação dos eventos e a probabilidade de as duas pessoas sorteadas terem experiência?

  • ❌ A) Eventos dependentes, probabilidade 5/12. Classifica corretamente a dependência, mas calcula só a primeira retirada.
  • ❌ B) Eventos independentes, probabilidade 25/144. Supõe que o cartão retorna à urna; revela confusão entre retirada com e sem reposição.
  • ❌ C) Eventos dependentes, probabilidade 4/11. Calcula apenas a chance condicional da segunda retirada; esquece a primeira etapa.
  • ✅ D) Eventos dependentes, probabilidade 5/33. Calculamos 5/12 × 4/11 = 20/132 = 5/33.
  • ❌ E) Eventos dependentes, probabilidade 5/11. Usa apenas parte da fração da segunda etapa, sem combinar as duas chances.

A ficha indica A como distrator mais provável. A leitura do contexto reforça a dependência: o primeiro cartão é entregue a outra pessoa e não volta. Peça que o estudante justifique tanto a classificação quanto a conta; acertar apenas uma das duas partes mostra uma compreensão ainda parcial.

Quais dúvidas aparecem ao ensinar probabilidade sem reposição?

As perguntas abaixo sintetizam dúvidas que surgem quando a turma passa de uma probabilidade simples para duas retiradas sucessivas. Na minha experiência, responder com uma fórmula sem retomar a situação concreta pode reforçar justamente o erro que queremos corrigir: o aluno memoriza uma expressão, mas continua usando o mesmo total ou considera uma única etapa. Por isso, cada resposta aponta uma decisão didática observável — o que conferir no enunciado, que representação pedir e como interpretar o erro. Também separo explicitamente reposição e ausência de reposição, porque uma das questões deste conjunto descreve devolução do cartão. Use essas respostas como ponto de partida para ajustar a explicação ao que seus alunos mostram nos registros, em vez de tratar toda resposta incorreta como uma dificuldade única.

Como sei se o aluno entendeu a ausência de reposição?

Peça que explique quantos elementos restam depois da primeira retirada e quantos deles atendem à condição seguinte. Se atualizar corretamente o conjunto antes de calcular, há evidência de compreensão. Um resultado certo sem justificativa não mostra sozinho se ele entendeu ou apenas repetiu uma regra.

Em eventos sucessivos, devo somar ou multiplicar?

Quando a pergunta exige que a primeira condição e a segunda aconteçam em sequência, a regra do produto representa o percurso. A soma pode aparecer em outros tipos de pergunta, como alternativas mutuamente exclusivas, mas não substitui o produto para “ambos” em retiradas sucessivas. Primeiro identifique o evento descrito.

O que faço se o aluno sabe a fórmula, mas usa o mesmo denominador?

Retome o experimento com objetos ou um desenho e peça que conte o conjunto depois da primeira retirada. Organize favoráveis e possíveis em duas colunas. O objetivo é tornar visível por que o total muda; repetir a fórmula sem essa representação pode não corrigir o modelo mental.

Posso usar uma questão com reposição nesta sequência?

Sim, como contraste claramente sinalizado. Compare uma situação em que o cartão volta com outra em que não volta e pergunte se as chances da etapa seguinte permanecem iguais. Não apresente um item com reposição como se fosse evidência direta de cálculo sem reposição; a questão 4 deste conjunto ilustra essa distinção.

Como adaptar a avaliação para alunos com dificuldade em frações?

Separe o raciocínio probabilístico do cálculo. Peça primeiro que indiquem os casos favoráveis e possíveis em cada etapa; depois, ofereça apoio com frações equivalentes, simplificação ou calculadora, conforme o objetivo da avaliação. Assim, você identifica se a dificuldade está no conceito, na operação ou em ambos.

Qual é o melhor momento para aplicar essas questões?

Use itens curtos para sondagem inicial e discussão guiada para atividade ou lição. Depois da sequência, selecione questões de consolidação para prova ou simulado, observando as indicações de uso das fichas e a complexidade de leitura. Registre os cálculos intermediários: eles ajudam a decidir o próximo passo de ensino.

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